(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

PALAVRAS VERMELHAS


(para Gullar)


O último passo é sempre o inicio do próximo. Nas palavras temos o vermelho sangue encarnado menstruação maçã bochechas vinho saliva mucosa estômago ânsia gastrite hemorróidas sangue cocô terra crianças correr machucar mulher pai filho ferida sangue curativo briga palavrão tapa tapa correr xingar sangue briga vagina sexo sexo outro outra separação peitinhos boca língua sangue puta bater fugir correr separação um outro trepar boca dois quatro bandeira vermelha filhos ... e nas corridas loucas da vida as palavras somente possuem seus símbolos e cores e não é nada além disso do que somos e vivemos, por isso digo que todas as vidas podem ser resumidas em algumas, em algumas palavras, nas palavras vermelhas, palavras vermelhas
palavras
vermelhas
pala vra
ver melha
pala
vra
ver
melha
pa
la
vra
verme
lha
ver
me
lá.


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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Lost the Sunset

Definitivamente não existe ex-amor.

A impossibilidade de esquecer alguém por quem algum dia, ou por alguma ocasião, olhamos nos olhos e falamos – Eu te amo! – é algo realmente inquestionável.

Como esquecer os pequenos detalhes que só podem existir naquela pessoa, especificamente naquela única pessoa, por quem se nutriu desejos, tesões, raivas, angústias e bem-quereres. Sentimentos também temos com todos os outros, os amigos, parentes ou conhecidos. Mas como esquecer os detalhes de um amor?
Como esquecer a carícia no cabelo em uma tarde chuvosa, a tatuagem de estrela nas costas, o cheiro do perfume que somente ela (ele) tem, a espera no ponto de ônibus para poder chegar na longínqua casa em que sua amada (o) reside. Como esquecer?

Os amores não podem ser esquecidos, nunca, e nem levarem a alcova de “ex”. Mágoas, raivas, decepções, traições, não há como negar, existem, mas nenhum ex-relacionamento pode ser cunhado de ex- amor. A lembrança sempre está lá, para nos espezinhar e colocar-nos em lágrimas nos olhos ou em lágrimas invisíveis, da alma.

Quem nunca voltou ao lugar de um primeiro encontro?
Quem nunca suspirou a velha música de nós dois?
Quem nunca chorou pelo ex-amor (?) que era pra ser para sempre?

Todas aquelas pessoas que dizemos amar algum dia (se este não foi um comentário mentiroso) estarão eternamente impressas em nossa lembrança. E como negar a inexistência delas se a cada momento que as vemos em nossas mentes estamos novamente a revivê-las, a torná-las infinitamente vivas e para sempre e sempre e sempre...

Não adianta tentar se enganar, solteiro ou casada, viúva ou separado, todos temos em nossas memórias o ardor da lembrança bela e gentil daquele beijo primaveril e quente, daquela cena de ciúmes terrível, daquele olho no olho inesquecível.

É por isso que todos os términos de relacionamentos são sofridos e sofríveis, pois teremos que nos desgarrar dos nossos pequenos detalhes de perfeição, da vida sã. E são desses pequenos detalhes costurados que podemos levar a vida adiante, para podermos conquistar novas aventuras e amantes. São desses pequenos retalhos de amores que construímos a plataforma de onde esperamos a vida passar e tentamos pegá-la em uma carona veloz, na difícil viagem para a feliz cidade.

Boas viagens.

Definitivamente não existe ex-amor.


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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Causa e Efeito

Por quê? Por que deveria escrever um poema para você?
Se mal te conheço, e as vezes esqueço seu nome e seu rosto
me foge pela memória afora...

Por que devo escrever palavras rimadas, em versos e prosas,
com ritmos alexandrinos e precisos, pois sequer sei quem és.
Por que, devo?

Por que deveria fazer juras de amor eterno e inesgotável
para alguém que não reconheço. Palavras doces de orvalho
numa noite de inverno também não deveriam ser ditas.

Por que devo sonhar acordado se só te conheci por uma noite.
Por uma dança. Breve e rápida. Por que meus olhos brilham
quando não lembro do seu rosto claro?
Clara é a luz que me cega.

Não! Não farei esse poema. Não irei acordar pela madrugada
psicografando palavras de paixão ao léu.
Definitivamente não irei fazer isso!

Mas... por que meus olhos estão molhados, meus rosto inchado e
minha pele encarnada?

Não. Definitivamente não deveria ter escrito esse poema.
Que triste fim ao poeta.



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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Se arrependimento não matasse...

Não me arrependo. Não mais. Falo do amor. Em um recente passado, estava sempre de peito fechado. Fechado para os ventos e as brisas, para os cheiros, odores, como um escudo, para defender uma tropa adormecida. Realmente era mais seguro. E de tanto defender-me fiz com que esquecesse de como é ofegante cruzar um olhar e sentir os cantinhos dos olhos umedecerem, ou do suor quente ao encostar a pele em outra, ou o simples desejo que o Universo fizesse uma pessoa nascer especialmente para me amar. E como ser seguro é chato. Falo do amor. Sim. Só me arrependo de todas as vezes que impedi meu peito de funcionar a pleno vapor. Que soprasse sua fúria vermelha de impulsos e desejos. Ah! Se isso fosse ontem... Porque hoje não me arrependo mais, não mais. Prefiro sofrer as mil angústias de um amor partido e perdido, do que sentir a falta de um amor que nunca veio. Falo do amor e não me arrependo em falar dele. Não me envergonho em mergulhar de cabeça, afogar minha alma, e oferecer o melhor de mim. E hoje tenho pena de quem abriu mão desse peito aberto, ou de qualquer um outro. Prefiro chorar todas as lágrimas, sofrer todas as vergonhas, perder todos os sentidos, do que ser um covarde do coração. Não me envergonho mais. Nunca mais. Amanhã estarei amando de novo. Até o próximo suspirar. Até!


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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Contagem regressiva

Todo dia é o mesmo dia.
O dia todo o mesmo dia se repete.
O tempo todo.
Todo dia é a mesma cama.
É a mesma cama que me embala, todo dia.
O dia todo.

Foi em um dia desses, um dia todo.
Que resolvi mudar a rotina.
Transformei um dia tolo em gozo.
Tolos foram todos aqueles dias que perdi.
Todas as almas que deixei de sentir.

Agora passo o tempo todo como um bobo.
Bobo ao olhar o céu e sorrir.
Bobo ao olhar a criança e chorar.
Todo para abrir o coração e amar.

Tola foi minha arrogância em não perceber.
Que poeira de via láctea todos somos.
E que os tolos e os bobos, como eu, assim devem continuar.

Todos somos essência de uma mesma matéria.
E na frente do tempo iremos nos condensar,
para quem sabe um dia...

O Universo venha nos varrer em um buraco negro,
e ninguém mais
poder
se
lembrar.


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terça-feira, 26 de agosto de 2008

PARÓDIA I (Escargot)

Um dia vi um caramujo africano cruzando minha rua.
Depois de seis horas e trinta minutos observando a travessia.
Pude confirmar.
Após esse evento.
Minha vida jamais foi a mesma!




CAIXÃO

Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim. A morte é dura.
A morte é dura.
Dura.
Dura sim.
Dura como uma pilha Duracel.



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A poça profunda

Canso-me da superficialidade. Lembro de um antigo e chato colega mais velho de licenciatura. Ele dizia: “- A juventude passa e perpassa por um processo de adolescentilização”. A princípio trupiquei-me com o referido comentário, depois refleti. Era verdade. Nos ressentimos da seriedade, não da seriedade boba e burra dos velhos antigos antiquados, mas sim da seriedade da vida e das coisas. Paro e penso nos programas vespertinos da tv, nas micaretas, nos bailes funk tão freqüentados por nós jovens. Nada contra o gosto alheio, o meu também é terrível. Penso no que deixamos de ler, ver e ouvir: Pessoa. Drummond. Bandeira. Quintana. Picasso. Van Gogh. Gaudi. Mozart. Pixinguinha. Buarque.
Tantos, tantos.
Lembro então da minha infância (pós 79) e das minhas noites dormidas juntinho com a televisão. Fascinado. Lembro das musiquinhas sofríveis da década de 80 e que eu tanto adorava. E vejo que não dá mais para fugir disto, somos o misto do popular, com um quê de popularesco, e de um mínimo de erudição, erudição buscada com ardor e dificuldade, com quase sofreguidão. Vejo existências tentando lutar para concentrarem, mesmo que num mínimo, alguns conhecimentos deste longo mundo. E vejo almas vivendo somente para responder aos estímulos dessa difícil vida, matrixiando seus corpos e mentes. Como eu queria ser uma dessas almas. Porém vivo angustiosamente na minha eterna superficialidade profunda.


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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

DORMIR

Bom sono, bons sonhos
Mau pedágio, maus presságios
A corda acabou de acordar
O corpo acabou de cair
O chão acabou de sangrar
Silenciando o barulho
O ouvido não pôde mais escutar
O lábio ficou mudo
O olho a cegar
Acordar de novo e voltar a navegar
Bom sono
Bons sonhos
Até nunca mais voltar.



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segunda-feira, 23 de junho de 2008

ENCARNADO

No momento em que foste embora vi e vivi o quanto rubro minha vida ficaria, e vermelho de retidão encarnei a vergonha do perdão e quase disse – volta – mas não disse. Não sei qual cor terás a vergonha, ou a raiva, porque passo a achar que ambas têm a mesma cor, pois doem como entranha em pus, como víscera em dor.

No momento em que não olhastes para trás minha vida ficou púrpura e como cinzas minha alma apagou, passei a ver com exatidão e quase disse – olha – mas não disse. Não sei qual cor terás o arrependimento, ou o mal-dizer, porque passo a achar que ambos têm a mesma cor, pois doem como pedra a tilintar em meu crânio com ardor.

No momento em que não mais te vir minha vida ficará branca e límpida, minha existência ficará tranqüila, não haverá nada, e quase direi – morra – mas não direi. Não sei qual a cor terás a tranqüilidade, ou o esquecimento, porque passo a achar que ambos têm a mesma cor, pois reluzem a luz do sol em meus olhos com torpor.

No momento em que... Volta! Te suplico! Te chamo! Volta meu amor! Minha vida e luz! Volta e olha para trás! Volta e não vá mais! Volta minha flor! Não, não, não, não, sinto muito, mas não tenho mais nenhuma... cor.



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quarta-feira, 2 de abril de 2008

Diálogos I

- Mamãe! Como foi sua infância?

- Foi boa, filha. Simples, mas boa. Brincava jogos simples pelas calçadas e ruas, com os moleques descalços e pés sujos de lama, moleques tão simples e tão moleques como eu.

- E meus avós?

- Seus avós também eram pessoas simples, mas de bom coração. Lembro de sua vó cozinhando o prato preferido de seu avô e de vez em quando ela gritava: “Menina sai da rua!”.

- E meu vô?

- Seu vô era pessoa séria, de poucas palavras e muitos olhares. Carinhoso e sisudo. Nenhum dos dois tiveram muitos estudos, mas sempre me perguntavam: “Já fez o dever de casa?”, “Deixa eu ver as notas do bimestre”.

- Eles eram severos?

- Não muito. Acho que consegui o que eles queriam. Consegui ter mais estudos do que eles. Me formei, depois me formei de novo e depois mais uma vez. Acho que consegui o que eles sempre esperaram de mim.

- Mamãe, o que você espera de mim?

- Espero que você seja uma boa pessoa, minha filha, uma pessoa de bem, que leia bons livros, que seja integra, carinhosa, boa filha para se tornar uma boa mãe, e que principalmente estude, estude e estude mais ainda, para que possa ser alguém na vida.

- Então você quer que eu faça tudo o que vovó queria que você fizesse?

- Não! Não é isso... não...

- Por quê?

- Quero que você siga seu próprio caminho!

- Hum. Tá bom.

- ... não sei. Só sei que sinto muito a falta deles. E todas as noites ainda lembro da minha infância, da cidade onde nasci e morei, que por sinal é bem longe daqui. Toda vez que lembro da rua, de casa, de papai e mamãe, lá no meu quarto, com seu pai ao meu lado, toda vez que lembro... [acabo chorando].

- Mamãe porque a gente ainda está andando de ônibus?

- Porque a vida não é tão fácil assim, por mais que tentemos fazer as coisas certas, filhota, sempre acabamos errando pelo caminho, deixando de fazer certas coisas, tomando outros rumos. Mas, hoje, você vive em melhores condições do que eu vivi! Posso te dar coisas que não tive.[Engraçado, mamãe também me dizia isso].

- Então acho que é isso mesmo que eu quero, mãe, quero estudar, ser uma webdesigner e publicitária, fazer um MBA na Fundação Getúlio Vargas, depois fazer meu mestrado e tentar um doutorado sanduwich em Londres com uma bolsa da CAPES ou do CNPq...

- É isso mesmo minha filha, este é o seu caminho, siga-o, faça-o.

- Mãe, será que eu serei uma pessoa feliz?

- Lógico minha filha, lógico...

-Você é feliz?

- Sim, sou sim. E sou feliz só porque tenho você. Mas porque também você tem um pai que te ama. Porque posso lembrar de minha infância, de meus amigos, de seus avós, e depois... [chorar]... e depois...sorrir!

- Mamãe. Eu te amo!

- Eu também te amo, minha menina.

- Mãe, a gente tem que puxar a “campanhia”, já é o nosso ponto.



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segunda-feira, 3 de março de 2008

Ah! insustentável leveza de ser






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Com_versa







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Poema perdedor do concurso "Agora é com vocês" do Portal Literal, de não sei quanto tempo atrás. A tarefa era completar um trecho de um texto de um grande autor, neste caso, o autor escolhido foi o Ferreira Gullar.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Filiação

Meu pai Francisco deu-me o nome Vinícius em homenagem ao poeta. Sempre
achei que nossos músculos bombeadores de sangue possuíssem razões diferentes
para tornar nossas vidas, no passado e no presente, possíveis. Há pouco tempo
percebi que o nome Vinícius é um nome no plural, não precisa acrescentar o -s para se
chamar mais de um deles. Sempre se é chamado como um múltiplo, e precisamente
de múltiplas almas necessitamos como combustível de nossa existência. Então
passei a entender o que herdei de Francisco e de Vinícius. E são esses sentimentos
que impulsionam nos dias de hoje minha víscera coração a bater até o dia em que
terá de se calar. Oxalá Vinícius poetinha. Oxalá meu pai. Oxalá!


domingo, 13 de janeiro de 2008

Híbrido

(Para S.B.H.)

Algo me preocupa. Sinto ser híbrido de mim mesmo. Pareço não pertencer a lugar nenhum e conseqüentemente a ninguém. Não pertenço mais ao lugar d´onde sou e fui criado. Não, não mais. Na mentalidade pequeno-burguesa de nossos pais, teríamos que ter uma educação formal superior à deles. Consegui. Alguns outros também. Mas então ocorre uma dessincronia. Passamos a não desfrutar de alguns antigos valores, mas também não fazemos parte do mainstream simbólico. Somos então um bando de “desterrados em nossa própria terra”. Me preocupa saber que meu pai me acha um arrogante. Me preocupa saber que a elite me acha um capiau. Me preocupa não saber quem sou. Quem importa?



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sábado, 8 de dezembro de 2007

Gerações

Canso-me de ouvir os estilhaços das velhas palavras de ordem aos novos jovens, os jovens que escrevem nestes papéis virtuais em cristais de vidro. Tudo para nós, jovens, é sujo, transloucado, destruído, superado, estilhaçado....
Como se o tempo tivesse, nos seus anos longos anos de vida, que tencionar-se em uma longa curva para baixo, para o chão, para superar o chão e chegar, portanto, aos infernos dantescos.
Sempre somos os acusados de romper com a velha ordem, como se a velha ordem fosse a ordem certa, mas que ordem? Se a ordem em que vivemos agora é a desordem ordenada, realizada, deixada e cuspida por quem mais amamos, nossos pais, nossos avós, nossos...
Então escutamos calados, às vezes não, o que somos, vagabundos, sem bandeiras, sem ideologias, globalizados, alienados, baderneiros, consumistas, idiotizados. Me pergunto? Qual geração não foi isso tudo e também não foi vanguardista, inovadora, transgressora, descobridora e celestial.

Parece ser esquecido que dentro da linha do tempo quem dá o primeiro suspiro de vida será tão contemporâneo ao ser que der o último afagar antes da morte. Dentro dos limites da existência as gerações se misturam e dialogam, com suas fraquezas e virtudes, com suas afinidades e oposições. E quando acabo de falar disso, sem saber porquê, lembro do meu avô, morto, e penso que fui contemporâneo a ele, penso na falta que, hoje, ele e sua história me faz.

Não desistamos da nossa linha do tempo.



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Pedaço Vermelho

Seiva ruiva escorre
Em lábios. Fica no
Canto da boca. Encarnada.
Parecia um pedaço de melancia.
Mas não!
Era sua boca.

(para Carla Juliane)



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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

cinema

Tenho a impressão que os melhores filmes que já assisti

foram os que me fizeram chorar ao seu final.

Foi vendo filmes que aprendi que homens também choram.



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A guarda do anjo


E tudo tornou-se claro quando a caixa de fósforos caiu ao chão.


Estava límpido e preciso que aquela criança dormindo junto ao meu peito era suficientemente o necessário para o restar de toda a minha existência.Todas as angústias e medos transformaram-se em um sorriso febril e duradouro.Todos os mal-dizeres e borrões foram apagados por aquele respirar leve e profundo leve e profundo e que não terminava, junto ao peito, ali, e eu olhando para aquele rosto angelical de querubim, tão anjo quanto qualquer outro anjo-rebento que tivesse mais ou menos trinta dias de vida, mas mais anjo para mim, parente de carne e sangue.


Tudo o que eu consegui ouvir dentro daqueles parcos e rápidos momentos era aquele respirar leve e profundo leve e profundo. E nada mais importava. Só não me derramei em lágrimas para que meus
próximos não me vissem em uma situação tão exposta de sentimentos.
Como às vezes sou tolo, na verdade quase sempre. Tinha aquele anjo
em meu peito e pensei que não é necessário somente ter anjos em carne
aos peitos e, sim, anjos-crianças dentro do próprio peito, a todo momento. Carregá-
los como esperança e boas novas em tempos confusos, de clima cinza, e névoa, e
escuridão. O quão aquele pequeno ser pesando em meu tórax fez-me ver que de
detalhes, lágrimas e sorrisos a vida se vale e tornei a pensar o que realmente
queremos dessa mesma vida senão olhar para os seus pequenos e dizer-lhes:


-Durmam aqui em meu peito!


Mas não precisa ser só peito, pode ser colo, pode ser cafuné, pode ser abraço, pode
ser beijo. E o pequeno espaço de tempo transformou-se em horas, em dias, anos,
séculos, história. A eternidade só pode ser alcançada de duas formas: em pequenos
dormindo em seu peito ou em obra. Obra que faz que o nome de quem a criou possa
ser rememorável e vivente para quem a leu, a viu, visitou, vestiu, comeu, bebeu,
sentiu, amou. E tudo isso porque havia uma criança dormindo em meu peito.


Catei os fósforos ao chão.


E nada mais importava.

(para Álvaro)

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O CULTO

Em vida nem cigarro nos beiços colocou. Amor fez poucas vezes. Só trepou,
trepou, trepou e trepou. Como queria que um Bukowski baixasse nele como um Exú
e abrisse seus caminhos em rubro, em encarnado, encarnado de sangue e suor.
Mas nada demoníaco, pois do demônio só vem o mal, vide ao que aconteceste com
Adrian Leverkühn e sua vida faustica. O que queria não vêm dos céus nem dos
infernos. Vêm da terra ardida de homens, mulheres e crianças. Vêm da terra
molhada de lágrimas e risos, e do germinar eterno do homem em homem. Queria o
saber final do que nos faz poder viver e não mais encerrar esta vida tão miserenta de
desgraças e angústias. E poder dizer a todos: - Descobri! – Descobri! – Descobri
porque vivem!- Descobri a razão de vivermos!- Descobri! -E finalmente lhes direi a
resposta. -A resposta é, é, é: - ...................ih, morri!


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Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades
Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

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Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

AMIGOS DO PSQC

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