
domingo, 15 de maio de 2016
O meu lugar, por Leandro Clímaco

quinta-feira, 23 de julho de 2015
Cama vazia / Água e fogo / Território, por Helenia Martinez
Cama vazia
Se tudo passa tudo se inicia
Guerra, cama vazia
O mundo anda tão ocupado
Preocupado e cansado
Com medo do fim
Medo da estrela
Do gelo tão frio
Quando corações
Não existem mais emoções
Nem razões de sobrevivência
A futilidade está dando audiência
A musica não é mais arte
Nem mesmo sei o motivo
De tudo isso
Por qual razão chorar sem emoção
O mundo anda cada vez mais quente
E as pessoas mais frias
O mundo anda tão frio
E as pessoas mais vazias
Será que alguém tem ao menos
Uma breve explicação
O amor virou comércio
Sem garantia de duração
Codinome extração
De tudo o que temos
O que temos então?
Viva o futebol!
A morte virou apenas
Falta de sorte
Uma falta “normal”
De saúde pública?
Ou Homeopatia...
Água e fogo
Você queima
E eu afogo
Mas nós dois matamos
E morremos de amor
Cada passo descompasso
Meu coração parece
Que abrigou um tambor
Eu te afogo
Você me esquenta até me evaporar
Eu refresco e mato a cede
Você queima e incendeia
Somos opostos
Você é um elemento quente
O despertar do calor
Eu sou fresca
Nasci em uma pequena nascente
E você me evaporou
Mas eu renasci como chuva
E te apaguei
Você renasceu em um fósforo
Ciclo vicioso...
Somos amantes somos inimigos
Somos apenas diferentes elementos
Causamos diferentes brilhos
Caro fogo amigo.
Território
A inercia dessa cidade
Me enlouquece
Não sai do lugar
Esse estranho lugar
Onde nada há
Me perco pensando
Às duas
E um estranho silêncio
Cala casas e ruas
Então penso
Imagino
Como se pensado
Eu pudesse
Fazer falar o mundo
Quero fugir desse lugar
Afogado na falta de progresso
Parado, chato e velho.
Que tédio, é sempre tudo igual
E a maioria das vezes, nada legal
Nada cultural
Quando não é um marasmo sufocante
Está tocando funk.
À noite, frio
De dia, febre
Cada passo me deixa
Mais impaciente
E cada dia menos inocente
Cada dia aumenta o grau da lente
E o modelo do óculos
Fica mais caro
E o pouco que a cidade cresce
Fica tudo congestionado
Circulam carros e carros
Velhos, batidos, importados
E quebrados
O progresso real
Ficou enterrado em algum lugar
Do ingênuo passado.
Helenia Martinez é jovem, muito jovem. Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, seu sangue ferve e faz ebulição nas palavras que derrama. Sangue mestiço, forjado de hemácias italianas, brasileiras e africanas. E é do espanto da mistura, da aflição e da incompreensão deste mosaico de terra em que vivemos, que Helenia repousa sua jovem pena a rabiscar a poesia que lhe corre pelas veias e nervos. O futuro deveria estar agradecido por esta menina ser a poeta que irá ser. Evoé.

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segunda-feira, 22 de junho de 2015
a menina que não gostava de viados, por Léo Rossetti
Conheci Léo Rossetti pelas andanças literárias na Baixada Fluminense. É meu colega de território, tendo como sede de vida e atuação a cidade de Duque de Caxias. Sua postura política, seu lirismo poético e seu belo livro "Cores de um Poeta Inverso" me chamaram a atenção. Inclusive tive a honra de ter sido convidado para participar da mesa de seu lançamento.
Aluno B (para o professor): Professor, a Aluna A não gosta de viado! - disse o estudante com a expectativa de que o mestre repreendesse sua colega. O professor ignora.
(...)
Aluno B (novamente para o professor): Professor, a Aluna A não gosta de viado! - bradou o aluno, enquanto o professor, em pensamento, confirmava a sua suspeita: a suposição de que o aluno pretendia, tão somente, expor a sexualidade do professor em sala de aula, na esperança de que o docente tomasse partido da causa gay e, dessa forma, revelasse seu lado fúcsia. O professor ignora.
(...)
Aluno B: É sim! Professor, o senhor não é gay?
Professor: Sim.
Aluna C: Não, tô falando do dever... - disfarçou a menina, estupefata, enquanto despencava de seu corpo aquele orifício, que resolveu se juntar ao do mestre, no chão da sala de aula, para também desfrutarem de seus minutos de fofoca.
Aluno B: Professor, a Aluna A tem preconceito com viado!
Aluna A: É que eu tenho preconceito com viado, eu tenho.
Professor: Que bom, né? Pelo menos você reconheceu que tem. O primeiro passo pra acabar com o preconceito é reconhecer que ele existe.
Aluna A: Mas eu não gosto nem de viado e nem de macumbeiro!
Professor: Então você vai ter que começar a não gostar de mim também...
Aluna A: Por que, professor?
Professor: Porque eu sou muito mais viado do que todos eles juntos.
Aluna A: Tá bom, professor, eu não tenho preconceito com viado não, só com macumbeiro.
Aluna D: Nada a ver, eu sou macumbeira e não é por isso que eu vou fazer macumba pra você!
Professor: Minha filha, você não tem que ter preconceito nem com viado, nem com macumbeiro, nem com preto, nem com branco, nem com verde, nem com ninguém. As pessoas são o que são, e elas são tão dignas quanto você.
Aluna A: Mas é que eu tenho medo de macumba...
Professor: Ahhhhh... então não é “você não gosta”, é “você tem medo”!
Aluna E: Ih, gente, cada um com a sua religião! Eu hein...
Aluna A: Obrigada, professor!
Professor: Aluna A, mudei de ideia.
Aluna A: Não, professor, por favor!
Professor: Mudei, sim!
Aluna A: Desculpa, professor, desculpa! – redimia-se a pobrezinha.
Professor: Agora você vai ser a última! Vai ficar comigo até mais tarde.
Aluna A: Por que? – perguntou indignada.
Professor: Porque você precisa conviver mais com viados.
Você também pode entrar na fanpage do Facebook do Poeta Inverso, é só clicar aqui:
https://www.facebook.com/CoresDeUmPoetaInverso

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segunda-feira, 23 de março de 2015
O poeta Antônio Barbosa, de Magé, no Extra Baixada (21/03/2015)
Antonio constrói telhados de concreto e chão de palavras.
Sua casa é a morada dos sãos.

sábado, 21 de março de 2015
A construção do ser masoquista: A falácia do caso Cícero, por Igor Rodrigues
Os moradores de rua, diversas vezes, são tratados como uma espécie de fênix, isto é, como “portadores da capacidade humana de fazer frente às adversidades da vida, superá-las e sair delas fortalecidos ou inclusive transformados.”, como pensa Grotberg (1996). O caso Cícero é utilizado pelo senso comum e/ou pela mídia como exemplo de superação baseada na força de vontade do indivíduo: “se ele conseguiu, nada impede que os outros consigam”, como se o morador de rua representasse uma questão individualizada, “os vários e possíveis Cíceros”, dos quais se valem, portanto, da exceção para deslegitimar a regra.

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domingo, 8 de março de 2015
Geograffitis: Uma leitura geográfica sobre os graffitis cariocas, por Leandro Tartaglia
*Geógrafo e Professor Adjunto do Departamento de Geografia UFF
O livro pode ser comprado neste link: http://editoramultifoco.com.br/loja/produto/geograffitis-uma-leitura-geografica-dos-graffitis-cariocas/

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domingo, 8 de fevereiro de 2015
Dualismos / Lamento, por Rafael Valladão
Dualismos
Qual primavera que, a florir as ruas,
Sobre as ruínas traz graciosas flores,
Tu, musa eleita, nas canduras tuas
Anima em mim brilhantes novas cores.
Mas como o outono, a secar folhas mortas,
Sobre os jardins outrora coloridos,
Tu, musa eleita, as minhas veias cortas
E inânimes falecem meus sentidos.
Mas que farei então, se me sacia
Estar entre o martírio que a alma mata
E a paixão que as mágoas me devora?
Hei de ficar, carícia e, após, chibata:
Colhendo flores no raiar da aurora,
E as sepultando ao declinar o dia...
(24/06/2014)
Lamento
Um olhar oculto me observa
silencioso e muito manso:
- Será um anjo ou mulher?
O olhar oculto se alevanta
sinuoso no espaço vago
- Será um anjo ou mulher?
O olhar vela sua intenção
imprecisa de volúpia
- Será um anjo mulher?
Um olhar espreita meu vulto
de mansinho me murmura:
- Sou mosca que não te quer!
(26/12/2013)

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Dadivisão, por Marco Vinícius Lamarão
De novo passagem e rito
De infinitos planos
Para tempos finitos
de rua e de panos
fileiras e bandeiras!
Pra feios e bonitos momentos
Onde mormente direi: movimente-se
E reclamarei dos seus parênteses
Se neles não houverem ensinamentos
Que nos faça sair do confinamento
Desta individualidade bigbrotizada
Em cada passo um tormento
Pois que dói a consciência recobrada
Afinal, ela foi retirada da lancinante branquidão
Lá, jogada em meio as traças e às verdades fragmentadas,
Que fizeram da falsa incoerência seu chão
No lugar onde as mudanças minam
Quando homens e mulheres se indeterminam
Que indeterminação que nada!
Vamos que te chamo, pois que tenho percebido
Enquanto continuo andando
Aprendendo, ensinando e seguindo:
que a melhor forma de multiplicar
é buscar sempre estar dividindo.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Livro: "Nas margens", de Leandro Climaco Mendonça

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Lançamento do livro "Entre Laranjas e Letras", de Amália Dias
sábado, 29 de novembro de 2014
CINEFILIA: "Boyhood", por Samantha Brasil

terça-feira, 25 de novembro de 2014
Homem / O poeta morreu, por Luan Alves Ribeiro
Homem
O poeta morreu
(Para Manoel de Barros)

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sábado, 22 de novembro de 2014
Nova Iguaçu: Cidade dos meus olhos, por Marcus Vinícius Faustini
Para quem só ouviu falar.
Para quem vem de vez em quando.
Para quem vive e convive neste território formado por tantos municípios, mas onde há uma relação social e econômica intrínseca e de interdependência entre as cidades.
Para quem quer saber mais sobre esta incrível cidade que é Nova Iguaçu e que formou tantas outras.
Ver este pequeno grande filme é um primeiro passo fundamental para conhecê-la e reconhecê-la.

terça-feira, 18 de novembro de 2014
BAIXADA FLUMINENSE: Inovações e Permanências, por Adrianno Oliveira

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Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades
(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC
Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!
O autor
Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.
O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS
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O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO
AMIGOS DO PSQC
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Sim, pode parecer um contrassenso não desejar um evento tão grandioso para nossa cidade e país, mas neste caso meu pessimismo e percepção de...
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Névoa, névoa. Ludibriada mente. Meio zumbi. Meio gente. Névoa, sono. Metade vida. Metade sonho. Sono, sonho. Sopro intenso. Imenso dano. Ten...
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notas Música cantada é filme. Música tocada é livro. Música encantada é vida . Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
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Eu nasci no Rio de Janeiro, mas não sou carioca. Rio de Janeiro e São Paulo são os dois estados da federação em que Estado e Capita...






















