(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008



Gente, o PSQC e eu desejamos a todos uma ótima passagem de 2008 para 2009, além de muitas alegrias e perpétua felicidade.

Agradeço mais uma vez a todos os amigos e desconhecidos que visitaram o blog, que deixaram seus comentários ou que só deram uma passada de olho. Que se emocionaram ou detestaram os textos... enfim e mais uma vez: Muito obrigado!

Espero um 2009 com muitas novidades para todos, e espero trazer também muitas novidades para o nosso


Palavras Sobre Qualquer Coisa



Besos.


Vinícius Silva

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ÚLTIMO POEMA

Todo poema tem um só medo na vida. Um temor. Assim
como a morte para o homem.
Temor de ser o poema da última página de um livro.
- “Que mal terei feito eu para merecer tal destino?” – pensa
consigo o malfadado poema.
- “Que palavras vãs terei sido para ter tão perverso fim!”
Este fim-poema sofre de um ledo engano!
Antes é mais meio do que inteiro.
Explico:
É como na matemática, uma dízima periódica, sem fim.
Ele, o poema, é o meio termo entre o início do primeiro pensar e o caminho da infinda inspiração.
Por exemplo: Este poema, no universo paralelo dos números (primos de
2° grau das palavras), seria 33, 333333333333333
3333333333333333333333333333333333333333
3333333333333333... ...reticências. Sempre faltando um pouco para a chegada,
sempre se distânciando da partida.
Então só a morte nos poderá calar ?
Eis a grande questão da humanidade, dos números e das
palavras...
Tomara que a morte seja também uma dízima periódica, para
que possemos passear, através dela, pelo infinito.
Viva os últimos poemas e sua matemática imperfeita.
- Viva!


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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Lost the Sunset

Definitivamente não existe ex-amor.

A impossibilidade de esquecer alguém por quem algum dia, ou por alguma ocasião, olhamos nos olhos e falamos – Eu te amo! – é algo realmente inquestionável.

Como esquecer os pequenos detalhes que só podem existir naquela pessoa, especificamente naquela única pessoa, por quem se nutriu desejos, tesões, raivas, angústias e bem-quereres. Sentimentos também temos com todos os outros, os amigos, parentes ou conhecidos. Mas como esquecer os detalhes de um amor?
Como esquecer a carícia no cabelo em uma tarde chuvosa, a tatuagem de estrela nas costas, o cheiro do perfume que somente ela (ele) tem, a espera no ponto de ônibus para poder chegar na longínqua casa em que sua amada (o) reside. Como esquecer?

Os amores não podem ser esquecidos, nunca, e nem levarem a alcova de “ex”. Mágoas, raivas, decepções, traições, não há como negar, existem, mas nenhum ex-relacionamento pode ser cunhado de ex- amor. A lembrança sempre está lá, para nos espezinhar e colocar-nos em lágrimas nos olhos ou em lágrimas invisíveis, da alma.

Quem nunca voltou ao lugar de um primeiro encontro?
Quem nunca suspirou a velha música de nós dois?
Quem nunca chorou pelo ex-amor (?) que era pra ser para sempre?

Todas aquelas pessoas que dizemos amar algum dia (se este não foi um comentário mentiroso) estarão eternamente impressas em nossa lembrança. E como negar a inexistência delas se a cada momento que as vemos em nossas mentes estamos novamente a revivê-las, a torná-las infinitamente vivas e para sempre e sempre e sempre...

Não adianta tentar se enganar, solteiro ou casada, viúva ou separado, todos temos em nossas memórias o ardor da lembrança bela e gentil daquele beijo primaveril e quente, daquela cena de ciúmes terrível, daquele olho no olho inesquecível.

É por isso que todos os términos de relacionamentos são sofridos e sofríveis, pois teremos que nos desgarrar dos nossos pequenos detalhes de perfeição, da vida sã. E são desses pequenos detalhes costurados que podemos levar a vida adiante, para podermos conquistar novas aventuras e amantes. São desses pequenos retalhos de amores que construímos a plataforma de onde esperamos a vida passar e tentamos pegá-la em uma carona veloz, na difícil viagem para a feliz cidade.

Boas viagens.

Definitivamente não existe ex-amor.


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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ESCREVINHADOR

Que palavra é essa que
Descreve em desmazelo
Na só prosa lépida e lânguida
Que afinal se entrega.

Que sussurro é esse que
Me assopra em desespero
Sendo perfume veloz e pujante
Que invade qualquer fresta.

Mas que vontade é esta
Que me obriga a dizer as
Palavras pelas mãos
Que dita sua voz invisível
Na minha surda audição.

Mas não tem jeito.

Que vergonha é essa
Quando olho os teus seios
E na minha boca as salivas dizem:
- É isto a que te prestas?

Porém continuo a escrevinhar
Sem rejeitos
O que sinto de direito
Pois, na verdade, sem você
É só palavra
O que me resta.

E assim, as vidas e as mãos
Seguem a vagar,
Sem rumo,
Sem prumo,
Sem festa.


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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O poeta sem referências

Adormecido em mim há um dragão que come minha bílis e vomita seu fogo. Leia se puderes. O poeta sem referências. O poeta sem referências não leu a obra de Machado, Drummond, Bandeira nem Cunha. O poeta sem referências não decora poemas de alguém ou de ninguém, nem os seus próprios, nem os seus. O poeta sem referências não é erudito. Não leu Dante. Não ouviu Mozart. Não comeu escargot. O poeta sem referências não tem sobrenome. O poeta sem referências não tem carro do ano. Andou de trem. Andou de ônibus. Andou a pé. O poeta sem referências tem inveja. Morde. Quer dinheiro. Mas não gosta de trabalhar. O poeta sem referências tem planos. Quer sucesso. Reconhecimento. O poeta sem referências copia. Recorta. Cola. Pouco cria. O poeta sem referências pouco amou. O poeta sem referências chora. Tem saudades. Tem saudades. Às vezes não vive o presente e enrola. O poeta sem referências tem poucos amigos. É só-litário. É ingênuo e otário. O poeta sem referências precisa de uma mulher para se segurar. Para não cair no poço. Para permanecer moço. Para não se matar. O poeta sem referências quer ser pai. Precisa ser pai. Para poder ninar. O poeta sem referências gosta de Gullar, Antunes e Anjos. O poeta sem referências crê que o que vê e o que escreve são a mesma coisa e coisa nenhuma. O poeta sem referências gostava de religião. Odiou religião. O poeta sem referências tem vergonha de agora ter religião. O poeta sem referências tem vergonha e ao mesmo tempo ama o pai, a mãe e o irmão. O poeta sem referências tem vergonha de si e dos outros. O poeta sem referências ama alguns outros. O poeta sem referências precisa de pouco. Muito pouco. O poeta sem referências quer se libertar. O poeta sem referências não sabe o porquê escreve. Mas sabe que escreve para poder tentar. Quem é o poeta sem referências? Quebre um espelho diante de si. E procure. E apague tudo o que acabaste de olhar. Adormecido em ti há um dragão que come tua bílis e vomita seu fogo. Escreva se puderes e grite para acordar.

(para Tom Zé)


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Causa e Efeito

Por quê? Por que deveria escrever um poema para você?
Se mal te conheço, e as vezes esqueço seu nome e seu rosto
me foge pela memória afora...

Por que devo escrever palavras rimadas, em versos e prosas,
com ritmos alexandrinos e precisos, pois sequer sei quem és.
Por que, devo?

Por que deveria fazer juras de amor eterno e inesgotável
para alguém que não reconheço. Palavras doces de orvalho
numa noite de inverno também não deveriam ser ditas.

Por que devo sonhar acordado se só te conheci por uma noite.
Por uma dança. Breve e rápida. Por que meus olhos brilham
quando não lembro do seu rosto claro?
Clara é a luz que me cega.

Não! Não farei esse poema. Não irei acordar pela madrugada
psicografando palavras de paixão ao léu.
Definitivamente não irei fazer isso!

Mas... por que meus olhos estão molhados, meus rosto inchado e
minha pele encarnada?

Não. Definitivamente não deveria ter escrito esse poema.
Que triste fim ao poeta.



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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Chafurdando

Entre o frescor asséptico da verdade soberana
e a sujeira da incerteza e do erro, fico com a
segunda.
Prefiro pisar na lama para sentir,
de vez em quando, a alegria de poder
lavar os pés.

(para Marcelo "Esmeraldino" Ribeiro)


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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Inventoário

Venho através deste testenhumento DECLARAR o que deixarei após minha partida. Quero ressaltar que tudo que está dito aqui pode ser desdito e modificado a qualquer momento, desde que seja por mim, obviamente. Este é um poema itinerante. Caminha para onde meu coração mandar. Então dito isto vamos ao teor deste referido documento:

Deixo para minha família um puxão de orelha e um afago: obrigado.
Deixo para Francisco, Nádia e Augusto minha alma e meu agradecimento: obrigado.
Deixo para Álvaro todos os meus beijos e lágrimas.
Deixo para meus avós uma saudade.
Deixo para Eliza, Priscila, Lúcia, André, André, Wellington, Cristiano, Antônio e João, meu sobrenome, pois vocês são a família que escolhi.
Deixo meu dinheiro para quem precisar dele.
Deixo para o cão, o osso que deixei de roer.
Deixo para a solidão somente uma palavra: companheira.
Deixo para quem, algum dia, esbarrou comigo nesta vida, uma desculpa e um...até.
Deixo para o mendigo uma esmola e para todas as crianças um beijo.
Deixo para o que sofri, meu esquecimento.
Deixo para o que esqueci, uma lembrança.
Deixo para a mulher que amo, Carla, meu coração.
Deixo para meu(s) filho(s) "todo o amor que houver nessa vida".
Deixo para todos um recado: Amem sem nenhum pudor ou recato.
Deixo para Vinícius... deixo... para Vinícius não deixo nada.
Ele já tinha tudo.



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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Carta I

Querida, faz muito que não nos vemos, e também acho que foi pouco o tempo que tivemos para nos conhecer. E nesse curto caminho de minha vida a saudade que sinto de você é enorme. Mas como? Se te conheci tão pouco!


Peço desculpas pelas lágrimas da última vez, mas não me lembrava de ter visto, antes, o local onde você descansa. É perto de uma árvore. Venho lhe dizer que apesar das dúvidas, lágrimas e risos, a vida se faz boa, se faz cheia. Seu bisneto, meu sobrinho, é lindo, saudável, esperto e amado. A família vai bem, apesar dos pequenos desencontros comuns do dia-a-dia. Seu filho continua teimoso como sempre, e acho que herdei essa faceta não muito agradável de sua personalidade.


Minha mãe invariavelmente recorda-me de sua alegria e como nós nos daríamos bem se você estivesse por aqui. Mesmo sem saber o motivo, sempre acreditei nesta afirmação de mamãe. Meu avô vai bem, apesar de não ter muito contato com ele.


Estou envelhecendo e as questões pertinentes sobre a vida e a morte começam a se colocar: casar, dinheiro, filhos, escolhi a profissão certa, há tempo de mudar?, sair de casa, querer sair de casa, essas coisas... E mesmo com você distante, de vez em quando me pego pensando em ti e pedindo a sua presença. Coisas de neto inseguro. Porém sempre que faço esse pedido sinto uma sensação de preenchimento.


Naquela última vez que chorei junto ao seu filho, fazendo aquela pergunta boba, senti a emoção de estar perto de você. Sei a resposta. Sei que tem orgulho de mim. Lembro bem de sua feição em minha última lembrança. O rosto redondo, os olhos claros, o lenço na cabeça e alguma coisa sobre eu me cuidar. Sentimentos de condescendência e tristeza naqueles olhos claros que falavam comigo.


Recebi o presente que você comprou para mim, mesmo depois de sua partida. Adorei, o barco era lindo. Não sei se ainda o tenho, mas lembro da felicidade que senti ao recebê-lo.


Tenho tantas coisas para dizer... Mas acho que não são tão necessárias para falar agora. Digo que continuo estudando, trabalhando e pensando em me tornar homem de fato, e planejar uma família em um futuro não muito distante.


Despeço-me dizendo que todos sentimos saudades suas.


-Vó, vó, comprei um carro!


Até nosso reencontro.


Até.


Carta de um neto saudoso para sua vó distante.


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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

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