(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Quarta-Feira
02:14



Não tomo remédios para dormir.


Prefiro ser um insone saudável. Meus pais carregam, há tempos, o vício dos comprimidos. Apesar de todos esses anos de noites em branco e cores, belas películas (algumas não tão belas), poemas e alguns filmes pornôs, não adentrei ao mundo dos narcotizados por princípios ativos que levam ao sono irresistível e acachapante. Talvez eu seja burro. Minha qualidade de vida deveria estar bem melhor se me utilizasse deste expediente.

Mas começo a escrever esse diário, e esse prefácio, pelo grande mal que as noites de não-sono vêm me causando. E pelas desencontradas explicações médicas que tenho recebido. Algo estranho acontece. Nos dias seguintes às noites de não-sono ou de pouco sono, parece que me transformo em outro sujeito, um outro ser, com uma outra perspectiva e outros olhares. Sei que vocês poderão pensar em todos os efeitos que a supressão do sono pode causar em um ser humano, mas o que falo é de algo diferente, uma sensação que não consigo explicar. Acho que hoje não é um bom dia para falar nisso. Mas sinto que há algo grandioso pela frente, uma jornada com data e acontecimentos marcados para seu começo, ou fim.

Só digo da desconfiança de que algo grave possa estar acontecendo comigo e que a escolástica médica ocidental talvez não consiga dar conta. Não consigo sonhar. E não tenho memórias da última vez que consegui fazê-lo. Isso. Sonhar. Ou mesmo pesadelos. Nada. Nadinha. Este não-acontecimento tem me deixado preocupado. Mas de qualquer jeito deve ser coisa da minha cabeça.

Agora tentarei dormir.


Até.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

amo tu


Amo tu. Perto ou longe. Com raiva ou amoroso. Poeta ou medroso. Amo tu. Com tuas pernas fortes. Teu cantar errático. Tua mania de magreza. Amo tu. Junto e inteira. Amo tu calada ou falando besteira. Odeio odiar o teu ciúme. Amo amar a tua falta. A tua saudade. Amo tuas lágrimas à toa. Amo teu sorriso grande. Sorriso muito grande. Amo tuas sardas. Amo tua cintura. Teus seios. Amo teu pé feio. Amo tu do jeito que te posso amar. Amo tu com minhas falhas e grosserias. Amo tu com minha ácida picardia. Amo. Amo tu sim. Amo. És minha infinita companhia. Amo tu como nunca. Amo tu como nunca tinha aprendido amar a ninguém. E tu és a pessoa que me contém. Amo tu. E agora não há mais nada ou palavras que me vêm. Então o que digo e vai mais além: Amo tu como jamais amei alguém. Amo tu.

(para Carla Juliane de Lemos Oliveira)


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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Hoy Como Ayer*, por Omar Urán


El descubrimiento de la verdad
Sangra sobre la tierra el amor aniquilador.
Del alma huye un primitivo sueño albergado.

Hablar del cariño, de la amistad, del amor,
Nos llevan insito a hablar de lo mismo:
De la fuerza que construye un proyecto,
De la voluntad por permanecer en el camino
Desandando pasos y descubrir
Que nuestros deseos infantiles
Eran posibles.

Una promesa del futuro
El mañana flyue de la sangre
Y en secreto la historia guarda.

Llevar en silencio lo que fue proclama
Morder los labios por no gritar la rabia.

Hoy, como ayer,
Un guerrero solitario
Se percibe en la batalla.
Buscando coraje entre sus heridas
Haciendo digna la memoria de sus muertos.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

*Poema publicado no livro "Memorías Del Alma Etérea - Ucrónicos Poemas" de Faber López & Omar Urán, Medellin, Colombia. Publicação Própria, Junho de 2003.
Omar Urán é sociólogo e investigador urbano-regional, colombiano de Medellin, também é um dos colegas mais brilhantes que já conheçi na Acadêmia. Excelente companheiro de doutorado no IPPUR/UFRJ.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vem aí os "7 pecados literais"


Dia 7 de Janeiro de 2010

será lançada no


Palavras Sobre Qualquer Coisa

nossa nova secção:


7 PECADOS LITERAIS


Um pecado, um texto.

Não percam!

Com certeza você nunca vai se divertir tanto com seus pecados,
sem culpa...


Te espero cheio de ansiedade
(ainda bem que esse não é pecado,
ainda).

Besos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Carta II


Minha família são meus filhos. Eles são tudo pra mim. Mas não
posso, não consigo ficar perto deles. Acho que a farra foi nos
afastando. Não somos inimigos, mas sinto falta deles.

Quero dizer... estou chegando perto dos 50 e quando eu
José Raimundo d
e Souza* tinha 21 anos, fui pai pela primeira
vez. Eu tinha tantos sonhos com meus filhos. É... a vida do
dia-a-dia, a farra, acabaram me deixando sozinho. Não é mole
não. Vida, vida complicada...


Agora você vê o que aconteceu... Fui para o segundo casamento,
e depois para o terceiro. Quer dizer, perdi todos os meus sonhos
de 21 anos, e hoje, com
50 anos... netos! É... não é fácil, mas não
é fácil mesmo!

Hoje tenho minha neta do meu segundo filho do meu primeiro
casamento. O que a vida fez comigo, ou, o que e
u fiz com minha
vida? Arrumei uma filha com meu segundo casamento e três
filhos com o terceiro. E este terceiro casamento me deu até
cadeia!

Quer dizer... com quase 50
anos não é fácil, mas aí na vida
têm coisas que vem para o bem, como o SERH. Conheci home
ns
com o mesmo problema que eu tive na vida. E vamos trocando
palavras das nossas vidas, e isso só me fez bem. E este SERH só
levantou meu astral**.



*Nome fictício.
** Carta revisada por Viníciu
s Silva.


Carta escrita de maneira espontâne
a por um beneficiário do SERH -
Serviço de Educação e Responsabilização de Homens Autores de
Violência de Gênero, ao final dos encontros realizad
os pelos grupos
de reflexão.





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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Auto da Alegria - Teatro






Texto e direção: Luis Fernando Bruno Quando: de 14 de novembro a 27 de dezembro - sábados e domingos às 17h Onde: Teatro dos 4 - Shopping da Gávea - Rua Marquês de São Vicente, 52, segundo andar, Gávea


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

1948: O Ano da Iluminação de Samuel Beckett - Teatro


"Um espetáculo que celebra o caso único de um gênio que no espaço de alguns meses criou quatro obras-primas eternas: os romances Molloy, Malone Morre e O Inominável e a peça Esperando Godot. Roteiro e Direção de Atores: Leonardo Thierry. Direção de Espetáculo: Malu Cotrim. Elenco: Milton Soares, Thiago Carvalho, Hugo Lobo e Leonardo Thierry.

Em cartaz às quartas e sextas-feiras às 20:00 hs na Livraria Baratos da Ribeiro, rua Barata Ribeiro, 354, Copacabana, pouco antes da esquina com a rua Siqueira Campos, perto do metrô.

Telefones: 2549-3850 e 2256-8634. O espetáculo é um evento promovido pela livraria. Não há bilheteria. Reserve por telefone os lugares que quiser.

Você é nosso convidado".

Thiago Carvalho

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=15940446966582088634


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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

5 cenas "olímpicas"


Em homenagem à nossa cidade, agora olímpica,
e aos anéis que representam os jogos e a paz,
mostro 5 cenas de como nossa cidade e estado estão se preparando para receber o mundo
e as Olimpíadas.



Fonte: http://gritodanacao.wordpress.com/2008/04/26/



Fonte: Foto: Marcelo Mora/G1


Fonte: Foto: AP/Eduardo Naddar

Fonte: Waleska Borges - O Globo e G1


Fonte: Foto: AE/www.band.com.br


Legendas da sequência de fotos, de cima para baixo:

1 -Acidente com trens em Japeri fez 18 feridos leves, dizem bombeiros
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1347207-5606,00.html

2 - Fraudes em licitações no Rio passam de R$ 20 milhões, diz polícia
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1366441-5606,00-FRAUDES+EM+LICITACOES+NO+RIO+PASSAM+DE+R+MILHOES+DIZ+POLICIA.html

3 - 33 mortos no Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1349884-5606,00.html

4 - Mulher baleada e morta, filha de 11 meses é atingida em seu colo
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1355495-5606,00-MAE+MORTA+POR+BALA+PERDIDA+NA+PENHA+E+ENTERRADA.html

5 - Helicóptero da PM é derrubado no Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1345097-5606,00-POLICIA+SABIA+DE+ATAQUE+AO+MORRO+DOS+MACACOS+DIZ+SECRETARIO+DE+SEGURANCA.html
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1344863-5606,00-NUNCA+VI+TANTO+TIRO+NA+VIDA+DIZ+MORADORA+DO+MORRO+DOS+MACACOS.html


E para encerrar a demonstração de como nossa cidade e estado são seguros para nos próximos 5 e 7 anos receberem uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, vamos ler e nos sentir aliviados com a incrível fala e descoberta de nosso secretário estadual de segurança pública, José Mariano Beltrame:

"O Rio de Janeiro não é violento, diz secretário de segurança do estado"


Fonte: http://www.imprensa.rj.gov.br/SCSSiteImprensa/detalhe_foto.asp?id=16961#



Também não podemos nos esquecer da morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva, e da incrível atuação de nossos policiais militares:


Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/10/21/pms-liberaram-bandidos-responsaveis-pela-morte-de-coordenador-do-afroreggae-770062691.asp



Boa sorte população do Rio, boa sorte!

Viva nossa cidade olímpica!



Fonte: http://pombosemasa.wordpress.com/


Que os deuses olhem por nós!

Besos.


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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Vem aí os "7 pecados literais"


Dia 7 de Janeiro de 2010

será lançada no


Palavras Sobre Qualquer Coisa

nossa nova secção:


7 PECADOS LITERAIS


Um pecado, um texto.

Não percam!

Com certeza você nunca vai se divertir tanto com seus pecados,
sem culpas...


Te espero cheio de ansiedade
(ainda bem que esse não é pecado,
ainda).

Besos.

domingo, 29 de novembro de 2009

This is it




"This is it" (2009)

Documentário

Direção: Kenny Ortega



Assim que ouvi a notícia sobre a morte de Michael Jackson fui tomado por um saudosismo e uma imensa sensação de perda, mesmo a quilômetros de distância e sabendo que minha existência era completamente ignorada por ele.

Acho que meus sentimentos ficaram demonstrados no post que fiz no dia de sua partida, o Good Bye, Michael!. E depois de sua morte surgiu em mim uma pergunta que não queria calar, "-Por que esse cara morreu?". Tinha a exata noção de que o mundo havia perdido um de seus grandes artistas.

O mais incrível após à morte de Jackson é que apesar de todo o sensacionalismo da mídia e de algumas declarações infelizes e absurdas de alguns de seus familiares, todas as homenagens e imagens relacionadas a Michael foram de extremo bom gosto e rara sensibilidade.

Um paradoxo interessante veio à tona com sua ausência. Tudo o que era bizarro e grotesco em sua vida pessoal pareceu se transformar em demonstrações públicas emocionadas e sinceras por sua morte. A cerimônia-show (ainda tenho dúvidas se havia um corpo dentro daquele caixão banhado a ouro) foi o exemplo dessa inesperada dose de bom senso de sua família e da própria mídia, e o desfecho com a linda e triste fala de sua filha foi a prova do respeito pela dor de sua perda. Equilibrio que notadamente faltou em toda vida privada de Michael.

Outra promessa não confirmada de freak show foi o documentário produzido logo após à morte do rei do pop. Registro com os ensaios da útima turnê de sua carreira, o comentado This is it. Mais um erro por parte de quem acreditou que o filme iria explorar o lado canhestro do cantor e que somente serviria para faturar mais alguns milhões de dólares com sua morte, milhões que de fato foram arrecadados com a venda dos bilhetes. Admito que caí na balela de que o filme só ficaria em cartaz por duas semanas nos cinemas do mundo inteiro, e com um mês de antecipação garanti o meu ingresso e o de minha noiva, com a companhia posterior de meus queridos primos. Sem problema.

A película é simplesmente o ensaio geral do show que seria apresentado ciquenta vezes em Londres, nos anos de 2009 e 2010. Vemos a escolha dos bailarinos e a emoção ao saberem que participariam da turnê, vemos a tecnologia, vemos o diretor, os figurinistas, o diretor musical, a banda, as coreográfas e vemos... Michael Jackson! Talvez o mais próximo que um fã comum possa ter chegado.

O filme mostra uma pessoa frágil, magra, muito magra, mais ainda assim um artista completo e com todas as possibilidades de proporcionar um grande espetáculo. Preocupado com os arranjos, notas e acordes de suas canções. Tímido, extremamente tímido, porém muito educado, mesmo quando o som não estava bom ou o "retorno" estourava seus ouvidos. Michael tinha sempre um "God bless you" quando recebia um elogio ou um carinho de sua equipe.

E a pergunta vem: "- Michael ainda era o mesmo?". Bom, para um homem de ciquenta anos e com uma saúde sabidamente fragilizada, sim, Michael ainda era o mesmo. Em muitos momentos é notório que estava se poupando nas coreografias que sabia de cor, e que estava segurando a voz em algumas canções, ele mesmo admitia "-Isso aqui é um ensaio gente... e ensaio é para errar mesmo". Demonstrou ser atencioso com as pessoas e preocupado com os problemas ambientais de nosso planeta, mesmo que essa preocupação possa se mostrar de uma maneira um tanto superficial.

This is it é simples, elegante e sincero ao lidar com um marco do século XX. Talvez vocês possam estar pensando: "Esse cara é fã dele mesmo!". Sou, sou mesmo, e ao fim da exibição de This is it comentei aos meus, "- Esse filme me deu a sensação de assistir a um show de Michael Jackson, ao vivo". Ao mesmo tempo assistir a este documentário foi a possibilidade de finalmente poder me despedir do rei do pop e exorcizar a tristeza por ele ter levado um pouco das boas lembranças de minha infância.

Depois de sair da sala de exibição não estava mais triste, apesar de algumas lágrimas insistirem em querer cair.

Good bye, Michael!


Bons filmes!

Besos.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ô sincero!



video


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Sincero (Lulu Santos)

Você não pode me estranhar
Só porque eu falei a verdade
Pior seria te iludir o tempo todo
Não vejo vantagem

Você precisa entender meu jeito de te querer
Pode até não ser como você imaginou
Mas eu te quero, eu te venero
Eu te adoro, só não vou te enganar

Porque eu sou sincero
Baby eu sou sincero

Você não pode me enganar
Depois que eu falei a verdade
Pior seria te estranhar o tempo todo
Não vejo vantagem

Você precisa entender meu jeito de te querer
Pode até não ser assim do jeito que você imaginou
Mas eu te quero, eu te venero
Eu te adoro, só não vou te enganar

Porque eu sou sincero
Baby eu sou sincero
Sou sincero
Sou sincero



Besos.

OS COMEDORES DE PALAVRAS - TEATRO



OS COMEDORES DE PALAVRAS



"Alguns sabem, outros ainda não... Estou em cartaz em Nova Iguaçu com o espetáculo infantil "Os comedores de palavras - Um menino, um tambor e um continente". Fiz a direção musical do espetáculo e toda a música é interpretada ao-vivo.

Adoraria poder vê-los por lá! Estão todos mais que convidados! É para crianças e todos aqueles que conservam a alma assim!

Em anexo, vai o flyer com algumas outras informações... O preço que está no flyer está errado. Com ele, as madame e os dôtô, paga só 5 Real! Teremos muitos na hora pra distribuir... Na verdade, aqueles que quiserem ir assistir, rola uma lista amiga e tudo sai na faixa! É só me mandar um e-mail que coloco o nome lá!

É isso!

Um beijo e um abraço em todos!".

Bruno Rego

http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?rl=pcb&uid=6207671512485977992

nervo.criatico@uol.com.br


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domingo, 22 de novembro de 2009

covarde


Às 10:30h do dia 19/11/2009 tentei entrar em uma agência da Caixa Econômica Federal para assinar a escritura e o contrato de financiamento do apartamento que comprei junto com minha noiva. Fiquei preso na porta giratória. Já tinha decidido há algum tempo que não permitiria ser humilhado publicamente, quase tendo que mostrar minhas roupas íntimas (cueca) a um banco pelo qual eu iria PAGAR pelos serviços.

Após ficar preso à porta, decidi ligar para o 190. Já tinha colocado todos meus objetos metálicos na caixinha da porta, mas não tinha aberto minha mochila por saber que não sou obrigado a fazê-lo e por entender que não havia nada dentro da mochila que impedisse da porta girar, somente o dedo do segurança no controle remoto, travando-a. Falei rapidamente com a Polícia Militar (lembrando que estava na Cinelândia, Centro do Rio, e se estivesse em um bairro do subúrbio ou da Baixada, com certeza não haveria tanta presteza).

Mas algo aconteceu. Minha ante-cidadania, minha covardia de ser cidadão falou mais alto. Intimidado pela fala agressiva do segurança, pelo nervosismo da minha noiva, pelo meu medo de algo de ruim que pudesse acontecer, abri todas as abas de minha mochila, onde só continham... papéis. Papéis que provavam somente o professor que eu sou.

Passei pela porta, subi ao segundo andar da agência. Ordeiro, pacato. Subi para assinar meu contrato e PAGAR pelos serviços de assessoria da Caixa (por uma rápida pesquisa feita pela internet para saber se posso ou não ter crédito, pagamos R$ 400, 00 reais). Por incrível que pareça a polícia apareceu. Escutei o segurança dando alguma prestação de contas ao policial que queria saber o que tinha acontecido. E permaneci sentado, lá encima, ordeiro, prontinho para PAGAR pelo meu bem, como bom cidadão que sou.

Enquanto estava sentando ao lado de minha companheira, senti aquela sensação amarga na boca. Aquela vontade de tudo quebrar, de tudo gritar. E o gosto azedo das palavras que me perseguem desde aquele momento: COVARDE, COVARDE.

Algo está fora da ordem. Ou eu não mereço esse país, ou ele não me merece.

COVARDE, COVARDE.

Ainda queima em meus ouvidos.

COVARDE.



Agência da Caixa Economica Federal- Cinelândia/RJ.
Praça Floriano.


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Por um fio"


"Por um fio" - Drauzio Varella
Companhia Das Letras - 2004




Drauzio Varella, médico oncologista, ficou famoso e reconhecido por "Estação Carandiru", livro com grande repercussão nacional e que se tornou filme nas mãos do diretor Hector Babenco. E por sinal, e infelizmente, a versão cinematográfica não condisse com a qualidade da história pela qual se inspirou.

Posteriormente o médico paulista passou a ter quadros sucessivos sobre saúde pública no semanal televisivo Fantástico, da Rede Globo. Ultimamente tenho lido algumas críticas ao médico-escritor, e sua figura-literatura de alcance extremamente popular, mais pelo que se refere à sua imagem na telinha. O problema é que no Brasil ninguém pode ser popular, na verdade o termo "popular" causa ojeriza a quase todos que se considerem um pouco mais letrados ou que se classifiquem como "formadores de opinião".

De qualquer forma Drauzio é um observador sensível e atento, e sua curta obra literária demonstra a busca por uma humanização em uma área onde, de forma inusitada e espantosa, há uma excedente mecanização de procedimentos. Qual é esta especialidade? A medicina, especialmente a clínica. Talvez haja uma explicação histórica e contextual para essa desumanização persistente na clínica médica em geral e especialmente em nosso país.


Primeiramente a medicina se associou à consagração da ciência no período que denominamos como "modernidade". Onde na passagem do século XIX para o século XX, as ciências alcançaram o status de objeto mais próximo da verdade que o homem poderia chegar. E nesta premissa científica, impregnada da filosofia cartesiana, os pacientes são meros objetos para o diagnóstico de seus males, e os médicos são os seres-sapiência que poderão aferir os medicamentos e procedimentos necessários para poder proporcionar a cura àqueles obje... quer dizer pacient... quer dizer... pessoas. Outro fator primordial para essa desumanização é o caos do serviço público do sistema único de saúde brasileiro (SUS), assim como a precariedade em quase todos os países pobres da América Latina em relação à saúde pública, onde pessoas e gado se confundem (no Brasil a saúde do gado bovino é melhor do que a saúde da população em geral), e onde médicos atuam em condições semelhantes a estados de sítio ou guerra. Humanizar o atendimento aos pacientes nestas condições deve ser realmente difícil, quase impossível, mas a tentativa dos profissionais de saúde pública também deve ser imprescindível e necessária. Um juramento foi feito antes de se jogar os canudos ao alto nas comemorações de formaturas.

Os livros de Varella indicam a tendência, observando as práticas médicas de meados do século XX até a virada para o século XXI, a uma re-humanização da clínica médica. E qual melhor tema para tratar dessa reaproximação da "ciência que salva vidas" para com a vida do que a... morte. Sim. A morte é o principal tema abordado pelo médico-autor desde seu primeiro livro, "Estação Carandiru". O importante é notar como a morte é enxergada neste processo e nas observações feitas durante a sua obra (lembrando que Drauzio também tem um livro infantil, que não li).

Em "Estação Carandiru" o primeiro movimento é o de aproximação-estranhamento às pessoas tidas como não-humanas, animais que perderam sua capacidade de viver em sociedade e que agora devem viver enjaulados, sobrevivendo como selvagens. E é diante deste quadro que surge a primeira grande questão ética levantada por Drauzio. "Por que eu deveria me preocupar com a vida e a saúde de assassinos, estupradores, ladrões e traficantes?". A primeira resposta para esse dilema vem na forma do pacto firmado ao se levantar o braço no dia da formatura e jurar defender sua profissão com a maior dignidade possível. A segunda resposta, e talvez a que seria a mais simples, mas não é, é a percepção de que aquelas pessoas são realmente humanas, e que em todas as nossas barbáries sempre existirá a possibilidade do erro, e do perdão. E que naquele momento, em pleno Carandiru, o médico-humano não deveria olhar para a ficha-criminoso, e sim para o ser-humano-enfermo. Essa é a preocupação primordial que Varella nos descreve em sua experiência no então maior complexo prisional do país.

A morte relatada neste momento é quase que inevitável (mas a morte não é inevitável mesmo?). No Carandiru a morte ou viria pela AIDS, ou pelas drogas, pelas doenças agravadas pelos dois fatores anteriormente citados, pelo assassinato encomendado, pelo assassinato por dívida ou pelo assassinato pelas mãos do Estado. Lembremos que Drauzio conheceu parte dos 111 detentos mortos pela polícia militar de São Paulo, em 1992. E foi através da morte-barbárie demonstrada no Carandiru, que o autor tentou mostrar o quanto humanos ainda somos, principalmente em nossas fraquezas e misérias, mas também nas vivas e verdadeiras histórias contadas por detentos/amigos que fez na Casa de Detenção.

A morte apresentada em "Por um fio" é diferente. E ainda continua inevitável. É a morte marcada e trazida pela doença, sem o pendor da justiça ou da injustiça. É a morte e a sua possibilidade real para ricos e pobres, assistidos ou desassistidos.

Neste livro o médico revela as histórias dos pacientes diagnosticados com câncer, quase todos em situações graves e quase sempre irreversíveis. Esta morte próxima, apresentada nas histórias descritas por Drauzio, mostra que diferente das mortes violentas, a possibilidade de perder a vida lentamente pode trazer novas perspectivas para a... vida! Sim, vida e morte caminhando juntas, como sempre foi e sempre será. É que às vezes nos esquecemos disso.

Em "Por um fio" a real sensação de que a linha final chegou traz uma interessante percepção. A morte para os jovens e para os vivos vem carregada com uma roupa quase sempre parecida. A pena. A piedade. A vitimização. O preconceito com o defunto ambulante.

A morte, encarada pelos pacientes nas histórias de vida relatadas por Varella, é mostrada como algo que pode ser uma passagem, um marco, uma chegada, apesar de não deixar de anunciar o seu eterno mistério. Mas essas histórias também não deixam de revelar as dores, os medos, as perdas, as separações. Não há outra saída. A morte é uma ruptura sem volta, ainda mais segundo nossos fortes preceitos materialistas. Mesmo assim é descrita nos relatos como algo que pode ser percebido como uma antecipação inevitável, porém sem ser transformada em uma tragédia monstruosa. A morte é a tragédia do desconhecido, mas pode ser vivificada com imensa dignidade.

"Por um fio" mantém a mesma estrutura de "Estação Carandiru": Uma introdução da experiência do autor e de qual "lugar" ele está falando. Posteriormente temos pequenas e médias histórias narradas em primeira pessoa, onde o narrador relata os "casos" de seus pacientes com suas emoções e ponto de vista pessoal. Em alguns momentos essas histórias se entrelaçam e dialogam, sempre mantendo sua temática principal, o exaurir da vida, como fio condutor das emoções e sentimentos.

E novamente a grande questão de Drauzio retorna. Qual é o papel da medicina? Qual é a função do médico junto a seu paciente? Manter a vida a qualquer custo? Ou identificar as necessidades do paciente/agente e descobrir com ele quais são suas expectativas e seus desejos para atacar/amenizar seu mal? O médico aponta a segunda opção como a escolhida por ele e demonstra que mais do que simplesmente salvar vidas, a medicina possui outra característica primordial, que é a de amenizar e diminuir a dor das pessoas. E é essa a grande questão que parece perpassar a obra do médico-homem Drauzio Varella. A grande prova do que digo e encerro, neste momento, é o emocionante relato final e familiar dado pelo autor no último capítulo de "Por um fio".

Bons livros!

Obs.: O tema abordado no livro de Drauzio poderá ser melhor compreendido ao se assistir "Um golpe do destino" (The Doctor), com William Hurt, 1991.


Obs. 2: Esta resenha/artigo pode ser publicada(o) no Portal Literal, mas precisa dos votos dos leitores. É mole, basta fazer um rápido cadastro no site, entrar em "fila de votação: artigos: Por um fio" e votar. Agradeço mais uma vez aos amigos leitores.



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Observação 4:


OAB/RJ- As campanhas

Hoje estava tentando andar (torci o tornozelo) pelas ruas de Nova Iguaçu para ir ao Fórum entregar uns documentos do SERH e depois passar no Hospital, quando reparei dezenas de pessoas com camisas coloridas e números às costas, bandeiras com fotos de pessoas desconhecidas e senhores uniformizados (leia-se "terno e gravata") caminhando em bandos.

Logo pensei: "Ué, o TSE liberou a propaganda política antes do tempo?". Ledo engano, tolinho. Na verdade eram campanhas, em plena rua, tentando arrebatar votos para a nova presidência da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil. Campanhas nas ruas? Mas só quem pode votar não é quem tem a famosa carteirinha?

Tenho um companheiro de trabalho que é advogado e que foi obrigado a votar hoje. Pelo visto o voto dos filiados à OAB também é obrigatório. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de haver campanhas com um número considerável de pessoas e obviamente com um custo elevadíssimo em uma cidade média/grande como Nova Iguaçu (que não é uma metrópole). Fico imaginando o custo dessas campanhas na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

Outro detalhe interessante: Segundo esse mesmo companheiro de trabalho, o cargo de presidente da OAB não é remunerado. Engraçado... então esse trabalho deve ser muito bom mesmo, muito digno, etc. Não sei não, mas acho que como não há remuneração, deve haver outros dividendos neste cargo, ou então não investir... gastariam tanto nessas campanhas. Quem sabe não pode pintar em um futuro próximo, por exemplo, uma vaguinha como deputado estadual, ou como deputado federal, ou uma presidência de tribunal aqui, outra acolá...

Bom, deixa eu parar por aqui porque não tenho dinheiro para pagar processo não...

Besos e bons advogados para esse país.

sábado, 14 de novembro de 2009

ESGOTAMENTO POÉTICO



ESGOTAMENTO POÉTICO


Um rio cheio e tortuoso varreu o que havia.
Árvores, galhos, troncos,
pensamentos, alegrias,
contentamentos,
porcarias.

Agora
todas as coisas
pingam.
Uma a uma

gota
a
gota
a
gota
a
gota.

Até o bueiro das ideias novamente
transbordar.

E o odor das palavras, eca,
começar a te incomodar.

Argh!
Fedantina pesada
empestando teu
ar.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

óbvio



Olhar é escolha.
E talvez por isso o óbvio nos pareça,
às vezes,
tão doloroso.

A criança pedinte, o mendigo com fome,
o filho egoísta, a doença mental,
o vício,
o desamor, a solidão,
o corpo morto, o animal indefeso,
o estalar do dedo, a falta de dinheiro,
desemprego,
o soco, o tapa, o beijo,
o homem cego, a mulher surda, o idoso obeso,
a família sem endereço,
a falta do berço,
rezar o terço,
rezar ao menos um terço,
o amigo sem apreço,
o apego.

O olhar é escolha.
E deve ser por isso que escolhi
mirar o que é de dentro e dizer essas palavras.
Por quê?

Porque neste momento,
e só neste momento.
O que consegui enxergar era
simplesmente
o
óbvio.

Óbvio?


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Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades
Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC
Saiba como adquirir o mais novo livro de Vinícius Silva clicando nesta imagem

Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

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Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

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