(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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quarta-feira, 30 de julho de 2008


Maré - Adriana Calcanhotto

Sony & BMG (2008)

Produtores: Arto Lindsay e Adriana Calcanhotto


Quando escutei pela primeira vez o nome do novo álbum de Adriana Calcanhotto, tomei um susto. "O quê, Maré? Mas ela não tinha um álbum lançado em 1998 com o nome Marítimo? Deve ter alguma coisa errada!". Quem conhece um pouco a carreira da gaúcha de Porto Alegre, radicada no Rio de Janeiro, sabe que repetição não é o mote de sua trajetória. Adriana sempre procurou inovar e trazer para sua música elementos que não ficam restritos ao universo musical, e talvez por isso a repetição de uma temática (e que depois foi publicamente divulgado como uma trilogia, pela própria artista) tenha sido algo "novo" em sua história musical.

Talvez Adriana seja a artista, na atualidade, que melhor se utilize de referências a outros artistas e a outras artes dentro da música popular brasileira. A obra de Hélio Oiticica, os quadros de Frida Khalo, os filmes de Almodóvar, as palavras de Fernando Pessoa, os poemas de Ferreira Gullar, o tropicalismo de Caetano, o concretismo dos irmãos Campos, a Jovem Guarda e alguns outros. Todos esses "elementos" estão presente não só como referências na obra da cantora e compositora, mas fazem parte de suas canções, são citados e descritos. A cantora gaúcha consegue reunir com elegância e com rara articulação a reconhecida arte da "elite" com uma linguagem popular. Quando reproduz essas referências, e citações, com suas próprias idéias e conceitos, Adriana consegue, com proeza, uma singularidade musical ímpar.

Após um bom tempo sem lançar um álbum de inéditas, o último tinha sido o bom "Cantada" (2002), e depois do sucesso popular com o projeto "Partimpim" (2004), Calcanhotto retorna com Maré, e mostrou que não perdeu a velha forma e fórmula de unir bom gosto e música popular (se é que é necessária uma separação entre os termos... a questão é que em determinados momentos não há saída, o bom gosto se afasta, e muito, da música popular), e quase sempre misturando-os com categoria.

Vamos ao disco:

O álbum abre com a canção-título Maré (Moreno Veloso/Adriana Calcanhotto), canção estilo bossa-nova onde o mar se dá como elemento fundamental, particular e composto. Interessante é perceber como Adriana canta de uma maneira que se aproxima com o jeito malemolente que o estilo consagrou. A compositora continua a parceria com o filho mais velho de Caetano e seu violoncelo, parceria iniciada em Cantada. Temos em Seu pensamento (Dé Palmeira/Adriana Calcanhotto) a primeira canção-parceria registrada em estúdio entre os dois, a canção é uma linda e esvoaçante balada, com letra chiclete. Depois temos Três (Marina Lima/Antonio Cícero) com uma pegada tango/pop já experimentada anteriormente por Adriana, esta canção entra para a lista das radiofônicas. O toque mais pop do disco segue com a canção engraçadinha Porto Alegre (Péricles Cavalcanti), de um dos compositores mais presentes em seus últimos trabalhos. Depois temos o ponto alto do álbum: Mulher sem razão (Dé Palmeira/Bebel Gilberto/Cazuza), música e letra incríveis e com enorme apelo e pegada pop, uma delícia, não é à toa que já está na trilha sonora de uma novela da Globo. Já ouvi a versão do Cazuza e a feita por Calcanhotto é imensamente superior, o que não tira o mérito da letra esperta do poeta/letrista carioca.

A "segunda" parte do disco revela as já comentadas referências de outras "artes", tão presentes na concepção musical da gaúcha. Teu nome mais secreto (Adriana Calcanhotto/Wally Salomão) é a última canção feita e gravada pelos dois e que foi registrada após a morte do poeta. Letra com cara de Wally e que fala do amor (e do sexo) com a eloquência e forma características de Salomão. Sem saída (Cid Campos/Augusto de Campos) é a canção-síntese da influência do concretismo e do neoconcretismo (mais especificamente com Gullar e Arnaldo Antunes) nas referências poéticas de Adriana, arranjo lindo e etéreo. Para lá (Adriana Calconhotto/Arnaldo Antunes) é a continuação da proposta do poema concreto, mas em cores modernas e sem perder a qualidade. As sempre interessantes palavras de Arnaldo dão o ar da graça, com o acréscimo de uma melodia graciosa de Calconhotto.

Um dia desses (Kassin/Torquato Neto) é uma inusitada parceria entre produtor e músico carioca e o poeta "maldito". Onde andarás (Caetano Veloso/Ferreira Gullar) é um lindo bolero cantado e interpretado com maestria por Adriana. Por fim temos mais uma homenagem a Dorival Cayammi, Sargaço mar (Dorival Caymmi), já que em Marítimo (1998) também havia uma canção do compositor bahiano (Quem vem pra beira do mar). Realmente não dá para pensar em mar e música popular brasileira sem pensar em Caymmi. Esta última canção (Sargaço mar) é interpretada de maneira singela e simples, em um take ao vivo, somente com o acompanhamento do violão de Gilberto Gil, uma lindura.

Bom, como este blog é meuzinho e entre meus pitacos musicais e artísticos, em geral, tem muito das minhas referências e preferências, decidi criar na secção Acordes a(s) melhor(es) e a(s) pior(es) faixa(s). Isso não significa que o meu gosto define se aquela canção ou arranjo são ruins ou maravilhosos, mas aponta somente as faixas que se encaixam mais aos meus parâmetros sensoriais e afetivos. Então vamos ao começo (ou ao final?).

Melhor faixa: Mulher sem razão.
Pior faixa: Um dia desses.


Ah, melhor ainda do que ler minhas impressões sobre as canções, é ouvir da própria Adriana o que ela pensa sobre as faixas. É só acessar o site dela e clicar nas faixas do Maré.

http://www.adrianacalcanhotto.com/mare/index.html


Besos.


Sucesso e/ou popularidade?


Demorei um tempo até decidir criar este blog e expor as palavras e idéias que cultivo a mais de 15 anos. Quando criei o PSQC os blogs e espaços virtuais para a divulgação de textos e outros tipos de arte já estavam estourados a muito tempo.

Pensando com calma posso observar que sempre fui um cara desconfiado, ou para ser mais exato... teimoso. Sempre demorei mais tempo para ouvir um som novo, ou experimentar uma roupa diferente. Essa desconfiança pode significar conservadorismo, não nego. Como forma máxima de sucesso literário pensei no velho processo: procurar editoras, mostrar meu material, ser ignorado por 95% delas, editar meu primeiro livro com tiragem mínima possível e daí trilhar um caminho de sucesso.

Hoje fica claro que os "meios" para encontrar esse "sucesso" são bem menos ortodoxos. Pessoas se fizeram escritores, "best sellers" e até mesmo roteiristas para o cinema e televisão através dos blogs. A grande pergunta é: Como conseguir ser um sucesso? Sucesso e popularidade se confundem? São a mesma coisa? Ser sucesso é ser entrevistado pelo Segundo Caderno do O GLOBO, ou isso é popularidade, ou os dois? Essas questões são reais, verdadeiras, pelo menos para mim. Tenho suspeitas respostas e algumas tendências. Mas acho que o sucesso passa também pelo campo da incógnita e do inesperado.

Faz algum tempo encontrei um "roteiro" para se ter um blog de sucesso. A princípio achei estranho existir "roteiros" para "ser" ou "ter" sucesso, mas parece que isso hoje em dia é visto como algo que pode ser, sim, conseguido por certos padrões ou caminhos pré-estabelecidos/planejados. As vendas dos livros de auto-ajuda estão aí para comprovar.

Finalmente, e o que fica claro para mim, é que estou sempre atrasado com relação a essas inovações, sempre plugado em estações antigas, em parâmetros vistos como ultrapassados. Estou sempre tentando esticar a corda para ver além. Não sei se estou certo ou errado, é só uma desconfiança biológica para tentar ter alguma certeza do caminho a seguir.

Então vamos ver algumas dicas de como se ter um blog de sucesso:

"Blog não é Bíblia

Não adianta achar que todo mundo vai ler aquele texto gigantesco e detalhado que você escreveu. A maioria das pessoas não tem paciência para grudar os olhos numa tela de computador e ficar lendo por muito minutos. Portanto, escreva pouco. Diga o suficiente. Faça um texto com muitos parágrafos e divida as suas idéias criando sub-títulos. Outra dica é colocar as palavras mais importantes do texto em negrito".


"Tenha um layout legal

Na hora de escolher o seu template, opte pelo mais bonito e agradável para os olhos dos leitores. Use a fonte num tamanho ideal para que todos leiam, evite cores que não dão contraste (ex: se a cor da sua letra for vermelha, nunca coloque um fundo amarelo ou laranja)".


"Ninguém quer saber o que você almoçou

Tente falar de assuntos que vão interessar a todo mundo. Evite falar sobre como você ama espinafre ou da camisola que você ganhou da sua avó. Mas, se for uma dessas histórias for engraçada, ignore essa dica e escreva mesmo assim, tá?".


"Use fotos no post

Conhece aquele ditado: “uma imagem vale mais que mil palavras”? Na internet, isso se encaixa perfeitamente. Uma boa foto no seu blog vale mais do que 3 bilhões de palavras (ok, exagerei). Mas é fato: se a imagem que você escolheu para ilustrar o seu post for interessante, a maioria das pessoas vai ler o que você tem para dizer, comentar e discutir".


"Use vídeos no post

Está sem idéia para postar? Vá para o Youtube. Um vídeo legal que você encontrou no site pode render um post sensacional. Não pense 2 vezes em colocar um videoclipe legal ou um vídeo engraçado. Internet não é só texto e foto. É também vídeo, música e muita animação".


"Use os sites de comunidades sociais

Muitos internautas ficam navegando pelo orkut, no twitter e em outros sites de relacionamento. Uma boa idéia é divulgar os seus posts nesses lugares. Exemplo: acabou de escrever algo muito legal sobre a Rihanna? Procure a comunidade dedicada à cantora no orkut e mostre o link para os participantes".


Essas dicas descritas acima não são minhas, na verdade são de Phelipe Cruz, editor chefe da revista Capricho e do blog de megasucesso Papel Pop.

Muito dessas dicas realmente me parecem interessantes, mas demonstram um tipo e uma maneira de vivenciar um conteúdo, um blog, uma revista, um filme, um livro, entre outros, que revela uma forma de olhar o mundo, uma estética de consumo muito atual. Na verdade é "atual" desde a década de 70.

A estética que procuro ou que meu blog possui parece ser um pouco distante destas dicas ou dessa proposta.

Não sei se farei sucesso ou serei popular. Acho que não sei não ser desconfiado. Talvez eu esteja fadado aos poucos e fiéis olhos que visitam o PSQC. Espero a felicidade na intensidade, e espero.

E para comprovar as dicas acima, aí vai o link com a matéria original de Phelipe Cruz.


http://capricho.abril.com.br/diversao/conteudo_diversao_273528.shtml


Besos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

DORMIR

Bom sono, bons sonhos
Mau pedágio, maus presságios
A corda acabou de acordar
O corpo acabou de cair
O chão acabou de sangrar
Silenciando o barulho
O ouvido não pôde mais escutar
O lábio ficou mudo
O olho a cegar
Acordar de novo e voltar a navegar
Bom sono
Bons sonhos
Até nunca mais voltar.



Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Para Agenor (08/07/2004)

Todo dia 7 de Julho, comemoramos o aniversário de minha mãe.
No dia 7 de Julho de 1990, Cazuza morreu.
Ontem foi aniversário de minha mãe e eu cantarolava baixinho
“... Exagerado, jogado aos seus pés, eu sou mesmo exagerado...”



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Para Fé

Faz encher torta força esperança de fio luz
Enche de sinuosa balsa para desesperança
Rege a todos a imensa dor que a viste em uma cruz
Nasce tu de novo, de cara, e sorri a quem faz lambança
Age sobre todos com alma pura e diverte quem te conduz
Ninfa de cor e alma descobre madeira de arco e lança
Desenhe torta em caminho de tela morta íris que reluz
Amores para sempre conduza, com torpor me espanta, e me seduz.


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sábado, 5 de julho de 2008

Reflexões 5:

O banho quente é o melhor amigo do homem... e da mulher... também.

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Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

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Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

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