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sexta-feira, 27 de março de 2009

O carnaval, eu e a identidade nacional 2



Mesmo após a passagem do carnaval e o efetivo começar de ano em nosso calorento país, escrevo o que considero a continuação de um texto postado ano passado, quando expus minha relação com o, talvez, evento festivo mais significativo de nossa cultura nacional: o carnaval.

No começo do ano passado, após descansar o período do carnaval em Petrópolis, na linda casa de minha querida amiga Lucinha, eu e minha amiga/companheira/amante/namorada Carla Lemos decidimos que em 2009 iríamos curtir o carnaval na Sapucaí. E como promessa é dívida, lá fomos nós para a Marquês de Sapucaí neste último Fevereiro.

Promessa é dívida, e como é dívida. Decidimos que queríamos ficar em um bom lugar na passarela do samba. Mas não tínhamos grana para comprar os ingressos mais caros. Partimos para comprar os mais baratos entre os mais caros. Setor 4. Preço da bagatela para dois ingressos: R$ 220, 00 reais. Bom, ingressos comprados e lugares escolhidos: quase em frente ao recuo da bateria, ao final do desfile.

Escolhemos ir no domingo de carnaval, pois a Carla é Beija-Flor doente e eu também tenho um carinho pela escola de Nilópolis, lembrando que somos nascidos e criados na Baixada Fluminense.

Fomos ao Centro de trem. Pegamos uma composição cheia de pessoas fantasiadas e alegres, até um gorila tomando um Ice passava impune em meio às pessoas. Um negro alto e forte usava confortavelmente uma mini-saia branca e uma baby look rosa, uma graça. Duvidam? Terminem de ler esse texto...

A viagem foi tranquila, mas um pouco demorada. Sabíamos que não iríamos ver o desfile da Império Serrano, tudo bem. Queríamos mesmo a Beija-Flor. Andamos pacas! A entrada do Setor 4 era bem longe da Central do Brasil. A Presidente Vargas estava lotada, mas em festa. Depois de muito andar chegamos e entramos tranquilamente no setor informado por nossos ingressos.

Foi quando tomamos um susto.

A arquibancada da passarela do samba parece uma arquibancada de um estádio de futebol, e é. Mas possui uma diferença gritante em relação aos lugares exclusivos para as torcidas de futebol... as pessoas que frequentam os estádios de futebol são infinitamente mais educadas do que qualquer ser que esteja dentro da Sapucaí. Surpresos? Nós também ficamos. O local estava lotado, não havia lugares vazios para se sentar e ver o desfile, as pessoas sentadas estavam com as pernas abertas como se aquele espaço fosse um pequeno feudo, um reino só delas. Quando a escola passava pelo setor todos se levantavam e assistiam de pé. Até aí tudo bem. Estou acostumado com isso no Maracanã, no Engenhão.

Mas ficamos realmente assustados com a falta de educação de todos os presentes naquele lugar. "Esse lugar é meu", "Estou aqui desde as 15h e vocês não podem ficar aqui!, "Vaza!". Até vaias tomamos. Em um momento de desespero comecei a mostrar a porra do crachá que carregava ao peito, dizendo que também tinha pago por aquele lugar (que naquele momento não existia). Pedi ajuda a um segurança, e neste momento a revolta tomou contornos mais graves. Ele pegou no meu braço disse que não podia fazer nada e que não podíamos sentar no isolamento das cordas (local onde as pessoas saíam para os banheiros e única possibilidade de sentar e ver os desfiles naquele momento), foi quando virei para o tal segurança e falei :"SOL-TA O MEU BRA-ÇO!", e a resposta foi: "VAI À MERDA!".

Nossa entrada na Sapucaí foi muito traumática, e temi que tivéssemos entrado em um belo programa de índio. Subimos as escadas da arquibancada e sentamos no tal lugar "proibido", fora do isolamento das cordas (nesse momento era impossível qualquer segurança controlar quem sentava ali). Fizemos aquela amizade instantânea (já conhecida por mim nos estádios de futebol) com um par de pessoas, filho e mãe, que estavam pela primeira vez na passarela do samba, assim como nós. Ele vindo do Ceará e ela moradora do Rio de Janeiro fazia anos. Ficamos ali papeando, mas ainda putos. A Grande Rio desfilava mas não estávamos no clima de acompanhar. Vimos a Susana Vieira tirando um cachorro que também desfilava alegre pela avenida.

Aos poucos fomos relaxando e o encantamento pela dimensão e brilho do espetáculo foi nos contagiando. A palavra exata para o que os desfiles nos causaram é: grandeza. Sim, é um teatro, em uma escala sem igual, e uma perfeição escultural que deixa qualquer um atordoado. Vimos posteriormente a escola que consideramos a mais bonita, a Vila Isabel. Luxo, criatividade, enredo. Tudo belo. Mocidade, Beija-Flor e Unidos da Tijuca completariam o mesancene. Dizem que o carnaval do Rio de Janeiro é maior espetáculo da terra. Não sei dizer se é verdade, mas a grandiosidade e a beleza são realmente impressionantes. Outra maravilha são as baterias. Ficamos em frente ao local onde elas repousam durante quase todo o desfile, o conhecido "recuo da bateria" . E neste quesito a bateria da Mocidade foi imbatível, um show.

O público de nosso setor era bem divido. Metade brasileiros de vários estados, metade de gringos. Muitos gays e travestis. É isso. É um espetáculo para gringo ver, e não vejo nada de mal nisso. É show, é dinheiro, turismo, mercado, money, tutu, din din. Não tem espaço para romantismo, para "o carnaval da minha época". É um grande teatro luxuoso, e como encenação que é, também pode receber críticas, como irei fazer agora.

O acesso à passarela do samba e aos setores são fáceis. Muito bem sinalizados. Tudo muito bem policiado, e de certa forma, controlado. Um grande problema que percebi é com relação ao "som" que chega à arquibancada. Existem potentes caixas apontadas para os setores, porém o som não chegou perto da minha expectativa. Se você por acaso não conhecer as letras dos sambas-enredos, esqueça! Não será na Sapucaí que você irá compreendê-las. O som é pouco nítido. Nossa sorte é que ficamos perto do recuo da bateria, então sentimos um pouco mais o rufar dos tambores. Se por caso você não estiver muito interessado no desfile de uma tal escola, fique tranquilo, poderá trocar um bom papo com quem lhe acompanhar.

De qualquer modo o desfile, o clima, a quantidade de pessoas (sim a Marquês fica completamente lotada) nos deixaram boquiabertos e acredito que iluminaram os olhos da multidão que ali estava. A visão é o sentido mais agraciado ao presenciarmos, ao vivo, os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Sim, é um espetáculo que não deve ser ignorado. Acredito que quem puder pagar o preço salgado dos ingressos não deve perder a oportunidade de assistir os desfiles. Sim, é muito diferente assistir em frente à televisão ouvindo a transmissão da Rede Globo e estar lá, vivenciando aquele momento único. Porém estar na passarela do samba também nos faz viver e presenciar o carnaval em uma posição de passividade, simplesmente assistindo a uma encenação grandiosa e que provavelmente não deve nada às encenações que a história da humanidade já nos forneceu em tempos mais remotos. Mas se você quer curtir, pular, gritar, beijar, suar, cantar, fantasiar o carnaval, então provavelmente seu caminho deverá ser o dos blocos de rua, ainda mais nesse momento tão favorável a eles aqui no Rio de Janeiro.

Cumprimos a promessa do ano passado, e para o próximo ano... para o próximo ano prefiro não fazer promessas. Mas quem sabe não voltamos para a Sapucaí? Porém dessa vez será do lado de dentro da Sapucaí, em plena pista, de preferência com um belo penacho na cabeça.

E para quem quiser relembrar o primeiro "O carnaval, eu e a identidade nacional" é só clicar aqui no texto e relê-lo.


























Besos e bons carnavais.


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Domingo de Carnaval (22/02/2009)



















































































































































As escolas de samba assistidas no domingo de carnaval foram: Grande Rio, Vila Isabel, Mocidade, Beija-Flor e Unidos da Tijuca. As imagens não seguem necessariamente a ordem de entrada das agremiações. A sequência das imagens se deu de maneira aleatória.

photos by Carla Lemos e Vinícius Silva

*Este post está perfeitamente configurado e melhor visualizado no navegador Mozilla Firefox. Já no Internet Explorer as fotos estão desconfiguradas e os espaços em branco um tanto quanto fartos e enlouquecidos. Fazer o quê? Coisas de internê!
Besos.


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segunda-feira, 16 de março de 2009

Sombridade






Que os becos escuros da vida sejam, mesmo que brevemente,
iluminados pelas lanternas de nossas almas.
Pois hoje, somente hoje, a dor faz parte do meu esquecimento.





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Liberdade

Hoje eu decidi ser livre.
Porém tenho que me planejar.

Tenho que fazer a lista de coisas para poder fugir.
Tenho que levar a roupa para lavar.
Tenho que pegar uns sonhos para poder dormir.
Tenho que sair de casa sem pestanejar.
Tenho que reunir todas as tarefas que um dia disse fazer.
Tenho que jogar pela janela o que prometi nunca mais usar.

Tenho que levar um amor.
Não! Tenho que ir só.
Não posso levar dor.
Mas sem dor, só sou pó.

Tenho que esquecer minhas lembranças.
Tenho que lembrar o que não podia esquecer.
Tenho que não mais fazer lambança.
Tenho que cortar o pano que irei tecer.

Tenho que traçar o plano.
Tenho que riscar o mapa.
Não tenho nem mais um ano.
Tenho só o agora e este não me basta!
Tenho que pegar no sono.
Não ter mais que acordar.

Mas afinal... não sei mais recordar
o que tinha que fazer, quando este grafite no papel
começou a rabiscar.
Sair dessa prisão
eu
preciso
saber.


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quarta-feira, 11 de março de 2009

GRAÇAS

Nada é de graça, nem as coisas ruins
As coisas de graça, nem é nada ruins
Nada ruins é, nem as coisas de graça
Nem de graça nada é, as coisas ruins
Graças
Ruins
É
As
Coisas
De graça
Na verdade nem é nada!
Somente desgraça.



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segunda-feira, 9 de março de 2009



PÉROLA NEGRA (Luis Melodia)


Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar pois estou te amando

Baby, te amo, bem sei que te amo

Tente usar a roupa que eu estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue, escreva num pano
Pérola Negra, te amo, te amo

Rasgue a camisa, enxugue meu pranto
Como prova de amor mostre teu novo canto
Escreva num quadro em palavras gigantes
Pérola Negra, te amo, te amo

Tente entender tudo mais sobre o sexo
Peça meu livro querendo eu te empresto
Se inteire da coisa sem haver engano

Pérola Negra, te amo, te amo!


Um carinho de Vinícius e Carla para nosso amigo que partiu hoje.
Saudades, Douglas "Chocolate".
Até logo e um beijo.

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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

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