(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

a menina que não gostava de viados, por Léo Rossetti


Conheci Léo Rossetti pelas andanças literárias na Baixada Fluminense. É meu colega de território, tendo como sede de vida e atuação a cidade de Duque de Caxias. Sua postura política, seu lirismo poético e seu belo livro "Cores de um Poeta Inverso" me chamaram a atenção. Inclusive tive a honra de ter sido convidado para participar da mesa de seu lançamento.

Então neste momento apresentamos um texto cheio de humor, ironia e posicionamento político e humano. Absolutamente oportuno para o momento que vivemos em nosso país.


Esse texto faz parte de um conjunto de relatos do professor Léo Rossetti a respeito do cotidiano de uma sala-de-aula, chamado “Crônicas de um professor à beira de um ataque de nervos”. As historietas são publicadas esporadicamente no Facebook, sem a preocupação de que os relatos digam respeito necessária e integralmente à sua própria experiência docente. A literatura não prevê a garantia da realidade. A imaginação e a suposição sobre a realidade dos fatos narrados ficam por conta do leitor, o que torna a literatura mais rica e mais interessante.

Escola pública em Duque de Caxias. Em sala de aula, um professor de história, gay, bem-resolvido, militante, e seus alunos de uma turma de 6º ano. A chatice da aula dá margem para assuntos mais interessantes e discussões mais animadoras.
Aluna A (para o Aluno B): Seu viado!
Aluno B (para o professor): Professor, a Aluna A não gosta de viado! - disse o estudante com a expectativa de que o mestre repreendesse sua colega. O professor ignora.
(...)
Aluno B (novamente para o professor): Professor, a Aluna A não gosta de viado! - bradou o aluno, enquanto o professor, em pensamento, confirmava a sua suspeita: a suposição de que o aluno pretendia, tão somente, expor a sexualidade do professor em sala de aula, na esperança de que o docente tomasse partido da causa gay e, dessa forma, revelasse seu lado fúcsia. O professor ignora.
(...)
Ao fundo da sala, ouvem-se sussurros. Uma aluna convoca a presença do professor a fim de esclarecer uma demanda adolescente. O tema era que o tal Aluno B estava perturbando o juízo da Aluna C, que desdenhava da investida deste, ignorando-o com certo ar de superioridade, mas com riso nos lábios. O professor pensa, obviamente, em uma tentativa de aproximação xavequeira do garoto. Besteira! Um par de amigos que discutia sobre a vida particular da menina. Mas o professor não sabia e pressupunha o prévio romance.
Professor: Se for para ficar de papo paralelo na minha aula, avisa com antecedência, que eu ajudo nos preparativos do casório, mas quero ser o padrinho, viu?
Aluna C: Sai fora, professor! Eu gosto de menina.
Enquanto o professor tenta recuperar seu cu, que caiu da bunda e rolou pela sala no instante mesmo que a menina revelou sua preferência sexual, o par de amigos tornou a divagar sobre qualquer coisa mais interessante que um ânus rolante.
Aluna C: [sussurros]
Aluno B: É sim! Professor, o senhor não é gay?
Professor: Sim.
Aluna C: Não, tô falando do dever... - disfarçou a menina, estupefata, enquanto despencava de seu corpo aquele orifício, que resolveu se juntar ao do mestre, no chão da sala de aula, para também desfrutarem de seus minutos de fofoca.
(...)
Aluna A: (para o Aluno B) Cala a boca, seu viado!
Aluno B: Professor, a Aluna A tem preconceito com viado!
E, finalmente, o professor intervém.
Professor: Aluna A, é a terceira vez que você chama seu colega de viado, como se isso fosse um xingamento.
Aluna A: É que eu tenho preconceito com viado, eu tenho.
Professor: Que bom, né? Pelo menos você reconheceu que tem. O primeiro passo pra acabar com o preconceito é reconhecer que ele existe.
Aluna A: Mas eu não gosto nem de viado e nem de macumbeiro!
Professor: Então você vai ter que começar a não gostar de mim também...
Aluna A: Por que, professor?
Professor: Porque eu sou muito mais viado do que todos eles juntos.
Aluna A: Tá bom, professor, eu não tenho preconceito com viado não, só com macumbeiro.
Aluna D: Nada a ver, eu sou macumbeira e não é por isso que eu vou fazer macumba pra você!
Professor: Minha filha, você não tem que ter preconceito nem com viado, nem com macumbeiro, nem com preto, nem com branco, nem com verde, nem com ninguém. As pessoas são o que são, e elas são tão dignas quanto você.
Aluna A: Mas é que eu tenho medo de macumba...
Professor: Ahhhhh... então não é “você não gosta”, é “você tem medo”!
Aluna E: Ih, gente, cada um com a sua religião! Eu hein...
(…)
Aproximando-se do final da aula, o professor convoca cada estudante para checar – no sentido de conferir, mesmo, pois passar cheque, sem a presença do cu, seria impossível naquele contexto – o cumprimento das tarefas propostas por ele aos seus alunos e alunas. Para sua surpresa, não é que a aluna que não tinha mais preconceito com viados mas que não gostava de macumbeiros foi a primeira a terminar a atividade?!
Professor: Aluna A, você foi a primeira a acabar, será a primeira a ser liberada hoje.
Aluna A: Obrigada, professor!
E uma nova discussão surgiu na sala de aula, cujo resultado implicou numa bolinha de papel que atingiu a menina que não tinha mais preconceito com viados mas que não gostava de macumbeiros.
Aluna A: Pára, seu viado!  – retrucou a menina, em alta voz.
Professor: Aluna A, mudei de ideia.
Aluna A: Não, professor, por favor!
Professor: Mudei, sim!
Aluna A: Desculpa, professor, desculpa! – redimia-se a pobrezinha.
Professor: Agora você vai ser a última! Vai ficar comigo até mais tarde.
Aluna A: Por que? – perguntou indignada.
Professor: Porque você precisa conviver mais com viados.


*Nota: Esse texto foi adaptado e ampliado para publicação no PSQC.

Você pode adquirir o livro "Cores de um Poeta Inverso" ao clicar na imagem abaixo:




Você também pode entrar na fanpage do Facebook do Poeta Inverso, é só clicar aqui:
https://www.facebook.com/CoresDeUmPoetaInverso


Léo Rossetti é professor de história da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro e da rede municipal do município de Belford Roxo. Militante dos direitos humanos, tem se dedicado especialmente ao debate sobre os direitos das minorias na educação. Especialista em História do Brasil e em Gênero e Sexualidade e mestrando em Ensino de História (UERJ), é também ator e poeta. Assinou a coautoria do livro Crônicas cariocas e ensino de história (2008), publicado pela FAPERJ/7 Letras. Também escreveu Cores de um poeta inverso (2012), coletânea de poesias autorais publicada pela Metanoia Editora. Em parceria com outros autores, revelou-se escritor de contos eróticos gays através da obra Censurado: sexo, taras e fetiches, publicada pela Lado B Edições em 2013. Atualmente mantém o blog “Profissão História” e a página homônima deste blog no Facebook. Last but not least, gay.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 16 de junho de 2015

O PSQC e o Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional na Festa Literária de Caxias 2015


Mesa Direitos Humanos na Baixada Fluminense com Vinícius Fernandes da Silva, José Claudio Souza Alves e Afrânio de Oliveira.





































Mesa Autores Virtuais, com mediação de Vinícius Silva do PSQC (eu sou o baixinho barbudo).







O público da mesa!


























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terça-feira, 9 de junho de 2015

Vinícius Fernandes da Silva no Ciclo de Debates "Maioridade Penal" - CEFET Campus Itaguaí - Dia 10/06/15 às 11:30h




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O Palavras Sobre Qualquer Coisa na Festa Literária de Caxias 2015!

É com muito orgulho que eu, Vinícius Fernandes da Silva, criador e administrador do PSQC anuncio nossa participação dupla, minha e do PSQC, na Festa Literária de Duque de Caxias 2015.

No dia 12 de Junho de 2015, uma sexta-feira às 16h, estarei mediando uma mesa sobre Direitos Humanos na Baixada Fluminense, representando o Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional com a Campanha Jovem Negro Vivo.

No mesmo dia, às 18h, estarei mediando e representando o PSQC em uma conversa sobre autores virtuais.

A programação e os convidados estão logo abaixo.

Não percam!





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Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

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Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

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Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

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Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

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