(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

IGREJA





IGREJA



Os irmãos Lumière são meus pastores
Tudo diante da tela me encantará











Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

servir




servir



a poesia serve à dúvida







Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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sábado, 22 de agosto de 2015

contante




contante


O músico é um matemático do lírico









Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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PELÍCULA






a vida é um grande plano-sequência
mas e o sonho?
é filme surrealista











Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

HERÓI








Ser mártir só é bom pra quem não morre












Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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sexta-feira, 31 de julho de 2015

RELIGIÃO








Podem até dizer que eu sou ingênuo,
Mas pelo menos nunca poderei ser acusado de não ter experimentado.














Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

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neurose







minha casa é bagunçada,
pelo menos eu sou feliz












Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

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terça-feira, 21 de julho de 2015

Oiticicando





Seja periferia
Seja herói










Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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MANEQUIM








O Brasil é o país em que vidraças valem mais do que pessoas.











Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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segunda-feira, 18 de maio de 2015

ESTADO







Eu sou o seu pastor, e tudo lhes faltará
(menos os impostos e a repressão).












Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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quarta-feira, 1 de abril de 2015

biografias







Biografia é a literatura que mais prazer me traz.
Deve ser porque gosto de ler gente.












Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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segunda-feira, 16 de março de 2015

Poema em Curso #aletradaspessoas #letradaspessoas

À reboque da genial ideia da querida e competentíssima Clarinha Gomes, a criadora do Bichinhos de Jardim, que acabou se tornando o meme #aletradaspessoas, em que exaltou-se a perda da visibilidade da letra cursiva, o que chamamos de "escrita à mão". Mas mais do que isso, revalorizou que as pessoas se revelassem através das "vozes" únicas produzidas por suas próprias mãos.

E como não posso fugir a uma boa e deliciosa provocação, aqui vai minha contribuição neste singelo poema, e que somente existirá no formato aqui apresentado, através da "letra" deste que aqui vos escreve.

Evoé às boas ideias, sempre!  





Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Bolha

Você não existe.
Na verdade existe, mas não vive.

Sua existência depende das leis da física,
Mas todos nós não dependemos delas também?

É formada por alguns elementos químicos combinados.
E ar.

Sua brevidade coaduna-se com a das borboletas.
Borboletas ainda assim existem por mais tempo do que você.

Pode ser produzida de distintas maneiras,
Mas geralmente um sopro lhe dá forma.

Quase nunca atua sozinha.
Gêmeas estão sempre ao seu redor.

Então agora saímos do singular,
E vamos ao plural.

Algumas cores podem ser avistadas em seus voos erráticos.
Amarelo, vermelho, azul e verde também.

E voam.
E voam.

Suas existências sem vida.
Alegram pequenas vidas quase que instantaneamente.

Nos sorrisos doces.
Nas gargalhadas profundas.

De quem sempre quer,
Tornar ainda mais breve seus breves alçar.

Bolha.
Bolhas.

Bolha.
bolha

bolhabolha         bolha bolha           bolha bolha bolha                bolhabolhalha bobolha bobobo  bolha
  bolha bolha bolhabolhabolha                                   bolha      bolha    bollha bobolhalha  bolha          

bolha  bolha  bobobolha            bolha bolha    bolha                                                                  bolhab
  bolha

                                        bolha                          bolha                       bolhabolhalhalhabolhabolha  bolha

bolha            bolha                                     bolha  bolhabolhabolhabolha bolha                                    bo

             bolha bolhabolhabolha                          bolha                                  bolha                bolha
                                  bolhalhalhalha  bolha bolha                   bolha            bolha        bolha          bolha
bolha                                            bolhabolha   bolha                    bobobobobobolha           bolhabolha
                              bolha           bolha                              bolha                                     bolha
                                  bolha bolha             bolha                bolhabolhabolhabolhalhalhalh
                                         a bolha     bbbbollhhhha        bbbhhhhhlllllaaaaaaa  aabb
                                                  hhhablllhaa            babhlhllllabhlab           bhhla
                                                                        oooobhlolllhaoaoaoobabohlh
                                                                    bholla  boaoaolhlaobh a oaob
                                                                             hhbaolbaolhholoo
                                                                                   babhholllhob
                                                                                         aaobh
                                                                                            hla
                                                                                              b
                                                                                              o
                                                                                              l
                                                                                              h
                                                                                              a

                                                                                              d
                                                                                              e

                                                                                          sabão.




Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

pra mim o tempo sempre durou mais


sempre quis que o tempo fosse mais curto
como um Rimbaud a produzir sua obra prima na juventude mais tenra

que a genialidade escorresse entre os poros de minha carne ainda dura
que a corrosão do conhecimento espontâneo saltasse pelos olhos espantados

sempre quis o elogio da surpresa pela inteligência tenaz
como do gozo do cientista pela complexidade simples da descoberta

que a serenidade transparecesse pelos golpes de pequenos dedos
que o charme da inocência superior inflamasse a todos e a todas

tolo
tolo

pra mim o tempo sempre durou mais
como o bolo que sola sem se perceber

como o capataz que se demora a notar que é capataz
como o escriba que faz e refaz seu ofício porque dele depende

como o escultor que martela a pedra bruta sem nunca parar de lascar
como o torrão de açúcar que como ambrosia fosse

pra nunca esquecer que de gênios Gaia se faz de poucos
e de ferreiros necessita para a eterna manutenção do devir.



sempre quis que o tempo fosse mais curto
como se para esquecessem dos poucos erros ainda acumulados

que os platônicos amores permanecessem em suas áureas eternas
que a inspiração transbordasse a todo momento que requerida

sempre quis a saliva mais ácida e o mel mais doce a estalarem no céu da boca
como do anseio de Dorian para com a beleza mais divinal

que a glória mais profana iluminasse o passar das horas
que o apupo das palmas se deflagrasse ao sibilar de palavras ao vento

tolo
tolo

pra mim o tempo sempre durou mais.






















Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.


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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

zero







Minha busca é antigravitacional, mas na dúvida,
viro à esquerda.











Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Os cinco ciclos da morte



Faz pouco tempo atrás a Morte sentou-se ao meu lado e sussurrou seu verbo mudo em meus ouvidos quentes. Seus lábios murchos e ressequidos pela eternidade não vinham brindar minha alma com sua passagem fria, nebulosa e desconhecida, porém traziam surdamente as novas do que me esperava pela frente, o avançar do aprendizado amargo que ela prometeu a todos nós, a todos.

Primeiro e sorrateiramente ela iniciou seus trabalhos levando o bailarino de ébano. Amigo recente, à época, que me tratava como mestre, e dizia sempre [mestre] [mestre] com o maior sorriso do mundo. Nunca conheci alguém com sorriso tão grande e tão bonito. Depois de meu vô Antonio sorrir em seu estado final, nunca tinha visto outro alguém sorrir em sua esquife de tal maneira. Douglas sorria um sorriso discreto, mas que foi notado por todos que ali dele se despediam. Acho que por Douglas chorei uma das minhas lágrimas mais doídas. Foi quando sua mãe contou o hino cristão que ela disse ser de sua preferência quando criança. Posso esquecer-lembrar-esquecer da melodia neste exato momento. Exato. Aquela melodia entoada por alguns dentro da nave fez a água salina de meus olhos jorrar pelos pêlos de minha barba espessa. Tenho certeza que Douglas nutria amores pela mulher que hoje chamo minha. Nunca tive raivas ou rancores por isso. Como odiar quem ama quem você ama? Ah dançarino do sorriso largo, que saudades tenho de ti.   

Um ciclo de quatro estações depois Ela veio como um repente, dizendo-sem-falar que não estava para brincadeira. E foi buscar, então, espanto distante, familiar, mas distante. Um primo. Meu primo. Meu primo que não tivera contato próximo comigo, que não fora criado entre os meus e nem eu entre os dele, mas ainda sim primo, sangue e moléculas. O mais interessante nesta relação distante-próxima-distante eram os corpos. Impossível notar distância entre jovens tão parecidos, com semblantes tão semelhantes. Rostos, cores, tamanhos, olhos, cabelos, corpos. São parentes? Sim. Sim. Gilmar se foi. Rápido, de supetão. E não deu tempo. Não houve tempo para que eu dissesse [primo, me perdoe, não nos conhecemos muito, mas... quer ser meu amigo?] Foi-se. Se foi. E chorei também distante, ao léu de sua lápide, chorei por seu irmão, também meu primo, que chorava perto. Chorei ao chegar à porta de casa. Dentro do automóvel. Chorei. Chorei por Gilmar. Chorei por seu irmão também meu primo Gilsomar. Chorei por mim.  

Mas quando Ela prometeu que [dessa lição eu não esqueceria] não brincava em seu juramento, mesmo que de tal eu sequer suspeitasse. Mais um ciclo. Uma manhã em minha nova casa, em minha nova vida, um telefonema. Meu pai. E a pergunta por mim se repetiu repetiu [Quem?] [Quem?] [Quem?]. Não, não, meu tio não. Mazinho, meu sim-não-sangue-tio-sim morria por um coração que decidira parar de bater. Naquele instante já sabia da dor que enfrentaria. Mazinho, tio meu, passou anos afastado de mim, de meu irmão, por motivos e rusgas familiares que nós crianças não temos nenhuma culpa ou vontade. Da frieza dessa relação engessada pelo tempo e por mágoas emprestadas, surgia calor e amizade já nas vidas adultas. Ah santas películas italianas que nos aproximaram. Ah santa nova-tecnologia-nova que me fez um pouco mais conhecer meu tio, meu tio Mazinho. Ele se foi. Se foi no meio do caminho. [Tio eu não havia terminado de te ensinar como baixar todos os filmes. Volta. Volta!] Em sua despedida eu não chorei. Não consegui. Bastava as lágrimas de meus primos, sua dor presente. Minhas lágrimas vieram à noite, à cama, no colo da mulher que decidiu me acolher e amar.  

E quem disse que terminaria? O título diz [cinco]. Dessa vez Ela, a Morte, pareceu me deixar de entre aviso. Cesar, meu padrinho-padrinho-amor, carregava um coração valente e doente. Sabia de seu estado. Sabia da fragilidade de seu corpo. E dessa vez pensei [eh Morte, já saquei a sua, vou te antecipar, vou me despedir]. E assim fui fazer sem dizer, só em pensamento e sentimento. Visitei-o antes. Beijei-o no rosto. Disse [eu te amo]. Cheirei seu sempre bom perfume. Abracei-o. Fiz e refiz. E então, um dia, no meio do labor, o telefonema grave de minha mãe avisou [Cesar se foi]. Fui forte. Sabia que Ela o espreitava e me preparei antes [Danadinha, dessa vez você não me pega]. Em sua despedida chorei contidamente ao beijar seu rosto pela última vez. Como gostava de beijar meu padrinho-padrinho-amor na bochecha, com estalo. Cheguei em casa forte, forte. Mentira! Ao banho, desabei. Nunca passei noite-dor tão dor como aquela noite-dor que passei. Dormir não podia. Gritar também não. Então escrevi. Escrevi texto de despedida mais triste que já pude escrever. Não, não é este aqui, apesar das lágrimas que vocês não podem ver e saber, mas que já rolaram e rolam no exato presente que já se foi. Agora. Se foi. E pela heresia de tentar se fazer de forte diante Dela, a fúnebre Morte presenteou-me com feridas na pele que nunca saram, a me perseguir e lembrar que dor é para ser sofrida e sentida, sempre!     

Mas tudo que começa-termina depois termina-começa. O último ciclo ainda viria. Dessa vez como lição final, talvez. Morte danada, feridas abertas. Quem mais ela poderia espreitar? Levar? Meu último um/quarto formador! Óbvio. Meu vô Francisco Trajano. Meu vô Francisco foi o vô mais distante, até porque só tive um próximo, pois minhas vós se foram há muito tempo. A Danada estava a brincar com outros nesta época. Minhas a[vós] se foram e eu era muito muito menino. Meu vô Chico viveu sua vida como bem quis. Bebeu. Brincou. Gastou. Jogou. Nunca me incomodou. Porém nunca foi [vô]. Mas era meu vô Chico, o Trajano. Seu cérebro já havia sangrado algumas vezes antes, e sua agonia em cama arrastava-se como agonia-vida-agonia. Neste caso parecia que a Velha-sem-dó vinha finalizar a agonia-vida-agonia que o velho Trajano já apontava não mais aguentar. Sim, Ela o embalou. Fui ao encontro de meu pai confortar a perda de seu pai. E na discreta despedida, chorei ao ouvir o canto católico que ninava seu velho corpo, como uma ladainha a lembrar o velho Nordeste de sua origem. Ciclo fechado! Mas [Não] [Não] [Não]. Ela não me deixaria assim tão tranquilamente. Uma estação depois, como se me lembrasse [sem dor não vale] levou Dona Fátima, mãe de meu amigo-irmão-amigo Well. Com requintes de crueldade levou Dona Fátima em um momento que não poderia estar junto de meu amigo-irmão-amigo para confortá-lo no momento mais difícil de sua vida. Obrigou-me a chorar lágrimas em terra distante e a carregar a culpa eterna da ausência.

Agora sim, os ciclos parecem que se encerraram. Mas por que causa a Medonha viria me passar lição tão dura, tão longa assim? E como mágica divinal ouço sua voz inaudível entre tímpanos e cera amarelada. Sim. Agora. Ouvem? [Tolo! Visito a todos sem distinção. Passo minhas lições para que aprendam que não há escapatória] [Do... do... na, Do... na Morte, posso fazer uma pergunta?] [Sim, faça, logo] [O que aprendi com estas lições tão duras?] [Oras, tolo menino, aprendeste que deves viver e ponto. Ainda receberás muitos recados e lições, mas quando tua hora chegar... Sento-me ao teu lado e carrego tua alma sem avisar!].


Para Caio Fernando Abreu.


Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Atire!


Atire

Pois não há temor por tua arma
Apontada para minha negra pele branca.


Atire

De tua alcova sombreada pela violência
Do teu trabalho vilipendiado pelo ódio.


Atire

Protegido por tuas botas e fardas
No sorriso mudo de patentes e estrelas ao ombro.


Atire

Através da hipocrisia coletiva
Na escravidão perpetuada pelo brilho do papel moeda.


Atire

Pela fresta do portão
Pelo mato seco
Pela terra batida
Pelo valão imundo
Pelo muro em tijolo furado
Pela fumaça do escapamento
Pelo beco periférico.


Atire

Mas saibas que morrerei olhando em teus olhos
Afirmando que tua covardia nunca mais ficará impune.


Atire!


Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Poema para Lara

Lara surgiu do nada lendo um meu poema,
e ainda assim me acha uma pessoa serena, mas que ingênua!

Lara é sentimental e de maneira imatura
procura e busca uma cura, mas que luta!

Lara se pergunta sobre o sentido da vida
mas como coisa teimosa essa tal sempre lhe evita, mas que doída!

Lara busca refúgio nas canções e nas palavras
e fica confusa pois nelas só há ciladas, mas que malvadas!

Lara então chora pois sabe que na despedida
remédio para a dor que sente não sara a ferida, mas que partida!

Então o poemista dirá:

"Lara cultive gargalhadas para que os males
colhidos sejam regados pelos sorrisos molhados de saudades e de vida.

Ame-se para poder amar aos outros e para que lhe amem quando menos necessitar.
Permita-se sofrer e chorar, mas não pratique o desespero e a melancolia.
Abrace sem pestanejar.
Beije de olhos fechados... mas abra-os de vez em quando, mas só de vez em quando.
Sussurre aos ouvidos.
Grite aos fantasmas.

Diga: "Eu te amo".
Diga: "Eu me amo".
Quebre um espelho!
E diga: "Até nunca mais!""

Lara, ninfa do Lácio, à sua morada o silêncio quer ficar.

Lara, a vida não é clara, mas é boa, e eu te juro, que não custa tentar.



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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O poeta passageiro


Ventos lusitanos enfrentaram as pancadas atlânticas do mar e trouxeram consigo os seres que continham a quarta parte da matéria do poeta. Terras de além mar, terras de além Porto, terras de além Lisboa e terras de Alentejo sujavam com seus grãos grudados aos pés e às botas, o chão da embarcação de diversas almas, almas em busca das boas aventuranças ou da redenção. A fêmea que carregava um gajo em seu ventre, quase o cuspiu para que fosse batizado em nome de Poseidon. Tupã, como com ciúmes, não permitiu tal heresia. Em terra tupiniquim aportaram e não em nome da divindade indígena, mas sim em Cristo, a criança foi entronada aos espíritos superiores. E nessa toada, nas andanças por terras ainda verdes, quase que despovoadas de civilização e de fuligem fabril, fincaram bandeira no Brasil. Nesta família alijada e por nossas areias adotada, parte importante do escrivinhador por nau foi trazida. Anos depois, aquele pequeno gajo, depois homem, cor de branco como vela, viu a morena analfabeta, e mesmo assim se apaixonou. Dessa união, em futuro próximo, metade em fêmea do poeta se formou. Mas a história não se acaba, porque ainda falta outra quarta parte, que ainda não somou.     

Ventos agrestes sopraram quentes nas vestes enquanto a égua e o jumento morriam de sede. Este quarto de parte do poeta vem daqui mesmo, com queijo coalho e torresmo, e oriundos da cidade que nasceu no mesmo dia de São Salvador da Cruz do Calvário, ao Rio de Janeiro vieram viver. Os motivos que lhes tiraram, juntos, do seio de suas entranhas macaxeiradas, assim como os patrícios de mesma história, talvez nunca iremos saber. Ao centro velho da cidade das águas de Janeiro chegaram, com crianças aos colos e suor nas testas, e mesmo assim em acordes nordestinos comiam, cantavam e faziam festas. O homem nos trens foi trabalhar, na Cinelândia foi jogar bilhar e cerveja tomar. A mulher com filhos para criar, comida a cozinhar, e outra função a inventar.... ah! foi vender beleza, e em movimento pendular, em ônibus-araras, perambulou de Natal a Janeiro, do Rio ao Rio Grande, lá ao Norte, sem se cansar. Levava consigo o único rebento cabra-da-peste, que carregava as malas e o peso como um jegue, sendo esta metade em macho, que em futura união, um pequeno poeta iria forjar.

Então em terras de Jacutinga e Mutambó, estas metades se encontram, e é a partir daí que o dono das palavras começa a respirar. Pedras duras, lama mole, asfalto molhado, de sangue, presidente-general no comando, povo em transe, e uma década dada como perdida para crescer e se formar. E depois... peladas em campos de poeira, dedos com tampões arrancados e esfolados em rubro, amigos pobres, pobres vizinhos e a grande família da rua a se compartilhar. Jovens em cima dos trens, corpos com cheiro de queimado do surf ferroviário, das balas de fogo, dos pelotões de fuzilamento fardados. O poeta navega nas minhocas de metal, nas araras-urbanas, no pé-ante-pé do negro chão esburacado de uma Baixada repleta de dores, e também amores. No verde da encosta, na cachoeira escondida, nas reuniões nas lajes, nas festas em família, na lembrança dos amigos, na sujeira fluminense em eterna companhia, caminhando e escrevendo versos na urbes esquecida.

E o tempo passará carregando as palavras, as frases e os versos do poeta embarcado em carros, trens, ônibus, vans, metrôs, mototáxis, aos pés, sempre ao meio do caminho de nenhum lugar, de lugar algum, porque o poeta e seus poemas estão de passagem, como um Caronte que não tem morada, só navega. Vive na intermitência do espaço, porque não pertence, realmente, a espaço algum. Não é de lá, não é de cá. Busca morada provisória onde poderá derramar suas dores e seus amores, e tentará desesperado ser ouvido, assim como um gemido, para algum sentido à sua vida dar. O poeta passageiro navega em águas turvas, dirige veloz em curvas, por não saber como chegar. Talvez derrame suas sementes ao mundo, para que brotem profundo e bons frutos possam dar. Palavras perdidas, soltas ao destino, agora caminham livremente de Mesquita a Gibraltar. E diante de ti se deita, presta respeito, de uma prece refeito, fala "ó Vida" quase sempre a murmurar. Quer passagem de ida e volta, porque de poesia e vento, o poeta sempre quer brincar. Para sempre.



Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sábado, 12 de outubro de 2013

Bento

Quando vi a foto do rebento de meus amigos João Lossio e Mariana logo pensei qual presente poderia dar. Decidi dar um presente único e que se relacionasse com minha amizade com João. Alguns anos atrás, quando nos conhecemos, nossa amizade se consolidou através da música e da poesia. E quando fui rascunhar as primeira palavras, para meu espanto, veio também uma melodia. E assim dei vazão às duas inspirações e acabei criando um poema/letra para uma melodia, gerando assim uma canção.

Esta canção leva o nome do filho de João e Mariana, mas também pode ser ofertada para todas as crianças que nasceram por agora, para as que virão e para os que são eternamente crianças, ou que pelo menos tentam. Ao final do poema vocês poderão ouvir a canção cantarolada por mim.

Por favor perdoem minhas desafinadas (como sabem não sou profissional da música) e para quem pensar "usurpar" a melodia, pode tirar o cavalinho da chuva, pois a canção já está registrada.

Sinceramente, espero que gostem.


Bento abotoa o riso na minha cara
Traz de longe um choro que não cala
Vai e me lembra que a vida responde
As perguntas que não sei de onde.

Vem brincar pra me dizer
Que o amor me escolheu
O luar vem me brindar
Com que o sol vai revelar...

Bento abotoa o riso na minha cara
Traz distante um brilho que não cessa
Você não sabe que trago em meu peito
Tudo que tenho pra ti ofereço.

Vou cantar e não esquecer
Que você apareceu
Te ninar me faz lembrar
Do carinho que vou te dar...

Bento abotoa o riso na minha cara
Traz de longe
Um'alegria
Que não
Para.








Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades
Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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Saiba como adquirir o mais novo livro de Vinícius Silva clicando nesta imagem

Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!
Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

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O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

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