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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008


"Meu nome não é Johnny" (2008).

Direção: Mauro Lima.

Com: Selton Mello, Cléo Pires.


Tem uma cena em "Meu nome não é Johnny" que parece ser um pouco reveladora sobre o que é o filme. Nessa cena aparece uma bandeira do Botafogo, uma bandeira preto e branca com uma estrela ao meio, estrela essa que poderia ser alusiva ao sobrenome do personagem principal da trama, mas não parece ser esse o caso.

O filme é "preto" e "branco" (gente o filme é colorido, é só uma metáfora), quase bipolar. Em sua primeira parte transforma o playboy da zona sul com pais omissos e usuário de drogas em um personagem sedutor, inteligente, perspicaz e que faz todos rirem dele e com ele. É a parte "branca" do filme. E é nessa perspectiva que a direção de Mauro Lima pretende levar os expectadores. O início do filme já demonstra o preâmbulo de que dias piores virão. Mas o público não liga pra isso e se diverte com as situações e o jeito inconsequente e desleixado de João Estrella (Selton Mello). E aí reside o grande e maior trunfo da película: Selton Mello.

Mais uma vez o balzaquiano ator paulistano rouba a cena, todas elas, e faz um João quase caricato mas sem cair em bobices, o João de Selton é o que se espera de um pós-adolescente sem preocupações na vida e que se envolve em uma bola de neve sem se importar com as consequências. Sua parceira de cena, Cléo Pires, parece viver uma situação sui generis para atores principiantes. Cléo Pires só precisa interpretar: Cléo Pires! Não quer dizer que isso seja necessariamente ruim, ela é bonita, tem charme e combina com Selton em cena, mas quem viu seus trabalhos anteriores (Benjamim e novelas) pode conferir que só há uma possibilidade para ela: interpretar meninas cariocas (o sotaque dela às vezes é irritante) do Leblon.

A segunda parte do filme é a "preta", lembrando-nos da alusão à bandeira alvinegra. Não como uma condição de "causa e efeito" (fez "isso", aconteceu "aquilo"), mas muito mais pela percepção de que tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Obviamente que alguém que faz algo ilegal possui a premissa de que em algum momento pode se dar mal, que pode ser preso. O filme parece não querer mostrar isso. João foi preso mas também poderia não ter sido, porém, e de qualquer forma, ele entraria em uma fase "negra", uma fase em que só uma reflexão interna poderia mostrar que sua vida não era tão boa assim, tão divertida. A prisão foi um caminho para isso, um "meio", mas poderiam haver outros caminhos. Cássia Kiss está muito bem na personagem da juíza que tem um papel importante no desenrolar da trama. Júlia Lemmertz está correta como a sofrida mãe que nada sabia.

"Meu nome não é Johnny" tem algo interessante e que também pode ser encontrado em "Cazuza". O filme não está preocupado com as acusações de glamourização das drogas ou do tráfico, ou com a intenção em tornar (ou não) João Estrella em um herói. Somente demonstra que alguém carismático e inteligente pode fazer coisas erradas, e se dar bem por isso (será que ninguém conhece alguém assim?). As críticas ouvidas sobre "Cazuza", de que a exaltação de certos estilos de vida seriam mal-exemplos para as pessoas que assistissem ao filme, principalmente os jovens, parecem ser bobocas e de uma idéia politicamente-correta-chinfrim, perdida nos anos 90. Quase todo mundo viu Rambo, os filmes do Bruce Willis, Tropa de Elite e ninguém fica atirando em pessoas por aí, ou não se têm notícias desses fatos violentos atreladas às pessoas que viram esses filmes. Deixemos essas maluquices para os jovens universitários norte-americanos.

"Meu nome não é Johnny" não está nem aí para a possível acusação de glamourização das drogas ou de traficantes da zona sul, somente conta uma história que parece ser bem próxima do que realmente aconteceu e isso faz do filme uma excelente pedida para se divertir (e porque não?) e para pensarmos em nossos pais e em nossos filhos.

Besos e bons filmes.


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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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