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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

2015: A vingança do Estado por 2013





As jornadas de Junho de 2013 são, até hoje, um mistério a ser analisado por cientistas sociais e outras disciplinas. Seu caráter quase que espontâneo deixou a todos surpresos pela proporção que alcançou. Cientistas, estudantes, trabalhadores, jornalistas e, principalmente, políticos, não tinham a menor ideia do que realmente estava acontecendo. Porém um fato estava mais do que evidente: Depois de muitos anos o Estado brasileiro, em todas as suas instâncias, estava sendo desafiado por uma grande parcela da população do país.

Pavor, medo, essa era a percepção de um sentimento que se podia ver, sentir e até respirar em relação à classe política brasileira, que ia desde a Presidência da República, passando pelos governadores até chegar aos prefeitos, deputados, vereadores. Em um pouquíssimo espaço de tempo as Manifestações mudaram seus sentidos e intenções, mas algumas características podem ser percebidas durante todo seu desenrolar.  

As Manifestações de 2013 foram uma disrupção emocional e coletiva quando da vinculação das imagens e vídeos produzidos por pessoas que estavam nas ruas e demonstraram de forma clara a extrema e bárbara violência policial contra transeuntes e manifestantes do Movimento Passe Livre em São Paulo, em oposição à cobertura parcial e criminalizadora da mídia corporativa. Sentimento aliado a um acumulado desgaste da população com os péssimos serviços públicos oferecidos pelo Estado e suas respectivas concessionárias privadas.

No resumo de todas as nuances e mudanças observadas durante os eventos ocorridos à época, duas demandas parecem estar mais evidentes. A primeira era a busca por mais direitos, todos eles garantidos pela Constituição de 1988 e cotidianamente negados pelo Estado. A segunda era uma Reforma Política que efetivamente mudasse a estrutura política e representativa do país, pela percepção popular de que há uma cisão entre quem é eleito e os eleitores, estes supostamente representados. De fato sabe-se, faz tempo (ou desde a sua criação?), que a maior parte das decisões políticas no país são tomadas por imensos interesses econômicos e corporativos, que atuam injetando altas quantias de dinheiro nos candidatos da maioria das legendas partidárias.      

A perplexidade da presidenta Dilma diante dos fatos era evidente, porém a mesma teve a oportunidade, diante do aturdimento geral, de atuar de maneira decisiva e veemente na tentativa de mudar a falida e corruptível estrutura política e eleitoral na qual vivemos. Não o fez. Ao contrário. Preferiu resguarda-se na velha e execrável fórmula do presidencialismo de coalizão, modelo já viciado, caduco e corrompido. Manteve a postura subserviente ao PMDB, partido que hoje é o representante de tudo o que é mais espúrio e antidemocrático neste país. A presidenta Dilma e seu partido, o PT, tomaram a decisão mais fácil e seguiram o caminho mais difícil que poderiam percorrer.

A mídia corporativa após Junho de 2013 decidiu definitivamente atuar como sempre atuou, como um partido político. Só que dessa vez não foi mais necessário se esconder em falaciosas "imparcialidades", "neutralidades" e bla bla bla entediante e patético. O partido e candidato escolhidos eram mais que óbvios e a meta sempre foi e será: tirar o PT do poder, custe o que custar! Fica muito mais fácil gerenciar o capital diretamente, sem mediadores e atravessadores. 

Custou? Sim. Custou o Congresso mais fascista e reacionário desde 1964. Na verdade acredito que esta legislatura é ainda pior do que aquela, e olha que não tivemos um golpe (ainda). Custou Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados. Custou a bancada BBB - Boi, Bíblia e Bala - ditando os rumos do país. Custou uma recessão econômica que historicamente cai nos colos dos trabalhadores. Custou uma extrema direita nazista a pontuar os rumos do debate político real e virtual. Custou.

Mas e o PT? Viveu as eleições mais difíceis após à consagração de maior legenda do país pós 2002. Porém ao invés de retornar para onde nunca deveria ter saído, a esquerda, uniu-se ao fisiologismo corrupto que mira a eterna perpetuação no poder, às vantagens e privilégios que este mesmo poder proporciona, à sedução de Midas que o dinheiro pode comprar. Desvirtuou-se como nunca poderia ter feito. Agora convive em uma luta diária contra o golpe e um impeachment fraudulento e hipócrita. Vive e sofre cotidianamente a destruição simbólica realizada pela mesma mídia oligopolizada e cretina que não quis enfrentar para efetivar o que manda a Constituição: a democratização dos meios de comunicação.   

E o que já tivemos que ver e viver neste 2015... Ano que se completou um ano da reeleição de Dilma Rousseff. Vimos as PEC's do Financiamento Privado de Campanha e da Redução da Maioridade Penal PERDEREM em plenário e depois de manobras inconstitucionais de Eduardo Cunha (o homem da Suíça) VENCEREM. Vimos o STF acovardado e falar nada a respeito. Vimos um Estatuto da Família que só atende ao fundamentalismo neopenteco$tal. Tivemos a forte tentativa (ainda viva) de ampla e irrestrita Terceirização para todas as atividades laborais. Tivemos ataques fortíssimos ao SUS. Vimos o início do processo de privatização das universidades públicas. Vimos o retrocesso de conquistas históricas nos direitos das mulheres. Tivemos a aprovação da destruição das terras e efetivo extermínio de todos os índios brasileiros na mudança da demarcação de terras indígenas das mãos do Executivo para o Congresso, processo comandado pela Bancada do Boi (Agronegócio).

Não, não há mais ilusões quanto às políticas econômicas do PT. Desde a primeira eleição de Lula o próprio revelou que a gestão da economia seria pelo viés liberal, e assim foi e é. Com nuances de desenvolvimentismo, programas sociais realmente mudaram a vida de milhões de pessoas, pelo viés do consumo, não dos direitos, infelizmente. Não havia nada a se esperar neste segundo governo de Dilma a não ser este Ajuste Fiscal absolutamente neoliberal e que estaria também reproduzido em mesmo formato em um governo de Aécio Neves, Eduardo Campos ou Marina Silva.  

O que é, de fato, absolutamente inadmissível, incompreensível e imperdoável é a última ação política comandada pelo PT. A aprovação da Lei Antiterrorismo pelo Senado, com a liderança do PT e relatoria de Aloysio Nunes (PSDB), é a pá de cal do PT em sua história, em seus militantes, em seus eleitores. Como doutor, mestre, professor e sociólogo AFIRMO a você que agora lê este texto: Não existe terrorismo no Brasil! O que temos de mais próximo ao que reconhecemos como terrorismo pelo exemplo internacional é a incipiente criação de grupos paramilitares dentro de igrejas evangélicas, grupelhos de radiciais de extrema direita, milícias, e principalmente as Polícias Militares em todos os estados da Federação. Se há no país alguma instituição com características de terrorismo no Brasil, esta instituição é a PM. Há milhares de ações criminosas desta instituição que comprovam esta afirmação. Não irei citá-las, não haveria folhas virtuais para tanto. Descreverei somente a última, em que um policial militar matou dois homens em uma motocicleta no subúrbio do Rio de Janeiro porque eles carregavam um... macaco hidráulico. O policial pediu desculpas. E é isso. Fim. Sim, este será o resultado da ação. Fim. Morreram. Que as famílias chorem sua dor. A PM continuará a mesma. Mas não, não. Me contradigo. Na verdade nem a PM é uma instituição terrorista, apesar do terror que provoca. Não há terrorismo no Brasil!  

A Lei Antiterrorismo é a vingança do Estado contra o povo brasileiro. Povo este que ousou desafiar seus cães de guarda e pedir um país melhor, mais humano, mais fraterno, mais justo. Esta lei é uma mordaça, pois irá justamente criminalizar movimentos sociais que, em situação de confronto e stress com a polícia (vamos mais uma vez lembrar que nossa polícia é a PM) terá seus ativistas presos e enquadrados como... terroristas, com penas que podem atingir 30 anos! Sim, se você for a uma manifestação e alguma confusão houver e for aleatoriamente preso (porque no Brasil um policial pode te prender pelo motivo que ele quiser), você pode ser acusado de... terrorismo! O mais triste na aprovação desta lei é saber que a candidata Dilma Rousseff teve seu rosto e reputação imputadas ao terrorismo quando era uma lutadora contra a ditadura militar. Que Lula foi preso político quando liderava greves de metalúrgicos e também chamado de terrorista. Ontem eles lutaram por mais liberdade e democracia no Brasil, hoje seu partido (e portanto eles também) apoia e aprova uma lei que processará quem luta pela efetivação da liberdade, da democracia e da justiça no país como... terrorista.

Eu ainda consigo relativizar alguns erros do PT, porque todos erramos, instituições erram, partidos erram. Mas este não. Esta é uma mancha indelével na minha relação com este partido e que forjou o sonho e a esperança de termos um país realmente democrático.

Não, não serão perdoados.
Não, não os perdoarei.

Do terrorista Vinícius Fernandes da Silva.


Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.



Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

H+2+O




H+2+O

Houve um dia em que respiramos água.
No outro respiramos ar.
No outro respiramos nada.



(para Arnaldo Antunes).








Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

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A participação de Vinícius Fernandes da Silva e do PSQC no Festcineamazônia 2015

































































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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

servir




servir



a poesia serve à dúvida







Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


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2X




2X



Uma mulher jamais poderá ser satisfeita












Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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