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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Capote



"Capote" (2005)


Direção: Bennett Miller

Com: Philip Seymo
ur Hoffman* (Truman Capote)
* Vencedor do Oscar de melhor ator


Retorno à secção Cinefilia depois de um longo recesso. Não por não me sentir mais um apaixonado inveterado pelas películas, pelo cinema. Somente compreendi que não conseguiria dar conta de resenhar todos os filmes que iria assistir, e descrevê-los criticamente com a competência que acho que deve ser aferida à maravilhosa sétima arte. O número de filmes assistidos também diminuiu. Por ter que (tentar) dormir mais cedo. Acordar mais cedo. Demandas atrasadas do doutorado. Aumento substancial de trabalho no novo emprego, enfim... (tradução= preciso de dinheiro).

Outro motivo foi a percepção que existem blogs e pessoas melhores do que eu, e o PSQC, na faculdade de explicitar e descrever boas e más películas. Um desses espaços é o blog Quixotando, da amiga Dri. Já citado anteriormente aqui no PSQC. Visitando, lendo, vendo este blog, pude compreender que cinema é coisa séria e divertida, ao mesmo tempo, e que deve ser empregada a ele uma dedicação criteriosa, para se poder efetivamente conhecer, com pelo menos um mínimo de profundidade, esta fabulosa arte. Eu continuo um apaixonado pelo cinema, mas não posso dedicar esse tempo. Esse tempo precioso. Esse tempo criativo é focado nas palavras. No enxame de letras que me toma a mente e não me faz mais dormir. Que me faz ter uma febre inexplicável e irresistível. Letras que formam palavras. Palavras que formam frases. Frases que formam poemas. Poemas que formam sonhos. Sonhos que são somente sonhos.

E esta pequena introdução é só para relatar o motivo pela qual este filme será comentado agora. Decidi que qualquer filme resenhado pelo PSQC, deve estar ligado intimamente à proposta primordial do blog: a palavra. A "palavra" em suas variadas manifestações: poemas, prosas, romances, escritores, roteiros, artigos, dramaturgia, entre outros.

E é neste movo compromisso com o Cinefilia que foi inevit
ável a escolha de "Capote" como o filme a ser resenhado depois de todo esse tempo.

Assisti "Capote" em Fevereiro de 2005 ou 2006, em São Paulo, em pleno carnaval (lembrando que sou carioca e vivo no Rio), andando sozinho e feliz em uma Rua Augusta quase deserta. Um pouco antes tinha adentrado ao complexo de cinemas do Unibanco e olhei as opções postas aos meus olhos. Foi quando escolhi "Capote". Entrei na bela sala (naquele verão assisti muitos e bons filmes), esperei a escuridão e parti para a aventura.

Admito: Não sabia absolutamente nada sobre Truman Capote. Nada! Nadinha. Tomei um susto ao assistir às primeiras cenas e ver um ator, até então coadjuvante em Hollywood (Philip Seymour Hoffman), falar daquele jeito capotiano. Todos dentro da sala sorriram ao tomarem contato com sua primeira fala. Eu também sorri. Porém aquele filme fez um estrago em mim. Foi um marco. A história daquele escritor. A história daquele escritor escrevendo aquela real história de um assassinato quase irreal no centro rural dos EUA. Minha vida nunca mais foi a mesma. Admito. Sim. Assistir "Capote" mudou um monte de coisas, revelou outras inúmeras, suscitou um turbilhão de angústias e inquietações. A vida de um escritor estava parcialmente e cruamente exposta em uma tela gigante. Era aquilo, era aquilo que eu queria para mim, que eu desejava, que eu vicejava. Aquela história, aquela oportunidade de poder escrever novas vidas pelas mãos, reinventar a realidade, de novo, e de novo, a meu bel prazer, pelas palavras que eu quisesse, mesmo que o trabalho de Capote, em "A sangue frio" fosse justamente o contrário. Foi um choque, um verdadeiro choque. E neste instante, em pleno 2009, eu posso relatar o que foi viver essa catarse e que foi proporcionada ao assistir "Capote".

O filme é baseado na biografia autorizada de Capote, realizada por Gerald Clark (que será, em breve, resenhada pelo PSQC). Trata-se de um amálgama, uma mistura entre o auge da vida e carreira do escritor norte-americano Truman Capote e a realização do mais importante livro de sua carreira "A sangue frio" (In cold blood), e a história de dois jovens norte-americanos que assassinara
m quatro membros de uma família na cidade de Holcomb, no estado de Arkansas. Assassinaram pai, mãe, filho e filha (ainda restaram duas filhas mais velhas, que não viviam mais na casa onde ocorrera a tragédia). E as "histórias" dessas "vidas" realmente não podem ser separadas, pois se completam, se autodestroem e se contam. A vida de Capote e o assassinato da família Clutter não podem ser separados, nunca mais.

O ponto de partida do filme é o momento em que o
escritor, já prestigiado por muitos contos e dois romances, decide partir para um universo completamente diferente do seu mundo, para escrever, a principio, um artigo para a revista que contribuia. Capote nasceu no sul dos EUA, fora pobre, abandonado pela mãe, pelo pai. Adotou o sobrenome (Capote) de seu padastro, foi criado pelas primas mais velhas de sua mãe. Efeminado desde a infância, mal aluno impertinente, gay desde sempre. Conseguiu, além de ser considerado uma promessa da pulsante literatura norte-americana das décadas de 40 e 50, amigo de quase todo high socity de Nova York. Foi confidente das maiores personalidades artítiscas e companheiro inseparável dos grandes milionários do Tio Sam, na época de ouro do capitalismo moderno.

A paleta do filme é acinzentada, sombria, fúnebre. O bom humor trazido pela personalidade de Truman é somente um efeito suavizador à tragédia ocorrida
ali, em Holcomb. Quatro pessoas de uma mesma família assassinadas com tiros de espingarda na cabeça. A película se utiliza do lado melancólico apontado na biografia de Clark. "A sangue frio", o livro-arte de Capote, foi a consagração e também a trajédia do escritor. Sua vida nunca mais foi a mesma depois de cobrir a morte da família Clutter e o resto de vida de Perry Smith e Dick Hickock.

A fotografia é belíssima, com belos enquadramentos dos campos de trigo da região central da América do Norte. A trilha sonora é pugente, com seus violinos tristes mostrando a desconfiança em Garden City, sua vizinhança amendrontada, o temor e suspeitas de que um amigo, ao lado, poderia cometido tal atrocidade à proeminente família da região.

O Capote de Hoffman é triste, melancólico, já atormenta
do pelo consumo excessivo do álcool e por seu relacionamento frio com seu companheiro, Jack Dunphy. No filme há uma mistura das informações colidas por Clark, com o próprio relato de Capote em seu "pioneiro" romance de não-ficção (classificação dada pelo próprio). Outras características de Capote apontadas por seu biógrafo estão na interpretação de Hoffman. O egocentrismo, a auto-piedade, a inveja, a solidão, estão lá, nas expressões de sofrimento, no cansaço do autor loiro de origem sulista.

Philip Seymour Hoffman não é parecido com Truman Capote. Seu corpo grande e redondo se opõe à fragilidade de Capote, seu tamanho diminuto que fora fundamental para a construção de sua personalidade. Essa oposição física entre Hoffman e sua personagem fica mais clara quando assistimos a atuação de Toby Jones, também como Capote, na próxima película a ser resenhada pelo PSQC, "Infamous".

Porém a primeira impressão é a que fica. A forma e a qualidade da direção de "Capote", além da re-aparição quase que supreendente de sua figura (Capote era figura esquecida na cultura popular norte-amer
icana das últimas décadas) são alguns dos motivos pelo seu enorme sucesso de público e crítica. E não foi à toa que Hoffman ganhou o Oscar de melhor ator, por mais que haja a comparação inevitável com o Capote de "Infamous", e a interpretação do inglês Toby Jones. Mas aí entra a velha máxima, "é de quem achar primeiro". E quem "achou" e produziu "Capote" foi justamente Philip Seymour Hoffman.

Para o PSQC, algumas cenas de "Capote" são antológicas, entre elas temos: o momento em que Truman abre um dos caixões no velório da família Clutter, a despedida dos prisioneiros antes do enforcamento, a hilária cena do trem com Harper Lee, entre outras... "Capote" é efetivamente um grande filme, assim como a personagem que retratou.




A saga continua.



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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

asas de metal


Asas.
Por que somente os pássaros possuem esse privilégio?
Nosso sonho mítico é criá-las, em nós.
Enraizá-las em nossos troncos.

Porém o fundamental é a busca.
E voar, de qualquer jeito, entre mágicas fórmulas e inúmeros mistérios.
Como Ícaro.
Em seu nobre intento.

Mas para que desbravar o vento?
As chuvas.
Tempestades.
O torpor dos tormentos...

Salvar.
Salvar a todos.
Salvar-se.
Como os anjos.

Do que são feitas as asas?
Podem ser construídas de múltiplas maneiras.
Distintas formas.
Diferentes matérias.

Em suas costuras podemos, além da cera, encontrar:
Penas.
Sangue, carne.
As terrenas são sempre feitas de metal.

Mas o essencial é percebê-las.
Prendê-las às costas, às mãos, ao colo, ao toque.
Como Dédalo ensinou a seu filho.
É a lição que ficou a seus descendentes, mortais em terra.

Somos rebentos de Dédalo e Ícaro.
E como tais, devemos voar e voar, em uma obrigação divinal.
Entre o Sol e o mar.
Entre o luzir e o sombrear.

Temos que procurar outros seres.
Oferecer nosso vôo.
E olhar.
Vivificar o que o chão pode mostrar, lá do alto.

E depois voltar.
Aos céus.
Para junto de Zeus.
E nas bordas do Olimpo, morar.

Afinal o que somos, realmente, é a oferta.
De asas.
De almas.
E de corações a dar.

(para Raquel)


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sábado, 15 de agosto de 2009

Tiomac


Pedi o sanduíche. Cinco reais. Pedi a torta de maçã. Que adoro. Três reais. Pedi outro sanduíche. De gula. Mais três reais. Estava na bancada. Perdido em pensamentos. Longe dali. De repente, ao meu lado, surge uma mão. Do nada. Era um menino. Mulato. Mais baixo que eu. Sujo. Cabelos crespos. Carecia de um bom corte fazia tempo. Vestia uma camisa tão grande que parecia ser a única peça que protegia seu corpo. Camisa preta encardida, também suja. Estava descalço. Carregava na outra mão uma caixa para engraxar sapatos. Quando vi aquela mão pedinte tomei um susto. Depois fiquei com medo. Um pouco. “Moço, paga um lanche aí”. “Não, não tenho”. A cena se repetiu com todas as outras poucas pessoas que lanchavam. O menino saiu cabisbaixo. Com sua caixa em uma das mãos. Continuei quase que inerte esperando o pacote com minha janta, para viagem. Iria comê-la em casa. Cena normal. Cotidianamente comum. Até aquele momento só tinha sentido medo, susto e fome, não necessariamente nesta mesma ordem. Por alguma razão passei a olhar para as pessoas que compravam sanduíches e também comiam. Logo depois observei o cartaz que mostrava o preço do segundo sanduíche que comprei meio sem motivo. Três reais. Três reais. Três reais. O lanche demorava. Saí da bancada, fiquei procurando o menino, já fora da loja, eu e ele, ambos na rua. Avistei-o andando, se afastando, se afastando cada vez mais. O lanche chegou. Saí da lanchonete. Fitei o menino e sua caixa, também tão suja quanto ele. Então decidi ir atrás daquele menino. Comecei a correr, senão iria perdê-lo de vista. Passei por vários outros. Meninos, adultos, moradores da rua se preparando para dormir. Corria. Quando cheguei com aquele pacote outras pessoas começaram a me encarar. Comecei a ficar com medo novamente. Medo. Agora estava morrendo de medo. O menino conversava com outro rapaz, mais velho, mais alto do que o menino e do que eu. Tinha cabelos grandes, em cachos, descoloridos. “Pô tio... me dá um aí também, pô!”. Estava morrendo de medo. Eu, não eles. Tirei o pão com carne e queijo, quentinhos, e dei ao garoto engraxate com sua mão suja. Ofereci o lanche quase que correndo. Naquele instante aquela criança me deu um rápido sorriso, talvez tão rápido quanto a minha vontade de sair dali. Então disse rapidamente: “Valeu, tio”. Saí correndo mais uma vez. Queria ir logo para casa. Com meu cansaço de dia cheio de trabalho. Sabia exatamente que o que fiz não significava nada. Absolutamente nada. Nada. Nada mesmo. Mas tudo fez sentido quando aquele menino mostrou aquele rápido sorriso. Torço que minha memória me permita rever esse sorriso por muitos anos. Para que haja pelo menos alguma coisa que ainda faça sentido para mim. Cheguei em casa. O lanche, o pão, a carne, o queijo, o doce da maçã, me saciaram. Mas não matei minha fome.


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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

soul



Soul

Sou de todos.
Sou nenhum.
E sem posto,
Só há um.
Ser inteiro.

A certeza?
Só com rum!
Rum?
Mas não bebo.
Sou metade,
De bebum.

Minha alma bebe:
Linhas tortas.
Pensamentos soltos.
Mentiras deslavadas.
Verdades cândidas.

Sou de todos.
Sou nenhum.
E composto,
Há ninguém,
No ponteiro.

Sou nenhum.
Sou de todos.
Não sou nada ou
Sou inteiro?

Sim.
Eu suo.
Sou.
Sou de cada um.
Não.
Não.
Sou qualquer um.

Mas sei.
Apenas sei
Que,
Ao final.
Soul simplesmente...
Uns.


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terça-feira, 4 de agosto de 2009

a pequena história do homem que escrevia curto



Na verdade este pequeno texto, resenha, história, ensaio, sei lá!, possui este título, por minha completa incapacidade de definir exatamente o que quero realmente dizer. O que quero realmente dizer? Que por alguma razão escrevo curto. Sim. Curto. Escrever curto não quer dizer escrever pouco. Obviamente que não é escrever em excesso, ou muito, ou longo. É simplesmente escrever... curto. Tento explicar. Nunca consegui compreender a natureza exata que me compele a dizer palavras pelas mãos. Nem sei precisar ao certo este momento. Não. Sim. Sim. Acho que na verdade sei. Acho que sempre sabemos. Sabemos. A necessidade de escrever me veio aos 14 anos de idade. Muito por uma ligação íntima com a música, muito por uma timidez crônica e certamente por amores megaplatônicos, e essas, provavelmente, foram motivações pertinentes para levar-me ao duelo entre palavras, tintas e papéis (posteriormente, teclados). Recordo-me também de uma antiga professora, que destruiu em sala de aula uma redação preguiçosa, porém audaciosa (na minha humilde opinião), que tinha feito. Ela teve a sensibilidade de poupar meu nome, diante de colegas ávidos pela chacota mais vil, mas eu sabia que aquela forte crítica literária era para mim. Sabia. Talvez aquela vergonha tenha me causado um tanto de pavor e para que aquela cena não se repetisse, passei a me importar com a qualidade de meus textos, de minha escrita. Porém, hoje, 16 anos após o estopim, olho para trás e vejo que, além de minha "curta" produção, há algo a mais nessa trajetória juvenil-senil de inspirações, noites, noites, palavras, papéis, máquinas, teclados, amores, meninas, vergonhas, medos, fracassos. Algo foi plantado em mim. Uma semente sutil e misteriosa fez com que meu destino inventado tivesse um novo sentido, que minha vida não fosse mais a mesma. O que antes era um prazer, um possível dom, tornou-se necessidade, se fez ar, se fez imprescindível. E não sei dizer o porquê da poesia como forma primordial para a minha expressão artística. Por que a linguagem dos poemas foi a escolhida entre as minhas mãos para dizer o que sempre tentei esconder. Somente sei que a poesia tornou-se matéria obrigatória, disciplina da alma, alimento do coração e que me trouxe a certeza para apontar e dizer sobre outra certeza: a imortalidade existe. Não. Nunca tive acesso aos mais ilustres pensadores. Minha família não é de literatos carnívoros, expurgadores de programas televisivos, acadêmicos ressentidos pela não revolução socialista. Não. Não tive acesso a Bandeira, Melo Neto, Drummond, Moraes, Rosa, Quintana, Pessoa, Bilac. Não. Não tive. Meu desabrochar foi entre folhetins em telas de vidro, jornais populares, cinemas imundos com a presença de primos mais velhos (ganhavam um troquinho de meus pais), missas e melodias católicas empobrecidas de um bairro perdido entre uma cidade perdida na pobreza metropolitana encardida. Isso não é cantilena. É só o que vivi. Porém a poesia tomou-me de assalto. Assaltou minha mente e se fez presente. Disse: Faça! E ali estava eu. Enlouquecido. Escrevendo o que não sabia. Não sabendo o que dizer, mas dizendo. Fazendo-me psicografar conscientemente minhas palavras tortas, meu anti-estilo, meus fragmentos tontos e bobos. Sem a exata noção que estava me expondo. Arriscando minha vida, meu nome. Ou não? Ou nada. Ou simplesmente nada aconteceria. Ou nada acontecerá. Somente sei que essas palavras, esses poemas, vinham e vêm, como pílulas, como caixas, tiros, tiros poéticos que acertavam meu cérebro e faziam jorrar esse enxame de palavras que, talvez, hoje, algum sentido faça. Palavras velozes, acabadas, quase que findas em seus sentidos primordiais e totais, encerrando conteúdo e forma no mesmo significado. Significante e significado no mesmo traço. Em uma imagem. Trazendo informação e aparência ao mesmo tempo. Necessitando, somente e às vezes, de pequenos arremates, de cortes precisos, finos, algumas vezes milimétricos e quase sempre eternos. De fato um poema nunca está realmente pronto. Inteiro. Terminado. Finalizado. Um poema é sempre abandonado, largado. Largado à sua própria sorte. Pra ver que vida vai levar. Se vai brilhar nas luzes da ribalta ou se será jogado na podridão dos esgotos. Porém os próprios esgotos têm suas belezas. Bukowski que o diga. O maior temor dos poemas é o esquecimento. Na verdade o esquecimento total nem é tão ruim. O problema é o vilipêndio de canto de boca. Dos mal-dizeres dos cultos. Dos incultos. Do descrédito. Da desgraça. Mas quem tem fé na força de suas palavras, verá que isso não é para se preocupar. Pois a vida, ou a morte, se encarregarão de dirigir as flechas da reparação ou... da maldição que provavelmente virá. E aí. E aí, amigo. É só sorrir e se furtar. Rir. Chorar. Ou os dois. Por que não tentar? E também hoje percebo que o momento é de mudanças, e que se essas mudanças se fazem presentes, é porque houve um passado, uma trajetória, e hoje eu quero mais. Mais palavras. Mais estórias. Mais sangue. Quero mais. Quero palavras mais longas. Palavras que me persigam por mais tempo. Que me façam ir atrás delas por dias, semanas, meses, anos. Que os projetos se alonguem. Que as palavras se alonguem. Por que hoje eu quero mais. Muito mais. Quero viver das palavras. Quero viver pelas palavras. É por isso. É por isso que venho aqui hoje. E escrevo tudo isso. E também são por esses motivos que esse texto acaba agora. Do poeta que escreve curto. Escrevia curto. Acaba neste exato momento. O texto. Sim. O texto acaba. Acaba. Acabam as palavras, por hoje, por esses segundos. Entre os dedos e as teclas. Finaliza. Por agora. Termina agora o texto da pequena história do homem que escrevia curto.


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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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