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terça-feira, 4 de agosto de 2009

a pequena história do homem que escrevia curto



Na verdade este pequeno texto, resenha, história, ensaio, sei lá!, possui este título, por minha completa incapacidade de definir exatamente o que quero realmente dizer. O que quero realmente dizer? Que por alguma razão escrevo curto. Sim. Curto. Escrever curto não quer dizer escrever pouco. Obviamente que não é escrever em excesso, ou muito, ou longo. É simplesmente escrever... curto. Tento explicar. Nunca consegui compreender a natureza exata que me compele a dizer palavras pelas mãos. Nem sei precisar ao certo este momento. Não. Sim. Sim. Acho que na verdade sei. Acho que sempre sabemos. Sabemos. A necessidade de escrever me veio aos 14 anos de idade. Muito por uma ligação íntima com a música, muito por uma timidez crônica e certamente por amores megaplatônicos, e essas, provavelmente, foram motivações pertinentes para levar-me ao duelo entre palavras, tintas e papéis (posteriormente, teclados). Recordo-me também de uma antiga professora, que destruiu em sala de aula uma redação preguiçosa, porém audaciosa (na minha humilde opinião), que tinha feito. Ela teve a sensibilidade de poupar meu nome, diante de colegas ávidos pela chacota mais vil, mas eu sabia que aquela forte crítica literária era para mim. Sabia. Talvez aquela vergonha tenha me causado um tanto de pavor e para que aquela cena não se repetisse, passei a me importar com a qualidade de meus textos, de minha escrita. Porém, hoje, 16 anos após o estopim, olho para trás e vejo que, além de minha "curta" produção, há algo a mais nessa trajetória juvenil-senil de inspirações, noites, noites, palavras, papéis, máquinas, teclados, amores, meninas, vergonhas, medos, fracassos. Algo foi plantado em mim. Uma semente sutil e misteriosa fez com que meu destino inventado tivesse um novo sentido, que minha vida não fosse mais a mesma. O que antes era um prazer, um possível dom, tornou-se necessidade, se fez ar, se fez imprescindível. E não sei dizer o porquê da poesia como forma primordial para a minha expressão artística. Por que a linguagem dos poemas foi a escolhida entre as minhas mãos para dizer o que sempre tentei esconder. Somente sei que a poesia tornou-se matéria obrigatória, disciplina da alma, alimento do coração e que me trouxe a certeza para apontar e dizer sobre outra certeza: a imortalidade existe. Não. Nunca tive acesso aos mais ilustres pensadores. Minha família não é de literatos carnívoros, expurgadores de programas televisivos, acadêmicos ressentidos pela não revolução socialista. Não. Não tive acesso a Bandeira, Melo Neto, Drummond, Moraes, Rosa, Quintana, Pessoa, Bilac. Não. Não tive. Meu desabrochar foi entre folhetins em telas de vidro, jornais populares, cinemas imundos com a presença de primos mais velhos (ganhavam um troquinho de meus pais), missas e melodias católicas empobrecidas de um bairro perdido entre uma cidade perdida na pobreza metropolitana encardida. Isso não é cantilena. É só o que vivi. Porém a poesia tomou-me de assalto. Assaltou minha mente e se fez presente. Disse: Faça! E ali estava eu. Enlouquecido. Escrevendo o que não sabia. Não sabendo o que dizer, mas dizendo. Fazendo-me psicografar conscientemente minhas palavras tortas, meu anti-estilo, meus fragmentos tontos e bobos. Sem a exata noção que estava me expondo. Arriscando minha vida, meu nome. Ou não? Ou nada. Ou simplesmente nada aconteceria. Ou nada acontecerá. Somente sei que essas palavras, esses poemas, vinham e vêm, como pílulas, como caixas, tiros, tiros poéticos que acertavam meu cérebro e faziam jorrar esse enxame de palavras que, talvez, hoje, algum sentido faça. Palavras velozes, acabadas, quase que findas em seus sentidos primordiais e totais, encerrando conteúdo e forma no mesmo significado. Significante e significado no mesmo traço. Em uma imagem. Trazendo informação e aparência ao mesmo tempo. Necessitando, somente e às vezes, de pequenos arremates, de cortes precisos, finos, algumas vezes milimétricos e quase sempre eternos. De fato um poema nunca está realmente pronto. Inteiro. Terminado. Finalizado. Um poema é sempre abandonado, largado. Largado à sua própria sorte. Pra ver que vida vai levar. Se vai brilhar nas luzes da ribalta ou se será jogado na podridão dos esgotos. Porém os próprios esgotos têm suas belezas. Bukowski que o diga. O maior temor dos poemas é o esquecimento. Na verdade o esquecimento total nem é tão ruim. O problema é o vilipêndio de canto de boca. Dos mal-dizeres dos cultos. Dos incultos. Do descrédito. Da desgraça. Mas quem tem fé na força de suas palavras, verá que isso não é para se preocupar. Pois a vida, ou a morte, se encarregarão de dirigir as flechas da reparação ou... da maldição que provavelmente virá. E aí. E aí, amigo. É só sorrir e se furtar. Rir. Chorar. Ou os dois. Por que não tentar? E também hoje percebo que o momento é de mudanças, e que se essas mudanças se fazem presentes, é porque houve um passado, uma trajetória, e hoje eu quero mais. Mais palavras. Mais estórias. Mais sangue. Quero mais. Quero palavras mais longas. Palavras que me persigam por mais tempo. Que me façam ir atrás delas por dias, semanas, meses, anos. Que os projetos se alonguem. Que as palavras se alonguem. Por que hoje eu quero mais. Muito mais. Quero viver das palavras. Quero viver pelas palavras. É por isso. É por isso que venho aqui hoje. E escrevo tudo isso. E também são por esses motivos que esse texto acaba agora. Do poeta que escreve curto. Escrevia curto. Acaba neste exato momento. O texto. Sim. O texto acaba. Acaba. Acabam as palavras, por hoje, por esses segundos. Entre os dedos e as teclas. Finaliza. Por agora. Termina agora o texto da pequena história do homem que escrevia curto.


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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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