(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Projeto "O Espírito da Coisa: Palavras Sobre Qualquer Coisa" - Launching People Samsung



Gente é o seguinte. Este é um projeto que enviei para o programa da Samsung chamado "Launching People" e eu preciso muito que vocês curtam e divulguem aqui pelo facebook e entre seus grupos e amigos. Se trata de realizar uma plataforma on line onde eu, em parceria com artistas da Baixada Fluminense e futuros colaboradores, poderemos co-produzir e divulgar nas redes sociais literatura, música e audiovisual dos cidadãos desta região.
Ficou com dúvidas? Quer saber um pouco mais? Clique no link do projeto, leia a descrição e veja um pequeno vídeo que preparei.


Clique no link abaixo, veja o projeto, deixe um comentário e compartilhe!


Obrigado.

Besos.
Projeto "O Espírito da Coisa: Palavras Sobre Qualquer Coisa" pelo Launching People Samsung.





Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A verdade da PM


Um dia desses estava realizando meu trabalho de pesquisa sobre o Golpe de 1964 e suas consequências sociais e políticas para quem viveu àquela época, e às gerações posteriores, além das ações das policias militares e seus aparatos de repressão, quando chegou uma cartinha à minha porta.

Ao abri-la verifiquei tal texto, descrito fielmente neste momento:

"Tô de saco cheio desse discurso bonzinho e agora decidi dizer a verdade, a nossa verdade. Nós existimos para reprimir vocês. Todo mundo sabe disso. Eu sei disso, vocês sabem disso e principalmente o Estado sabe e QUER isso. Estamos aqui, nossa corporação, para dar porrada em vocês! Para evitar que vocês se manifestem publicamente, que parem de atrapalhar o trânsito e a vida dos trabalhadores-ovelhas-cordiais e honestos que não querem fazer subversão e apenas "ganhar" suas vidas. 

Não "treinamos" para pegar terroristas, porque isso não existe no Brasil, treinamos para bater, dar porrada em vocês, assim como fazíamos na ditadura, mas agora dizemos que fazemos isso para sua... proteção. De fato não temos interesse em protegê-los, mas sim em controlá-los. Para impedir que vocês realmente possam fazer o que todo governo caga de medo. De irem às ruas e mostrarem sua força para mudar as cretinices que vivemos cotidianamente. Existimos para seguir ordens do Estado, e somente seguir ordens, porque é o Estado que paga nossos salários e ainda faz existir e persistir nossa imprescindível instituição.

Portanto não venham com chororô, com conversinha. Quem ficar na nossa frente vai tomar cassetete na cabeça, bala de borracha no peito e spray de pimenta nos olhos. Nascemos para isso e iremos cumprir nosso papel. Papel de tutores de vocês, quer gostem ou não. Então vamos parar com essa baboseira de direitos humanos para todo mundo, liberdade de expressão e outras frescuras porque isso é balela, é mentira. Não existe, nunca existiu e nunca irá existir. E eu, e nossa corporação, estamos aqui para garantir que tudo permaneça exatamente do jeito que está, para o seu bem, para o... nosso bem.

E por fim venho dizer que: é melhor o senhor, escritorzinho de merda, branquelo pobre da Baixada Fluminense, parar de dizer essas coisas sobre nossa instituição, porque senão, não poderemos garantir sua integridade física. Cristo salva!

Assinado: Coronel".


Observação: Este é um texto FICCIONAL e qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência.




Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 26 de março de 2013

Carta aos alunos


A relação entre professores e alunos é um mistério desde os primórdios do tempo. Quase indecifrável entre os primeiros pés sujos de lama e cadeiras fixadas à terra, ideias peripatéticas e proposições estáticas, mestres e discípulos, púlpitos e anfiteatros, mão e palmatória, mente e coração.

O mistério que ronda este entrelace de pessoas quase sempre tão distantes e distintas, teve cunhado seu argumento na objetividade do conhecimento, de sua geração e transmissão, e há razão para isso. Mas com o passar do mesmo tempo percebeu-se que o saber não se resume somente ao que é aprendido materialmente ou intelectualmente. O conhecimento é mais, muito mais. A arte do ensinar é um caminho de muitos fluxos, onde se relaciona a vitalidade da juventude curiosa com os anos calejados de muitas leituras e algum aprendizado forçado pelas rugas da vida.

Engana-se quem acredita que nesta relação, o mestre, tutor, preceptor, ou simplesmente professor, possui importância maior. Não. Seu papel de condutor de questionamentos o leva por caminhos desconhecidos, onde no final de sua jornada perceberá que, e por fim, quem acabou por mais aprender foi ele, desde que aceita, humildemente, a função de mediador de angústias em estado de maturação. A juventude é um furacão de vida que passa por nós somente uma vez. Porém a função sagrada do professor, consagração neste momento por mim determinada, nos permite viver a juventude mais de uma vez, e mais, e mais, e mais... O mestre sempre poderá beber da ambrosia dos tempos novos, se estiver disposto a despertar sua alma a curiosos e indecisos ventos.

Porém nem todos os encontros entre discípulos e mestres, alunos e professores, são felizes ou amáveis. Neste contato sempre há de se considerar, mais uma vez, o tal do tempo, ou em uma de suas determinações mais específicas que chamamos: história. A questão é que as diferentes histórias coletivas e individuais podem estar vivendo momentos diferentes, onde as perguntas não se coadunam, os desejos são diversos, as intenções são opostas, a curiosidade é dispersa. Sim. Pode haver ódio e rancor nesta delicada sintonia. E mesmo assim, quando as arestas estão expostas, algo de bom pode ficar. Dizem que os mais odiados professores são, em sua maioria, os mais marcantes, e que as classes mais exaltadas são as que apresentam os reais desafios. Verdades e mentiras. Possibilidades e potências. Binômios. Ensinar e aprender são conceitos irmãos, e como tal, brigam, discordam, afastam-se... mas, como as relações familiares, se amam incondicionalmente e, em algum momento, aqui ou lá, voltarão às boas. Pelo menos é o que dizem alguns.

Mas após este prelúdio, ou prenúncio, venho revelar meu caso de amor com vocês, meus alunos.

Por que amo vocês? Não há racionalidade acadêmica que possa explicar esse sentimento. Então o que sobra são as imprecisas palavras de um poeta que tem a pretensão de ensinar e que pôde respirar, novamente, ares desbravadores.

Amo porque são belos. Amo porque possuem espinhas na cara. Amo porque carregam o bom humor juvenil. Amo porque se enxergam como uma turma, apesar de todas as diferenças. Amo porque são preguiçosos. Amo porque gostam de festas. Amo porque fazem perguntas ingênuas, e essas são sempre as melhores. Amo porque estudam em casa. Amo porque sofrem ao estudar em casa. Amo porque sofrem e choram ao fazer provas. Amo porque chegam à aula com a cara amassada e com sono após uma noite mal dormida por uma balada qualquer. Amo porque, mesmo assim, lêem os textos e se preocupam com as notas. Amo porque faltam às aulas, e no fim se preocupam com o que o professor vai pensar sobre cada um de vocês. Amo porque os invejo, porque os vejo em mim, em um passado que não voltará, a um momento que não poderei viver mais, não mais. Amo porque são o espelho para que, às vezes, eu possa me revisitar e me reviver. Amo simplesmente porque são os meus alunos.

E diante desta breve experiência de vida que já carrego, o que posso deixar? Que pequenas lições poderia dizer, sem o peso das regras exatas e dos ensinamentos cheios de verdade. Deixarei, portanto, um pouco do que vi e vejo, nos dias e noites em que procuro ser uma melhor pessoa e viver em um melhor lugar, em um melhor país.  

Digo. Amem-se como colegas, amigos, companheiros. Nunca viverão novamente o que estão vivendo agora. O desafio do conhecimento só se torna uma aventura feliz quando se é vivida coletivamente, com amigos queridos. Curtam as festas, as danças, as músicas, os encontros, os romances, as separações, as brigas.

Não se esqueçam que nem todos os que convivem com vocês serão realmente seus amigos, mas guardem um espaço na memória e em seus corações para eles. Lembrem-se, vocês irão brigar! Deixarão de falar uns com os outros e talvez nunca mais refaçam as pazes, mas não se esqueçam de jogar fora todas as mágoas, elas ocupam um lugar precioso. Não esqueçam seus pais, seus familiares, seus amigos de infância, amigos da rua... Se hoje estão na casa do saber, lembrem-se que aqui estão porque outras pessoas os conduziram.

Não se esqueçam da sala de aula, de suas cores, luzes e cheiros. Não se esqueçam dos ônibus lotados. Não se esqueçam das moças que limpam o prédio e os banheiros. Não se esqueçam do dinheiro minguado para o almoço e as fotocópias. Não se esqueçam dos funcionários da secretaria, eles podem ser muito importantes para vocês. Não se esqueçam do professor chato. Não se esqueçam do texto impenetrável. Não se esqueçam da greve. Da falha. Da falta. Das provas. Das broncas. Dos afagos. Das piadas. Das risadas. Dos abraços. Dos beijos. Do bocejo. Do gracejo. Não se esqueçam!

Não, não se esqueçam de... mim.

Obrigado por tudo.




Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

honraria

honraria


Nós humanos efetivamente somos criaturas peculiares. Agraciamos, presenteamos, premiamos nossos expoentes na literatura, na música, na ciência, nas artes plásticas, entre outros, quando estão bem velhos. Quase sempre velhinhos, bem velhinhos.

Mas a pergunta é... por quê?

Se só queremos honrarias para oferecê-las aos nossos pais, e estando velhinhos, quase sempre nossos progenitores já se foram, partiram para novos caminhos. Ou não. Então ganhamos nossos prêmios esperando o reencontro com nossos saudosos e queridos para afinal perguntar-lhes:

-Pai, mãe, vocês estão orgulhosos de mim?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Observação 5:


O que fazer com um livro ruim?

Esta é uma questão que pode parecer fácil e até simples de responder, mas que me causa uma dificuldade imensa para enfrentá-la, e que ainda permanece.

Parece ser senso comum que nossas escolhas e "gostos" se definam pela construção de nossa identidade social e psíquica, e esta identidade é formada por elementos complexos. O contexto social, a educação dos pais, a educação formal e informal do próprio indivíduo, o acesso à cultura, o poder econômico. Esses diversos fatores (entre outros) podem ser resumidos citando-se um conceito de Pierre Bourdieu, que fala sobre o conjunto de elementos de nascença e as escolhas pessoais que definem o habitus de uma pessoa.

E tudo isso escrito acima para resumir uma percepção clara: Quando toca uma música que não gostamos, simplesmente a passamos no tocador; quando no radinho está a estação que detestamos, simplesmente mudamos seu número no dial; ou quando no cinema vamos às salas assistir ao que mais ou menos já sabemos o que encontrar.

Mas e quando esse produto cultural é um livro? Obviamente que podemos escolher um livro pela capa, e principalmente pelo autor, por quem o escreve.

Porém explico minha aflição. Ganhei um livro no final do ano passado. Um livro de um autor brasileiro, um best seller em vendas (não, não é o Paulo Coelho), e que sem problema algum decidi enfrentar. Acredito que livros são enfrentados, são desafios entre autores e leitores. Além disso não tenho nenhum problema com autores populares
. Leio desde Dan Brown a Saramago, passando por Clarice Lispector a Rubem Fonseca, sem problema algum.

A grande questão é que efetivamente o livro que ganhei era ruim, muito ruim. Tive a informação que era o segundo livro de uma trilogia, então imagino a porcaria que era o primeiro livro dessa trilogia. Personagens superficiais, história risível, trama boba, situações inverossímeis. Uma tentativa mal feita de trazer uma mensagem positiva para um mundo negativo, através de má literatura. É claro que a pessoa que me presenteou não sabia que eu não iria gostar da leitura. Um livro pode ser comprado pela capa, pelo título, pelo tema ou assunto, mesmo sem se conhecer muito bem seu autor. Neste caso houve uma associação entre o título do livro/presente e minha personalidade. O presenteador está completamente isento da responsabilidade pelo sucesso do presente. Um presente é sempre uma tentativa, um risco, às vezes se erra, porém todo presente é bem vindo, o lema do "o que vale a intenção" é verdadeira.

Porém um estranho fenômeno aconteceu. A história era ruim, os personagens eram mal construídos e a leitura era extremamente irritante. Mas como largar o livro. Ao meio? Sem terminá-lo? Passamos a música, não vemos o filme, trocamos de canal... mas como não terminar o livro? Lê-lo era quase um suplício, uma dor. Aquele objeto ocuparia um lugar em minha estante, tomaria o lugar de um livro melhor. Não poderia me desfazer do presente. Mas o que fazer com aquele maldito objeto?

Já comecei e parei de ler alguns livros. Mas nestes outros casos foi a pura percepção e intuição de que ainda não estava preparado para tal texto, ou tema, ou autor. Posteriormente voltei a estes livros, e os enfrentei, apesar de saber que em algum momento terei que voltar a alguns deles novamente. Mas com este recente livro/presente não foi o mesmo caso. E a persistência da angústia entre não querer lê-lo e acabar com o sofrimento e finalizá-lo logo para começar outra obra. E na continuação dessa questão que ainda me persegue, lanço a questão para os leitores do PSQC:

O que fazer com um livro ruim?


Besos.

Obs.: Já terminei o dito cujo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

5 cenas "olímpicas"


Em homenagem à nossa cidade, agora olímpica,
e aos anéis que representam os jogos e a paz,
mostro 5 cenas de como nossa cidade e estado estão se preparando para receber o mundo
e as Olimpíadas.



Fonte: http://gritodanacao.wordpress.com/2008/04/26/



Fonte: Foto: Marcelo Mora/G1


Fonte: Foto: AP/Eduardo Naddar

Fonte: Waleska Borges - O Globo e G1


Fonte: Foto: AE/www.band.com.br


Legendas da sequência de fotos, de cima para baixo:

1 -Acidente com trens em Japeri fez 18 feridos leves, dizem bombeiros
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1347207-5606,00.html

2 - Fraudes em licitações no Rio passam de R$ 20 milhões, diz polícia
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1366441-5606,00-FRAUDES+EM+LICITACOES+NO+RIO+PASSAM+DE+R+MILHOES+DIZ+POLICIA.html

3 - 33 mortos no Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1349884-5606,00.html

4 - Mulher baleada e morta, filha de 11 meses é atingida em seu colo
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1355495-5606,00-MAE+MORTA+POR+BALA+PERDIDA+NA+PENHA+E+ENTERRADA.html

5 - Helicóptero da PM é derrubado no Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1345097-5606,00-POLICIA+SABIA+DE+ATAQUE+AO+MORRO+DOS+MACACOS+DIZ+SECRETARIO+DE+SEGURANCA.html
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1344863-5606,00-NUNCA+VI+TANTO+TIRO+NA+VIDA+DIZ+MORADORA+DO+MORRO+DOS+MACACOS.html


E para encerrar a demonstração de como nossa cidade e estado são seguros para nos próximos 5 e 7 anos receberem uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, vamos ler e nos sentir aliviados com a incrível fala e descoberta de nosso secretário estadual de segurança pública, José Mariano Beltrame:

"O Rio de Janeiro não é violento, diz secretário de segurança do estado"


Fonte: http://www.imprensa.rj.gov.br/SCSSiteImprensa/detalhe_foto.asp?id=16961#



Também não podemos nos esquecer da morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva, e da incrível atuação de nossos policiais militares:


Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/10/21/pms-liberaram-bandidos-responsaveis-pela-morte-de-coordenador-do-afroreggae-770062691.asp



Boa sorte população do Rio, boa sorte!

Viva nossa cidade olímpica!



Fonte: http://pombosemasa.wordpress.com/


Que os deuses olhem por nós!

Besos.


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domingo, 22 de novembro de 2009

covarde


Às 10:30h do dia 19/11/2009 tentei entrar em uma agência da Caixa Econômica Federal para assinar a escritura e o contrato de financiamento do apartamento que comprei junto com minha noiva. Fiquei preso na porta giratória. Já tinha decidido há algum tempo que não permitiria ser humilhado publicamente, quase tendo que mostrar minhas roupas íntimas (cueca) a um banco pelo qual eu iria PAGAR pelos serviços.

Após ficar preso à porta, decidi ligar para o 190. Já tinha colocado todos meus objetos metálicos na caixinha da porta, mas não tinha aberto minha mochila por saber que não sou obrigado a fazê-lo e por entender que não havia nada dentro da mochila que impedisse da porta girar, somente o dedo do segurança no controle remoto, travando-a. Falei rapidamente com a Polícia Militar (lembrando que estava na Cinelândia, Centro do Rio, e se estivesse em um bairro do subúrbio ou da Baixada, com certeza não haveria tanta presteza).

Mas algo aconteceu. Minha ante-cidadania, minha covardia de ser cidadão falou mais alto. Intimidado pela fala agressiva do segurança, pelo nervosismo da minha noiva, pelo meu medo de algo de ruim que pudesse acontecer, abri todas as abas de minha mochila, onde só continham... papéis. Papéis que provavam somente o professor que eu sou.

Passei pela porta, subi ao segundo andar da agência. Ordeiro, pacato. Subi para assinar meu contrato e PAGAR pelos serviços de assessoria da Caixa (por uma rápida pesquisa feita pela internet para saber se posso ou não ter crédito, pagamos R$ 400, 00 reais). Por incrível que pareça a polícia apareceu. Escutei o segurança dando alguma prestação de contas ao policial que queria saber o que tinha acontecido. E permaneci sentado, lá encima, ordeiro, prontinho para PAGAR pelo meu bem, como bom cidadão que sou.

Enquanto estava sentando ao lado de minha companheira, senti aquela sensação amarga na boca. Aquela vontade de tudo quebrar, de tudo gritar. E o gosto azedo das palavras que me perseguem desde aquele momento: COVARDE, COVARDE.

Algo está fora da ordem. Ou eu não mereço esse país, ou ele não me merece.

COVARDE, COVARDE.

Ainda queima em meus ouvidos.

COVARDE.



Agência da Caixa Economica Federal- Cinelândia/RJ.
Praça Floriano.


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Observação 4:


OAB/RJ- As campanhas

Hoje estava tentando andar (torci o tornozelo) pelas ruas de Nova Iguaçu para ir ao Fórum entregar uns documentos do SERH e depois passar no Hospital, quando reparei dezenas de pessoas com camisas coloridas e números às costas, bandeiras com fotos de pessoas desconhecidas e senhores uniformizados (leia-se "terno e gravata") caminhando em bandos.

Logo pensei: "Ué, o TSE liberou a propaganda política antes do tempo?". Ledo engano, tolinho. Na verdade eram campanhas, em plena rua, tentando arrebatar votos para a nova presidência da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil. Campanhas nas ruas? Mas só quem pode votar não é quem tem a famosa carteirinha?

Tenho um companheiro de trabalho que é advogado e que foi obrigado a votar hoje. Pelo visto o voto dos filiados à OAB também é obrigatório. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de haver campanhas com um número considerável de pessoas e obviamente com um custo elevadíssimo em uma cidade média/grande como Nova Iguaçu (que não é uma metrópole). Fico imaginando o custo dessas campanhas na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

Outro detalhe interessante: Segundo esse mesmo companheiro de trabalho, o cargo de presidente da OAB não é remunerado. Engraçado... então esse trabalho deve ser muito bom mesmo, muito digno, etc. Não sei não, mas acho que como não há remuneração, deve haver outros dividendos neste cargo, ou então não investir... gastariam tanto nessas campanhas. Quem sabe não pode pintar em um futuro próximo, por exemplo, uma vaguinha como deputado estadual, ou como deputado federal, ou uma presidência de tribunal aqui, outra acolá...

Bom, deixa eu parar por aqui porque não tenho dinheiro para pagar processo não...

Besos e bons advogados para esse país.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009



Bom, acabou de ser anunciada a cidade sede para as Olimpíadas de 2016, e a cidade do Rio de Janeiro foi a escolhida. Não sou daqueles que torce para que tudo dê errado para que minha tese dê certo, ou seja confirmada.


Acredito que essas Olimpíadas sejam a chance mais importante da história da cidade do Rio, e espero que os jogos tragam benefícios para a população, para TODA a população. Que além dos jogos vejamos em nossa cidade e estado uma transformação de como se fazer política e de como se pensar o urbano.

Que 2016 seja um marco para todos nós!


Parabéns Rio de Janeiro!


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Olimpíadas - Rio 2016! Eu sou... contra!



Sim, pode parecer um contrassenso não desejar um evento tão grandioso para nossa cidade e país, mas neste caso meu pessimismo e percepção de realidade mostram algo que não gostaria de sentir e pensar, porém afirmo: SOU CONTRA A REALIZAÇÃO DAS OLIMPIADAS DE 2016 NO RIO DE JANEIRO!

Sou um aficcionado por esportes. Por quase todos eles. Sou daqueles que não perde o futebol televisivo de quartas e domingos. Que quando escolhe a primeira ou segunda página da internet, ela certamente é uma página esportiva. Na verdade acho que um de meus sonhos sempre foi ser um atleta profissional. Não fui por causa da minha altura e provavelmente do meu não-talento, mas sempre pratiquei esportes. Natação, judô, futebol, voleibol, corridas e caminhadas. Minha adolescência foi recheada de amigos, acampamentos e práticas esportivas. Era um bom jogador de volei, habilidoso levantador, mas minha altura não me permitiu vôos mais altos, literalmente. Além disso sempre fui muito focado em minhas escolhas profissionais presentes e futuras. Sempre flertei com os estudos e leituras que tomariam quase todo o tempo de minha vida, como tomam até hoje. Mas sou um apaixonado por esportes. Nunca joguei tênis em minha vida, mas posso ficar horas assistindo jogos seguidos dessa modalidade, inclusive descrevendo regras e nomes de jogadas, que acabo explicando para minha noiva que é formada em... educação física!

Sempre imaginei e vicejei a realização de grandes eventos esportivos em nosso país. Porém um grande desencantamento tomou-me de assalto após um grande evento esportivo realizado na cidade do Rio de Janeiro, o Pan 2007. Este evento minou todas as minhas esperanças de que algo poderia mudar na cidade do Rio ou em nosso estado, após um evento grandioso, transnacional, internacional. Decepção, infelizmente.

Já tinhamos provas de que é possível controlar nossa violência descontrolada por curtos e específicos espaços de tempo. A ECO 92, realizada também no Rio de Janeiro, foi uma prova dessa capacidade. A utilização das forças armadas gerou até uma demanda popular para que a segurança do estado permanecesse com os homens verde-oliva.

E mais uma vez a violência deu uma "trégua" durante o Panamericano de 2007 (será que nossa mídia não ajudou um pouquinho também...). Porém as principais motivações levantadas, apontadas e comemoradas pela mídia e principalmente pelos governantes e políticos eram as melhorias que seriam implementadas na cidade e na região metropolitana devido à realização dos jogos em solo fluminense. Milhões foram gastos. Estádio, centro de esportes aquáticos, pista de ciclismo ultra-moderna, reformas na marina da Glória, na Barra da Tijuca. Na Barra da Tijuca?!?!?! Sim, enfim... esquema de transportes, de segurança, tudo isso e um enorme dividendo político. Quem não queria sua boquinha. O prefeito-do-casaco, o quase eterno da cidade do Rio de Janeiro fez de tudo pelos jogos. Aí vem no pacote toda a turma dos asseclas do prefeito, do governador. Vêm os vereadores, os deputados estaduais, federais, o presidente da República.

E dois anos depois vemos tudo se repetir. Vemos o prefeito, o governador e o presidente como amigos íntimos. Pedindo animação para a população, pedindo votos para o COI. O governador deu até ponto facultativo no dia que será revelada a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Pelé está nessa, como sempre, como em todas, desde a ditadura... tudo bem, ele é o rei de direito, talvez o único em toda nossa história.

Mas vamos ao panorama cotidiano: O prefeito e sua choque de ordem. Sobre quem? Sobre pobres, camelôs, moradores sem-teto, moradores de rua, os muros em favelas. Choque de ordem sobre os motoristas, através da fábrica de multas municipal... Para quem? A elite da zona sul carioca. Nada de anormal. O governador? Nosso governador gosta de mandar bater em professores, dar aumentos com prazo de 7 anos, piorar a qualidade de vida dos moradores da região metropolitana acabando com, no mínimo, 740 vans e tirando emprego desses motoristas, apesar de ser necessária uma regulamentação. Nosso presidente parece estar em eterna campanha, e está mesmo, pois Dona Dilma tem que vir forte para o ano que vem.

E o que restou do Pan 2007? Nada! Absolutamente nada! Temos um estádio olímpico lindo, sub-utilizado pelo Botafogo (meu clube de coração), e que também seria mal utilizado pelos nossos outros "organizados" clubes cariocas. Temos o centro de esportes aquáticos quase parado. O equipamento para o ciclismo largado. O transporte, como vai? O lixo de sempre, cada vez pior. A segurança pública? Bom, é melhor parar por aqui.

Estou cansado de ser feito de otário, de babaca. De ser humilhado pelo estado. De ficar com medo de tomar quinhentas multas por dia nas ruas do Rio. De andar com medo em qualquer hora do dia. De rezar para ter dinheiro para poder pagar o plano de saúde, não somente o meu, mas o de toda minha família. Chega! Temos que parar com os ufanismos, com os bordões de "agora vai dar". Desse jeito não vai dar. Nunca deu. Só vai melhorar quando cobrarmos de verdade. Quando pararmos de eleger essa corja, como sempre elegemos, sempre. De pararmos de enriquecer Odebrecht's , Andrade Gutirrez's, sem saber nada sobre essas licitações. Vide a nossa famigerada Cidade da Música, ex-Roberto Marinho.


A população de Chicago está correta. Eles também sabem que esses jogos só servem para alguns ganharem dinheiro, e esses "alguns" não são a população em geral, os pobres. Eles sabem. Eles foram governados pelo Bush. Foram e estão sendo roubados pelos ex-ricos bancos americanos, com a plaquinha do governo americano e uma foto de Obama dizendo "I'm sorry".

Temos muita boca para alimentar. Muita favela para asfaltar. Muitos alunos para aulas decentes dar. Muita arma para proibir entrar. Muito político para mandar se ferrar...

E se você acha que as coisas vão melhorar com a Copa do Mundo, com as Olimpíadas, sinto muito! Tá na hora de olhar pra trás e acordar. Estou fechado com o pessoal de Chicago. Mudo somente o meu voto:

!Viva Madrid 2016!

!Olé!


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Revolta cinematográfica: Não ao filme dublado!


CHEGA! NÃO AGUENTO MAIS! VENHO POR MEIO DESTE POST DEMONSTRAR TODA A MINHA INDIGNAÇÃO:


NÃO DÁ MAIS PARA IR ÀS SALAS DE CINEMA DA BAIXADA FLUMINENSE.


Não é mais possível assistir nenhum filme em Nova Iguaçu, São João de Meriti ou Nilópolis sem ser com cópias DUBLADAS!

Não sei porque mas o
Grupo Severiano Ribeiro, e outros grupos que possuem e administram salas para a reprodução e venda da sétima arte, acham que toda a população do Rio de Janeiro, que não faça parte do eixo Centro/Zona Sul (Botafogo)/Barra, é analfabeta. Porque não há razão para que eles não reservem pelo menos uma cópia ou horário para alguém que quer ouvir voz e som originais de um filme estrangeiro.

Para citar um exemplo: Fui com minha namorada ver o filme "Wolverine" no
Severiano Ribeiro do Top(?)Shopping em Nova Iguaçu. Opção mais pipoca e comum que alguém poderia escolher. Tiro certo para diversão fácil e rápida. Chegando lá só havia uma alternativa: cópia dublada! Perguntei se poderia falar com o gerente. Foi quando o homem do guichê falou que eu poderia falar com ele, falou com tanta propriedade que acreditei mesmo que além de homem-do-guichê, ele também fosse o gerente.

Pergunta: "-Por que não existem mais cópias legendadas aqui em Nova Iguaçu?"
Resposta: "-Por que 90% do público pede cópias dubladas!"
Contrapergunta: -"Porra! E os 10% da qual eu faço parte?"
Contraresposta: ".........................................."

Gente, vocês não fazem ideia de quanto dinheiro e lucro eu já dei para o
Grupo Severiano Ribeiro. Possuo uma caixa repleta de tickets de filmes que não jogo fora, e que vão perdendo as informações, ficando só aquela contracapa escrito em vermelho: Severiano Ribeiro. Mas não me importo, pois sei que aquele papelzinho representa a memória de algum filme (bom ou ruim) que me emocionou e marcou um momento de minha vida dentro de um cinema. Sou um cinéfilo inveterado e apaixonado.

Mas continuando nossa saga...

Depois de resistir um pouco e de alguns palavrões ditos em voz inaudível (e que só Dona Carla pôde desfrutar), entramos na sala para assistir ao mutante de garras de osso e depois de adamantium. Bom, o filme é fraco, mas isso não importa.

O que importa é que fomos assistir ao filme já putos da vida, e para a nossa não-surpresa essa foi a cópia com a dublagem e com o som mais porcaria que já vimos e ouvimos em uma longa trajetória de filmes assistidos, juntos ou sozinhos. Nós não conseguíamos ouvir as vozes mal-dubladas dos personagens e para completar a cópia tinha um CHIADO horripilante. É isso mesmo que vocês estão lendo! Vimos o filme mais pipoca do ano com um tremendo de um chiado. Chiado este que fez com que nós perdêssemos, por exemplo, as falas na cena do helicóptero (quem não viu... não liguem, não há muito o que perder).

Saímos frustrados com a falta de respeito da empresa com relação ao som da cópia oferecida aos clientes e depois desse evento decidi não mais ver filmes da rede e muito menos com cópias dubladas.

O mais triste é perceber que no Rio de Janeiro só há, praticamente, duas opções para se ver filmes legais e em boas condições. Na verdade só existem dois bairros para isso: Centro e Botafogo. Se você não mora próximo, ou frequenta constantemente esses bairros... esqueça! Irá ter que aturar filmes mal dublados e com chiados. Se for da Baixada então... é melhor nem ir ao cinema, porque além disso tudo persistem os aborrecentes que vão gritar o filme todo e você pode cometer um ato violento (agradeço cada minuto que Carla me acompanha dentro de um cinema hoje em dia, pois já poderia ter cometido algum assassinato dentro da sala escura).

Só queria deixar algo claro para o
Grupo Severiano Ribeiro e para todos os shoppings que possuem cinemas:

A população da Baixada Fluminense e dos subúrbios, em sua grande maioria, sabe ler e escrever, mal, mas sabe. E uma parte substâncial dessa população deseja e almeja assitir filmes podendo ouvir e testemunhar a interpretação e som originais de um espécime hollywoodiano ou de qualquer outra origem.

Irei, então, destilar e focalizar toda a minha fúria contra o
Grupo Severiano Ribeiro com o slogan:


COM FILME DUBLADÃO, SEVERIANO RIBEIRO NÃO!

Juntem-se ao PSQC nesta companha:



Cinéfilos cariocas uni-vos neste grito contra a opressão das vozes que não combinam com os personagens. Contra o baixo volume que faz a gente ficar perguntando ao companheiro ao lado: "O que ele disse?". Contra os chiados insuportáveis que quase todos os dubladões carregam.

Digam não!

Besos revoltados.


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quinta-feira, 4 de junho de 2009




Por que algumas pessoas têm medo de teatro?
Por que o público tem medo de interferir ativamente em espetáculos teatrais?
Por que o teatro é tão caro?
Por que o teatro é tão mais caro do que o cinema?
Por que é tão elitista?
Por que o teatro popular, em sua maioria, é oferecido com comédias pastelões?
Por que Shakespeare tem que ser difícil?
Por que não tem um grande teatro em minha cidade?


Ou será que esses por que's simplesmente não existem?


Sei lá o por que...



segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Furacão 2001 - Expresso 171



O turbilhão começou e a vontade se torna cada vez mais incontrolável. Acordo no meio da madrugada como um louco. Dano a sentar na frente do computador, e como um vampiro literário escrevo alucinado sobre nada, pois nada do que penso, hoje, tem importância. Mas escrevo ensandecido de curiosidade por onde irei chegar e se conseguirei aportar em algum lugar.


Sonho com a fama, a fama mais vil: mulheres, dinheiro, carros, sexo, sexo, sexo... Porém as coisas mais fáceis, não consigo. As meninas de 13 anos por quem me apaixono, não me dão bola. E olha que não sou um cara feio e ruim de papo, muito pelo contrário, bom, a modéstia nunca foi um de meus maiores atributos. Minha mãe me diz isso.

Então estou aqui continuando a escrever como um louco, querendo formar um novo clube da esquina, ou uma nova tropicália, ou uma nova bossa-nova. Não tenho um nome, mas tenho idéias, tenho uma gama de amigos talentosos e não tenho dinheiro, fator fundamental, pois senão, seria chamado de "burguês do berço de ouro".

Portanto sou um filho da Baixada pensando em ser escritor, antropólogo, falar francês e inglês e ao mesmo tempo “meter o malho” nestas culturas imperialistas. E quando tiver 55 anos, me converter a alguma religião, ter filhos, trepar com algumas mulheres bonitas e morrer de câncer. Ser um intelectual genial e genioso marcado nos anais do Brasil.

E algum rico cineasta pegaria minha história e estórias, faria um roteiro genial e produziria um filme que se tornaria o primeiro filme brasileiro ganhador do Oscar. E eu já morto, me contorcendo no caixão por não ter podido levar a estatueta dourada (ela não é de ouro) para a escrivaninha de mogno contrabandeado do meu escritório. Sala de trabalho feita de pau-brasil de uma reserva Xingú.

Bem, acho já tive minha visão mediúnica de hoje. Amanhã tenho que acordar e lembrar do dinheiro da passagem do ônibus, do “esporro” do chefe, do fora da menina de 13 anos, da minha mãe na menopausa, do meu pai sem emprego...

Bom, amanhã voltarei a ser mais um latino-americano com pouco dinheiro no banco.



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terça-feira, 7 de abril de 2009

E A NECESSIDADE BÁSICA DA SOLIDÃO



A solidão tem seu fundamento básico, hoje foi possível verificar essa proeza. É quando você fica preso a um sofá ouvindo horas de soul music, e se pega a refletir sua vida nesses escassos minutos. A solidão é necessária. Não pelo seu melancolismo depressivo, mas pela vontade de ter o que não temos, e ser o que não somos.

Então toda a minha busca pela companhia pode ter sido em vão. Quem quer uma companheira perfeita se pode imaginar um perfeito passeio pela Lagoa, ouvindo Jobim cantando "Lígia". Quem precisa de uma amada se você pode tê-la coladinho, ao seu lado todo o tempo, ou amando-a em uma praia perfeita na Ilha Grande... apenas sonhos infantis.

A solidão é perfeita, perfeita não, é uma geradora de sonhos possíveis, alcançáveis pelos dedos, uma pseudo-realidade da beleza, onde os “-is” já têm seus pingos, e todos os amores são louras e lindas, morenas e inteligentes, negras e interessantes.

Então para que a busca? A busca é só um chamariz de vida, para quem não se preocupa em ficar rico (como eu), e ter uma vida a dois, linda, com seus filhos pródigos. É o produto melhor que a solidão pode nos dar. Por isso existem tantos “sós”.

Eu sou só pela conjectura, talvez nunca seja um “junto” mesmo.

A solidão é charmosa, sempre combustível para reflexões, belos textos, poemas de dor e amor, e então para quê dividir essas idéias fantásticas com alguém? Para quê dividir sua alegria e sua tristeza? Compartilhar é coisa dos fracos.

O mundo perfeito com flores dentro do gramado verde existe! O quê uma sessão de música não faz? É só entrar pela porta da frente e sonhar.

Agora a pergunta é: "Como será o outro lado?" É como a esquerda e a direita, ou como o Velho e Getúlio? Você nuca quer entrar no outro lado, sempre com seus radicalismos verdadeiros e cheios de verdade, redundância necessária.

E aí observa-se que na história sempre alguém se troca, compartilha no amor ou na guerra, verdadeiramente ou por necessidade. Entre os dois (ou muitos) lados tornam-se importantes as descobertas de amor imperfeito e promiscuo. A empáfia do totalitarismo é reprovada empiricamente. Todos os autoritários têm na solidão seus destinos. Então descobrimos a outra função da solidão:

Casa para os iniciantes, prisão para os derrotados.

Desbravar é a palavra chave, o medo é o freio da alma, mas é mais freio das ações. A solidão é necessária, o indivíduo precisa dela para se ver como pensante e vivente. Que as solidões se juntem para uma reflexão coletiva e desbravadora. Mas que não se sintam obrigados a ceder suas convicções, sejam elas pessoais, políticas ou religiosas. Liberem o orgulho em troca de poder ouvir, tranqüilamente, Marvin Gaye no sofá. E, tomara, que possam um dia fazer isso sem ter que tropeçar em alguém faminto na calçada ao abrirem a porta de casa no dia seguinte.

Sejam sós, mas também sejam “nós”.

Mas afinal de contas, acho que estou precisando de uma namorada.


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sexta-feira, 27 de março de 2009

O carnaval, eu e a identidade nacional 2



Mesmo após a passagem do carnaval e o efetivo começar de ano em nosso calorento país, escrevo o que considero a continuação de um texto postado ano passado, quando expus minha relação com o, talvez, evento festivo mais significativo de nossa cultura nacional: o carnaval.

No começo do ano passado, após descansar o período do carnaval em Petrópolis, na linda casa de minha querida amiga Lucinha, eu e minha amiga/companheira/amante/namorada Carla Lemos decidimos que em 2009 iríamos curtir o carnaval na Sapucaí. E como promessa é dívida, lá fomos nós para a Marquês de Sapucaí neste último Fevereiro.

Promessa é dívida, e como é dívida. Decidimos que queríamos ficar em um bom lugar na passarela do samba. Mas não tínhamos grana para comprar os ingressos mais caros. Partimos para comprar os mais baratos entre os mais caros. Setor 4. Preço da bagatela para dois ingressos: R$ 220, 00 reais. Bom, ingressos comprados e lugares escolhidos: quase em frente ao recuo da bateria, ao final do desfile.

Escolhemos ir no domingo de carnaval, pois a Carla é Beija-Flor doente e eu também tenho um carinho pela escola de Nilópolis, lembrando que somos nascidos e criados na Baixada Fluminense.

Fomos ao Centro de trem. Pegamos uma composição cheia de pessoas fantasiadas e alegres, até um gorila tomando um Ice passava impune em meio às pessoas. Um negro alto e forte usava confortavelmente uma mini-saia branca e uma baby look rosa, uma graça. Duvidam? Terminem de ler esse texto...

A viagem foi tranquila, mas um pouco demorada. Sabíamos que não iríamos ver o desfile da Império Serrano, tudo bem. Queríamos mesmo a Beija-Flor. Andamos pacas! A entrada do Setor 4 era bem longe da Central do Brasil. A Presidente Vargas estava lotada, mas em festa. Depois de muito andar chegamos e entramos tranquilamente no setor informado por nossos ingressos.

Foi quando tomamos um susto.

A arquibancada da passarela do samba parece uma arquibancada de um estádio de futebol, e é. Mas possui uma diferença gritante em relação aos lugares exclusivos para as torcidas de futebol... as pessoas que frequentam os estádios de futebol são infinitamente mais educadas do que qualquer ser que esteja dentro da Sapucaí. Surpresos? Nós também ficamos. O local estava lotado, não havia lugares vazios para se sentar e ver o desfile, as pessoas sentadas estavam com as pernas abertas como se aquele espaço fosse um pequeno feudo, um reino só delas. Quando a escola passava pelo setor todos se levantavam e assistiam de pé. Até aí tudo bem. Estou acostumado com isso no Maracanã, no Engenhão.

Mas ficamos realmente assustados com a falta de educação de todos os presentes naquele lugar. "Esse lugar é meu", "Estou aqui desde as 15h e vocês não podem ficar aqui!, "Vaza!". Até vaias tomamos. Em um momento de desespero comecei a mostrar a porra do crachá que carregava ao peito, dizendo que também tinha pago por aquele lugar (que naquele momento não existia). Pedi ajuda a um segurança, e neste momento a revolta tomou contornos mais graves. Ele pegou no meu braço disse que não podia fazer nada e que não podíamos sentar no isolamento das cordas (local onde as pessoas saíam para os banheiros e única possibilidade de sentar e ver os desfiles naquele momento), foi quando virei para o tal segurança e falei :"SOL-TA O MEU BRA-ÇO!", e a resposta foi: "VAI À MERDA!".

Nossa entrada na Sapucaí foi muito traumática, e temi que tivéssemos entrado em um belo programa de índio. Subimos as escadas da arquibancada e sentamos no tal lugar "proibido", fora do isolamento das cordas (nesse momento era impossível qualquer segurança controlar quem sentava ali). Fizemos aquela amizade instantânea (já conhecida por mim nos estádios de futebol) com um par de pessoas, filho e mãe, que estavam pela primeira vez na passarela do samba, assim como nós. Ele vindo do Ceará e ela moradora do Rio de Janeiro fazia anos. Ficamos ali papeando, mas ainda putos. A Grande Rio desfilava mas não estávamos no clima de acompanhar. Vimos a Susana Vieira tirando um cachorro que também desfilava alegre pela avenida.

Aos poucos fomos relaxando e o encantamento pela dimensão e brilho do espetáculo foi nos contagiando. A palavra exata para o que os desfiles nos causaram é: grandeza. Sim, é um teatro, em uma escala sem igual, e uma perfeição escultural que deixa qualquer um atordoado. Vimos posteriormente a escola que consideramos a mais bonita, a Vila Isabel. Luxo, criatividade, enredo. Tudo belo. Mocidade, Beija-Flor e Unidos da Tijuca completariam o mesancene. Dizem que o carnaval do Rio de Janeiro é maior espetáculo da terra. Não sei dizer se é verdade, mas a grandiosidade e a beleza são realmente impressionantes. Outra maravilha são as baterias. Ficamos em frente ao local onde elas repousam durante quase todo o desfile, o conhecido "recuo da bateria" . E neste quesito a bateria da Mocidade foi imbatível, um show.

O público de nosso setor era bem divido. Metade brasileiros de vários estados, metade de gringos. Muitos gays e travestis. É isso. É um espetáculo para gringo ver, e não vejo nada de mal nisso. É show, é dinheiro, turismo, mercado, money, tutu, din din. Não tem espaço para romantismo, para "o carnaval da minha época". É um grande teatro luxuoso, e como encenação que é, também pode receber críticas, como irei fazer agora.

O acesso à passarela do samba e aos setores são fáceis. Muito bem sinalizados. Tudo muito bem policiado, e de certa forma, controlado. Um grande problema que percebi é com relação ao "som" que chega à arquibancada. Existem potentes caixas apontadas para os setores, porém o som não chegou perto da minha expectativa. Se você por acaso não conhecer as letras dos sambas-enredos, esqueça! Não será na Sapucaí que você irá compreendê-las. O som é pouco nítido. Nossa sorte é que ficamos perto do recuo da bateria, então sentimos um pouco mais o rufar dos tambores. Se por caso você não estiver muito interessado no desfile de uma tal escola, fique tranquilo, poderá trocar um bom papo com quem lhe acompanhar.

De qualquer modo o desfile, o clima, a quantidade de pessoas (sim a Marquês fica completamente lotada) nos deixaram boquiabertos e acredito que iluminaram os olhos da multidão que ali estava. A visão é o sentido mais agraciado ao presenciarmos, ao vivo, os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Sim, é um espetáculo que não deve ser ignorado. Acredito que quem puder pagar o preço salgado dos ingressos não deve perder a oportunidade de assistir os desfiles. Sim, é muito diferente assistir em frente à televisão ouvindo a transmissão da Rede Globo e estar lá, vivenciando aquele momento único. Porém estar na passarela do samba também nos faz viver e presenciar o carnaval em uma posição de passividade, simplesmente assistindo a uma encenação grandiosa e que provavelmente não deve nada às encenações que a história da humanidade já nos forneceu em tempos mais remotos. Mas se você quer curtir, pular, gritar, beijar, suar, cantar, fantasiar o carnaval, então provavelmente seu caminho deverá ser o dos blocos de rua, ainda mais nesse momento tão favorável a eles aqui no Rio de Janeiro.

Cumprimos a promessa do ano passado, e para o próximo ano... para o próximo ano prefiro não fazer promessas. Mas quem sabe não voltamos para a Sapucaí? Porém dessa vez será do lado de dentro da Sapucaí, em plena pista, de preferência com um belo penacho na cabeça.

E para quem quiser relembrar o primeiro "O carnaval, eu e a identidade nacional" é só clicar aqui no texto e relê-lo.


























Besos e bons carnavais.


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terça-feira, 25 de novembro de 2008

O país da truculência

Hoje à tarde fui com minha namorada ao Banco Itaú de Mesquita/RJ, pagar o IPVA atrasado do carro que compramos. Banco cheio, como de costume, entramos na fila para pagamento na boca do caixa. Por incrível que pareça todos os "caixas" estavam funcionando, fato raro em nossos milionários bancos nacionais. A fila caminhava com uma relativa velocidade quando vimos e ouvimos um senhor na fila destinada para pessoas idosas bradar que não agüentava mais voltar ao banco e que queria que a atendente resolvesse algum provável problema com seu cartão.

O senhor estava visivelmente transtornado, gritava, falava que não iria esperar mais nada e que o problema teria que ser resolvido naquele exato momento. Sabemos quanto um banco pode tirar uma pessoa do sério, e ele realmente estava muito nervoso. Batia com as mão no vidro da atendente. Mas era um senhor. Um idoso.

Foi quando o segurança, de uma empresa terceirizada contratada pelo banco, foi intervir com o tal senhor dizendo que ele poderia até gritar, mas não poderia bater com as mãos no vidro. Até aí tudo bem. O senhor, então, ficou mais nervoso. Foi quando todos da fila, eu e minha namorada também, observamos que logo após à interpelação inicial, o segurança (?) meteu a mão no coldre de seu revólver e o retirou. Ele só não sacou efetivamente a arma e apontou para aquele senhor porque todos da fila gritaram e interviram contra seu ato, inclusive eu.

Pois bem... essa pessoa tem como registro e nome de profissão o termo "segurança". O que faz uma pessoa que tem posse de arma de fogo (quase) sacar sua arma para tentar acalmar um senhor nervoso, um idoso? Isso quer dizer que qualquer pessoa que fique nervosa ou que tente bater no vidro de um banco poderá ter uma arma apontada para sua cabeça? Não importando idade ou sexo? Esse tipo de profissional é chamado de "segurança". Porém ele não assegura a vida de ninguém dentro deste estabelecimento. Ele na verdade assegura a "vida" do dinheiro e do patrimônio do banco, ou de qualquer outra empresa que o contrate. Vidas? Pessoas? Existem muitas no mundo! Uma a mais, uma a menos... Isso não dá muito lucro, ainda mais a vida de um idoso, logo logo ele não mais poderá ser correntista do Banco Itaú, ou do Bradesco, do Real, do Banco do Brasil...

Enfim, o tal "segurança" foi afastado do epicentro e o assunto correu pela fila, que ainda permanecia para ser atendida. Foi quando um outro senhor que estava na fila, se proclamando policial (?), disse que o segurança estava certo, que ele estava protegendo sua... arma ?!?!?! Ora... um policial estava dentro do banco, na fila, e acha normal que em uma discussão banal de um senhor dentro de uma agência bancária uma arma seja sacada por um segurança? Sim, no Brasil sim. Provavelmente o homem da fila é um... policial militar. Ele portava uma pochete (argh) preta em seu colo. Vocês querem adivinhar o que tinha dentro deste lindo acessório? E com a mesma truculência com que o tal segurança quase "resolveu" a situação o tal policial também terminou a discussão com as pessoas na fila:

- É melhor parar o papo por aqui mesmo! Vai ser bom pra todo mundo!

Quando eu respondi:

- Sim, senhor policial, eu sou apenas um professor e não posso discutir com uma autoridade...


O acontecimento narrado acima ocorreu por volta de 16h do dia 25/11/2008, no

Banco Itaú -
Agência 6849 - Rua Emílio Guadagny, 1830 LJ.
Centro - 26553-161.
Mesquita-RJ.
Telefone: (21)3763-7480.
Fax: (21)3763-7484.

PEDIDO: Por favor, se estiverem nervosos ou com contas atrasadas, não freqüentem o Banco Itaú de Mesquita. Vocês podem ter uma arma apontada para suas cabeças.

Observação: Às vezes tenho muita vergonha de ser brasileiro.


Banco Itaú - Feito Para Você

morrer


Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades
Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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Saiba como adquirir o mais novo livro de Vinícius Silva clicando nesta imagem

Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

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Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

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