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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Revolta cinematográfica: Não ao filme dublado!


CHEGA! NÃO AGUENTO MAIS! VENHO POR MEIO DESTE POST DEMONSTRAR TODA A MINHA INDIGNAÇÃO:


NÃO DÁ MAIS PARA IR ÀS SALAS DE CINEMA DA BAIXADA FLUMINENSE.


Não é mais possível assistir nenhum filme em Nova Iguaçu, São João de Meriti ou Nilópolis sem ser com cópias DUBLADAS!

Não sei porque mas o
Grupo Severiano Ribeiro, e outros grupos que possuem e administram salas para a reprodução e venda da sétima arte, acham que toda a população do Rio de Janeiro, que não faça parte do eixo Centro/Zona Sul (Botafogo)/Barra, é analfabeta. Porque não há razão para que eles não reservem pelo menos uma cópia ou horário para alguém que quer ouvir voz e som originais de um filme estrangeiro.

Para citar um exemplo: Fui com minha namorada ver o filme "Wolverine" no
Severiano Ribeiro do Top(?)Shopping em Nova Iguaçu. Opção mais pipoca e comum que alguém poderia escolher. Tiro certo para diversão fácil e rápida. Chegando lá só havia uma alternativa: cópia dublada! Perguntei se poderia falar com o gerente. Foi quando o homem do guichê falou que eu poderia falar com ele, falou com tanta propriedade que acreditei mesmo que além de homem-do-guichê, ele também fosse o gerente.

Pergunta: "-Por que não existem mais cópias legendadas aqui em Nova Iguaçu?"
Resposta: "-Por que 90% do público pede cópias dubladas!"
Contrapergunta: -"Porra! E os 10% da qual eu faço parte?"
Contraresposta: ".........................................."

Gente, vocês não fazem ideia de quanto dinheiro e lucro eu já dei para o
Grupo Severiano Ribeiro. Possuo uma caixa repleta de tickets de filmes que não jogo fora, e que vão perdendo as informações, ficando só aquela contracapa escrito em vermelho: Severiano Ribeiro. Mas não me importo, pois sei que aquele papelzinho representa a memória de algum filme (bom ou ruim) que me emocionou e marcou um momento de minha vida dentro de um cinema. Sou um cinéfilo inveterado e apaixonado.

Mas continuando nossa saga...

Depois de resistir um pouco e de alguns palavrões ditos em voz inaudível (e que só Dona Carla pôde desfrutar), entramos na sala para assistir ao mutante de garras de osso e depois de adamantium. Bom, o filme é fraco, mas isso não importa.

O que importa é que fomos assistir ao filme já putos da vida, e para a nossa não-surpresa essa foi a cópia com a dublagem e com o som mais porcaria que já vimos e ouvimos em uma longa trajetória de filmes assistidos, juntos ou sozinhos. Nós não conseguíamos ouvir as vozes mal-dubladas dos personagens e para completar a cópia tinha um CHIADO horripilante. É isso mesmo que vocês estão lendo! Vimos o filme mais pipoca do ano com um tremendo de um chiado. Chiado este que fez com que nós perdêssemos, por exemplo, as falas na cena do helicóptero (quem não viu... não liguem, não há muito o que perder).

Saímos frustrados com a falta de respeito da empresa com relação ao som da cópia oferecida aos clientes e depois desse evento decidi não mais ver filmes da rede e muito menos com cópias dubladas.

O mais triste é perceber que no Rio de Janeiro só há, praticamente, duas opções para se ver filmes legais e em boas condições. Na verdade só existem dois bairros para isso: Centro e Botafogo. Se você não mora próximo, ou frequenta constantemente esses bairros... esqueça! Irá ter que aturar filmes mal dublados e com chiados. Se for da Baixada então... é melhor nem ir ao cinema, porque além disso tudo persistem os aborrecentes que vão gritar o filme todo e você pode cometer um ato violento (agradeço cada minuto que Carla me acompanha dentro de um cinema hoje em dia, pois já poderia ter cometido algum assassinato dentro da sala escura).

Só queria deixar algo claro para o
Grupo Severiano Ribeiro e para todos os shoppings que possuem cinemas:

A população da Baixada Fluminense e dos subúrbios, em sua grande maioria, sabe ler e escrever, mal, mas sabe. E uma parte substâncial dessa população deseja e almeja assitir filmes podendo ouvir e testemunhar a interpretação e som originais de um espécime hollywoodiano ou de qualquer outra origem.

Irei, então, destilar e focalizar toda a minha fúria contra o
Grupo Severiano Ribeiro com o slogan:


COM FILME DUBLADÃO, SEVERIANO RIBEIRO NÃO!

Juntem-se ao PSQC nesta companha:



Cinéfilos cariocas uni-vos neste grito contra a opressão das vozes que não combinam com os personagens. Contra o baixo volume que faz a gente ficar perguntando ao companheiro ao lado: "O que ele disse?". Contra os chiados insuportáveis que quase todos os dubladões carregam.

Digam não!

Besos revoltados.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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