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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Olimpíadas - Rio 2016! Eu sou... contra!



Sim, pode parecer um contrassenso não desejar um evento tão grandioso para nossa cidade e país, mas neste caso meu pessimismo e percepção de realidade mostram algo que não gostaria de sentir e pensar, porém afirmo: SOU CONTRA A REALIZAÇÃO DAS OLIMPIADAS DE 2016 NO RIO DE JANEIRO!

Sou um aficcionado por esportes. Por quase todos eles. Sou daqueles que não perde o futebol televisivo de quartas e domingos. Que quando escolhe a primeira ou segunda página da internet, ela certamente é uma página esportiva. Na verdade acho que um de meus sonhos sempre foi ser um atleta profissional. Não fui por causa da minha altura e provavelmente do meu não-talento, mas sempre pratiquei esportes. Natação, judô, futebol, voleibol, corridas e caminhadas. Minha adolescência foi recheada de amigos, acampamentos e práticas esportivas. Era um bom jogador de volei, habilidoso levantador, mas minha altura não me permitiu vôos mais altos, literalmente. Além disso sempre fui muito focado em minhas escolhas profissionais presentes e futuras. Sempre flertei com os estudos e leituras que tomariam quase todo o tempo de minha vida, como tomam até hoje. Mas sou um apaixonado por esportes. Nunca joguei tênis em minha vida, mas posso ficar horas assistindo jogos seguidos dessa modalidade, inclusive descrevendo regras e nomes de jogadas, que acabo explicando para minha noiva que é formada em... educação física!

Sempre imaginei e vicejei a realização de grandes eventos esportivos em nosso país. Porém um grande desencantamento tomou-me de assalto após um grande evento esportivo realizado na cidade do Rio de Janeiro, o Pan 2007. Este evento minou todas as minhas esperanças de que algo poderia mudar na cidade do Rio ou em nosso estado, após um evento grandioso, transnacional, internacional. Decepção, infelizmente.

Já tinhamos provas de que é possível controlar nossa violência descontrolada por curtos e específicos espaços de tempo. A ECO 92, realizada também no Rio de Janeiro, foi uma prova dessa capacidade. A utilização das forças armadas gerou até uma demanda popular para que a segurança do estado permanecesse com os homens verde-oliva.

E mais uma vez a violência deu uma "trégua" durante o Panamericano de 2007 (será que nossa mídia não ajudou um pouquinho também...). Porém as principais motivações levantadas, apontadas e comemoradas pela mídia e principalmente pelos governantes e políticos eram as melhorias que seriam implementadas na cidade e na região metropolitana devido à realização dos jogos em solo fluminense. Milhões foram gastos. Estádio, centro de esportes aquáticos, pista de ciclismo ultra-moderna, reformas na marina da Glória, na Barra da Tijuca. Na Barra da Tijuca?!?!?! Sim, enfim... esquema de transportes, de segurança, tudo isso e um enorme dividendo político. Quem não queria sua boquinha. O prefeito-do-casaco, o quase eterno da cidade do Rio de Janeiro fez de tudo pelos jogos. Aí vem no pacote toda a turma dos asseclas do prefeito, do governador. Vêm os vereadores, os deputados estaduais, federais, o presidente da República.

E dois anos depois vemos tudo se repetir. Vemos o prefeito, o governador e o presidente como amigos íntimos. Pedindo animação para a população, pedindo votos para o COI. O governador deu até ponto facultativo no dia que será revelada a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Pelé está nessa, como sempre, como em todas, desde a ditadura... tudo bem, ele é o rei de direito, talvez o único em toda nossa história.

Mas vamos ao panorama cotidiano: O prefeito e sua choque de ordem. Sobre quem? Sobre pobres, camelôs, moradores sem-teto, moradores de rua, os muros em favelas. Choque de ordem sobre os motoristas, através da fábrica de multas municipal... Para quem? A elite da zona sul carioca. Nada de anormal. O governador? Nosso governador gosta de mandar bater em professores, dar aumentos com prazo de 7 anos, piorar a qualidade de vida dos moradores da região metropolitana acabando com, no mínimo, 740 vans e tirando emprego desses motoristas, apesar de ser necessária uma regulamentação. Nosso presidente parece estar em eterna campanha, e está mesmo, pois Dona Dilma tem que vir forte para o ano que vem.

E o que restou do Pan 2007? Nada! Absolutamente nada! Temos um estádio olímpico lindo, sub-utilizado pelo Botafogo (meu clube de coração), e que também seria mal utilizado pelos nossos outros "organizados" clubes cariocas. Temos o centro de esportes aquáticos quase parado. O equipamento para o ciclismo largado. O transporte, como vai? O lixo de sempre, cada vez pior. A segurança pública? Bom, é melhor parar por aqui.

Estou cansado de ser feito de otário, de babaca. De ser humilhado pelo estado. De ficar com medo de tomar quinhentas multas por dia nas ruas do Rio. De andar com medo em qualquer hora do dia. De rezar para ter dinheiro para poder pagar o plano de saúde, não somente o meu, mas o de toda minha família. Chega! Temos que parar com os ufanismos, com os bordões de "agora vai dar". Desse jeito não vai dar. Nunca deu. Só vai melhorar quando cobrarmos de verdade. Quando pararmos de eleger essa corja, como sempre elegemos, sempre. De pararmos de enriquecer Odebrecht's , Andrade Gutirrez's, sem saber nada sobre essas licitações. Vide a nossa famigerada Cidade da Música, ex-Roberto Marinho.


A população de Chicago está correta. Eles também sabem que esses jogos só servem para alguns ganharem dinheiro, e esses "alguns" não são a população em geral, os pobres. Eles sabem. Eles foram governados pelo Bush. Foram e estão sendo roubados pelos ex-ricos bancos americanos, com a plaquinha do governo americano e uma foto de Obama dizendo "I'm sorry".

Temos muita boca para alimentar. Muita favela para asfaltar. Muitos alunos para aulas decentes dar. Muita arma para proibir entrar. Muito político para mandar se ferrar...

E se você acha que as coisas vão melhorar com a Copa do Mundo, com as Olimpíadas, sinto muito! Tá na hora de olhar pra trás e acordar. Estou fechado com o pessoal de Chicago. Mudo somente o meu voto:

!Viva Madrid 2016!

!Olé!


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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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