(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC
(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC. Saiba como adquirir o mais novo livro de Vinícius Silva clicando nesta imagem

sexta-feira, 31 de julho de 2015

RELIGIÃO








Podem até dizer que eu sou ingênuo,
Mas pelo menos nunca poderei ser acusado de não ter experimentado.














Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

neurose







minha casa é bagunçada,
pelo menos eu sou feliz












Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Cama vazia / Água e fogo / Território, por Helenia Martinez


Cama vazia

Se tudo passa tudo se inicia
Guerra, cama vazia
O mundo anda tão ocupado
Preocupado e cansado
Com medo do fim
Medo da estrela
Do gelo tão frio
Quando corações
Não existem mais emoções
Nem razões de sobrevivência
A futilidade está dando audiência
A musica não é mais arte
Nem mesmo sei o motivo
De tudo isso
Por qual razão chorar sem emoção
O mundo anda cada vez mais quente
E as pessoas mais frias
O mundo anda tão frio
E as pessoas mais vazias
Será que alguém tem ao menos
Uma breve explicação
O amor virou comércio
Sem garantia de duração
Codinome extração
De tudo o que temos
O que temos então?
Viva o futebol!
A morte virou apenas
Falta de sorte
Uma falta “normal”
De saúde pública?
Ou Homeopatia...



Água e fogo

Você queima
E eu afogo
Mas nós dois matamos
E morremos de amor

Cada passo descompasso
Meu coração parece
Que abrigou um tambor

Eu te afogo
Você me esquenta até me evaporar
Eu refresco e mato a cede
Você queima e incendeia

Somos opostos
Você é um elemento quente
O despertar do calor
Eu sou fresca
Nasci em uma pequena nascente
E você me evaporou
Mas eu renasci como chuva
E te apaguei
Você renasceu em um fósforo
Ciclo vicioso...

Somos amantes somos inimigos
Somos apenas diferentes elementos
Causamos diferentes brilhos
Caro fogo amigo.



Território

A inercia dessa cidade
Me enlouquece
Não sai do lugar
Esse estranho lugar
Onde nada há
Me perco pensando
Às duas
E um estranho silêncio
Cala casas e ruas
Então penso
Imagino
Como se pensado
Eu pudesse
Fazer falar o mundo
Quero fugir desse lugar
Afogado na falta de progresso
Parado, chato e velho.

Que tédio, é sempre tudo igual
E a maioria das vezes, nada legal
Nada cultural
Quando não é um marasmo sufocante
Está tocando funk.

À noite, frio
De dia, febre
Cada passo me deixa
Mais impaciente
E cada dia menos inocente
Cada dia aumenta o grau da lente
E o modelo do óculos
Fica mais caro
E o pouco que a cidade cresce
Fica tudo congestionado
Circulam carros e carros
Velhos, batidos, importados
E quebrados
O progresso real
Ficou enterrado em algum lugar
Do ingênuo passado.



Helenia Martinez é jovem, muito jovem. Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, seu sangue ferve e faz ebulição nas palavras que derrama. Sangue mestiço, forjado de hemácias italianas, brasileiras e africanas. E é do espanto da mistura, da aflição e da incompreensão deste mosaico de terra em que vivemos, que Helenia repousa sua jovem pena a rabiscar a poesia que lhe corre pelas veias e nervos. O futuro deveria estar agradecido por esta menina ser a poeta que irá ser. Evoé.





Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Oiticicando





Seja periferia
Seja herói










Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

MANEQUIM








O Brasil é o país em que vidraças valem mais do que pessoas.











Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

a menina que não gostava de viados, por Léo Rossetti


Conheci Léo Rossetti pelas andanças literárias na Baixada Fluminense. É meu colega de território, tendo como sede de vida e atuação a cidade de Duque de Caxias. Sua postura política, seu lirismo poético e seu belo livro "Cores de um Poeta Inverso" me chamaram a atenção. Inclusive tive a honra de ter sido convidado para participar da mesa de seu lançamento.

Então neste momento apresentamos um texto cheio de humor, ironia e posicionamento político e humano. Absolutamente oportuno para o momento que vivemos em nosso país.


Esse texto faz parte de um conjunto de relatos do professor Léo Rossetti a respeito do cotidiano de uma sala-de-aula, chamado “Crônicas de um professor à beira de um ataque de nervos”. As historietas são publicadas esporadicamente no Facebook, sem a preocupação de que os relatos digam respeito necessária e integralmente à sua própria experiência docente. A literatura não prevê a garantia da realidade. A imaginação e a suposição sobre a realidade dos fatos narrados ficam por conta do leitor, o que torna a literatura mais rica e mais interessante.

Escola pública em Duque de Caxias. Em sala de aula, um professor de história, gay, bem-resolvido, militante, e seus alunos de uma turma de 6º ano. A chatice da aula dá margem para assuntos mais interessantes e discussões mais animadoras.
Aluna A (para o Aluno B): Seu viado!
Aluno B (para o professor): Professor, a Aluna A não gosta de viado! - disse o estudante com a expectativa de que o mestre repreendesse sua colega. O professor ignora.
(...)
Aluno B (novamente para o professor): Professor, a Aluna A não gosta de viado! - bradou o aluno, enquanto o professor, em pensamento, confirmava a sua suspeita: a suposição de que o aluno pretendia, tão somente, expor a sexualidade do professor em sala de aula, na esperança de que o docente tomasse partido da causa gay e, dessa forma, revelasse seu lado fúcsia. O professor ignora.
(...)
Ao fundo da sala, ouvem-se sussurros. Uma aluna convoca a presença do professor a fim de esclarecer uma demanda adolescente. O tema era que o tal Aluno B estava perturbando o juízo da Aluna C, que desdenhava da investida deste, ignorando-o com certo ar de superioridade, mas com riso nos lábios. O professor pensa, obviamente, em uma tentativa de aproximação xavequeira do garoto. Besteira! Um par de amigos que discutia sobre a vida particular da menina. Mas o professor não sabia e pressupunha o prévio romance.
Professor: Se for para ficar de papo paralelo na minha aula, avisa com antecedência, que eu ajudo nos preparativos do casório, mas quero ser o padrinho, viu?
Aluna C: Sai fora, professor! Eu gosto de menina.
Enquanto o professor tenta recuperar seu cu, que caiu da bunda e rolou pela sala no instante mesmo que a menina revelou sua preferência sexual, o par de amigos tornou a divagar sobre qualquer coisa mais interessante que um ânus rolante.
Aluna C: [sussurros]
Aluno B: É sim! Professor, o senhor não é gay?
Professor: Sim.
Aluna C: Não, tô falando do dever... - disfarçou a menina, estupefata, enquanto despencava de seu corpo aquele orifício, que resolveu se juntar ao do mestre, no chão da sala de aula, para também desfrutarem de seus minutos de fofoca.
(...)
Aluna A: (para o Aluno B) Cala a boca, seu viado!
Aluno B: Professor, a Aluna A tem preconceito com viado!
E, finalmente, o professor intervém.
Professor: Aluna A, é a terceira vez que você chama seu colega de viado, como se isso fosse um xingamento.
Aluna A: É que eu tenho preconceito com viado, eu tenho.
Professor: Que bom, né? Pelo menos você reconheceu que tem. O primeiro passo pra acabar com o preconceito é reconhecer que ele existe.
Aluna A: Mas eu não gosto nem de viado e nem de macumbeiro!
Professor: Então você vai ter que começar a não gostar de mim também...
Aluna A: Por que, professor?
Professor: Porque eu sou muito mais viado do que todos eles juntos.
Aluna A: Tá bom, professor, eu não tenho preconceito com viado não, só com macumbeiro.
Aluna D: Nada a ver, eu sou macumbeira e não é por isso que eu vou fazer macumba pra você!
Professor: Minha filha, você não tem que ter preconceito nem com viado, nem com macumbeiro, nem com preto, nem com branco, nem com verde, nem com ninguém. As pessoas são o que são, e elas são tão dignas quanto você.
Aluna A: Mas é que eu tenho medo de macumba...
Professor: Ahhhhh... então não é “você não gosta”, é “você tem medo”!
Aluna E: Ih, gente, cada um com a sua religião! Eu hein...
(…)
Aproximando-se do final da aula, o professor convoca cada estudante para checar – no sentido de conferir, mesmo, pois passar cheque, sem a presença do cu, seria impossível naquele contexto – o cumprimento das tarefas propostas por ele aos seus alunos e alunas. Para sua surpresa, não é que a aluna que não tinha mais preconceito com viados mas que não gostava de macumbeiros foi a primeira a terminar a atividade?!
Professor: Aluna A, você foi a primeira a acabar, será a primeira a ser liberada hoje.
Aluna A: Obrigada, professor!
E uma nova discussão surgiu na sala de aula, cujo resultado implicou numa bolinha de papel que atingiu a menina que não tinha mais preconceito com viados mas que não gostava de macumbeiros.
Aluna A: Pára, seu viado!  – retrucou a menina, em alta voz.
Professor: Aluna A, mudei de ideia.
Aluna A: Não, professor, por favor!
Professor: Mudei, sim!
Aluna A: Desculpa, professor, desculpa! – redimia-se a pobrezinha.
Professor: Agora você vai ser a última! Vai ficar comigo até mais tarde.
Aluna A: Por que? – perguntou indignada.
Professor: Porque você precisa conviver mais com viados.


*Nota: Esse texto foi adaptado e ampliado para publicação no PSQC.

Você pode adquirir o livro "Cores de um Poeta Inverso" ao clicar na imagem abaixo:




Você também pode entrar na fanpage do Facebook do Poeta Inverso, é só clicar aqui:
https://www.facebook.com/CoresDeUmPoetaInverso


Léo Rossetti é professor de história da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro e da rede municipal do município de Belford Roxo. Militante dos direitos humanos, tem se dedicado especialmente ao debate sobre os direitos das minorias na educação. Especialista em História do Brasil e em Gênero e Sexualidade e mestrando em Ensino de História (UERJ), é também ator e poeta. Assinou a coautoria do livro Crônicas cariocas e ensino de história (2008), publicado pela FAPERJ/7 Letras. Também escreveu Cores de um poeta inverso (2012), coletânea de poesias autorais publicada pela Metanoia Editora. Em parceria com outros autores, revelou-se escritor de contos eróticos gays através da obra Censurado: sexo, taras e fetiches, publicada pela Lado B Edições em 2013. Atualmente mantém o blog “Profissão História” e a página homônima deste blog no Facebook. Last but not least, gay.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 16 de junho de 2015

O PSQC e o Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional na Festa Literária de Caxias 2015


Mesa Direitos Humanos na Baixada Fluminense com Vinícius Fernandes da Silva, José Claudio Souza Alves e Afrânio de Oliveira.





































Mesa Autores Virtuais, com mediação de Vinícius Silva do PSQC (eu sou o baixinho barbudo).







O público da mesa!


























Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Vinícius Fernandes da Silva no Ciclo de Debates "Maioridade Penal" - CEFET Campus Itaguaí - Dia 10/06/15 às 11:30h




Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

O Palavras Sobre Qualquer Coisa na Festa Literária de Caxias 2015!

É com muito orgulho que eu, Vinícius Fernandes da Silva, criador e administrador do PSQC anuncio nossa participação dupla, minha e do PSQC, na Festa Literária de Duque de Caxias 2015.

No dia 12 de Junho de 2015, uma sexta-feira às 16h, estarei mediando uma mesa sobre Direitos Humanos na Baixada Fluminense, representando o Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional com a Campanha Jovem Negro Vivo.

No mesmo dia, às 18h, estarei mediando e representando o PSQC em uma conversa sobre autores virtuais.

A programação e os convidados estão logo abaixo.

Não percam!





Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

domingo, 31 de maio de 2015

Memória da Baixada, Memória Familiar

Foi extremamente emocionado que travei meu primeiro contato com esta foto poucos dias atrás. Minha mãe tinha a absoluta certeza que eu já a conhecia, mas não. Me segurei para não derramar lágrimas na frente dela, de meu pai, de meu sobrinho e de minha esposa. Minhas lágrimas se travestiram em uma interpretação de mero interesse histórico.

A história de minhas famílias se confundem com a história de Mesquita, pedaço de terra na Baixada Fluminense que por algum motivo ou destino forjou em determinado momento a minha existência. 

Meus bisavós maternos eram portugueses que vieram ao Brasil tentar a vida no início do século XX. Em determinado momento meu bisavô teve um dos maiores armarinhos/mercados em terras de Jacutinga. Para ser mais exato na antiga Rua Alice (não sei o nome atual), onde ainda hoje se situa o cemitério municipal de Mesquita.

Nesta foto podemos ver e sentir um pedaço de minha história familiar e que se confunde também com a história desta terra e seu povo. Vemos a configuração social exposta na gente simples em rua de terra e que por algum motivo posou para este retrato em frente a um estabelecimento comercial. Crianças negras e mestiças, uma carroça, um cão preto e branco, homens de chapéu e casaca, mulheres em seus vestidos, todos alinhados a olhar para o retratista, menos o cão e o cavalo, justo. Em algum momento de sua vida e por motivos que não sei quais meu bisavô perdeu tudo do pouco que tinha conquistado.

Na parte superior lemos "Fernandes & Filhos", ainda hoje meu sobrenome. Na porta central podemos ver meu jovem e belo avô Antônio Fernandes. Um pouco mais distante, quase em frente à segunda porta da esquerda para a direita, vemos meu bisavô. Ambos vestiam roupas completamente brancas.

Acredito que todas essas pessoas já se foram. Meus avós agora só existem como pó e imagens descascadas de uma foto antiga. Mas afirmo que ainda vivem em minha memória, em meu coração e... em mim.

Esta foto foi tirada provavelmente entre os anos 1920/30.







Vinícius Fernandes da Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

ESTADO







Eu sou o seu pastor, e tudo lhes faltará
(menos os impostos e a repressão).












Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense. Atualmente é coordenador do Grupo Baixada Fluminense da Anistia Internacional.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Os 5 filmes que mais produziram lágrimas: As minhas!


Artigo publicado originalmente no espaço "Palavras, películas e cidades", na plataforma colaborativa Obvious.


Esta lista é obviamente pautada pela decisão de selecionar as produções que mais causaram lágrimas e emoções à minha persona. Não que seja muito difícil retirar lágrimas deste que vos escreve, mas estas gotas salinas que venho publicizar refletem filmes e momentos de vida que podem ser marcantes para outros de minha geração, ou até mais jovens e por que não mais velhos? 

O filmes descritos possuem qualidades que acredito serem irrefutáveis, mas nenhuma película ou obra de arte pode existir e sobreviver sem estar amalgamada com sentimentos e histórias humanas, de preferência as mais variadas possíveis.


Laços de Ternura: Terms of Endearment  (1983) 
Dirigido por James L. Brooks e baseado em romance de Larry McMurtry.


Começo a lista com esse drama açucarado e vencedor de alguns Oscar's, e que ainda conta com um Jack Nicholson em grande forma. Eu era uma criança quando assisti este filme. Sim, criança. E por incrível que pareça ainda tenho muitas memórias guardadas desta produção. 

Meus pais o assistiam em tv aberta, muito provavelmente na Rede Globo. Não sei precisar o ano que passou por aqui no Brasil, mas certamente ainda nos anos 80. De começo recordo de meus pais pedindo "Vinícius, vai dormir", "Vinícius, a gente não já mandou você ir dormir...". Mas como criança teimosa fui ficando, ficando... e o assistimos juntos, os três, dois adultos e uma criança.

Filme passando, história familiar conflituosa se desenrolando entre mãe e filha até que surge um... câncer. E a cena que ficou marcada foi a de um menininho saindo do hospital e perguntando à avó quando sua mãe sairia de lá (ou algo muito parecido com isso, mas só assisti o filme esta única vez). E pronto, lágrimas! Lágrimas de uma criança que talvez tenha tido seu primeiro contato e reconhecimento de que na vida... há a morte. Saí da sala e fui chorar em meu quarto, sozinho, e logo depois minha mãe veio me acudir. Depois foi acudir meu pai e por fim a última a chorar foi ela própria.

Preciso rever "Laços de Ternura" e chorar novamente as lágrimas puras da criança que já fui.


Inimigo Meu: Enemy Mine  (1985) 
Dirigido por Wolfgang Petersen e com roteiro baseado em livro de Barry Longyear.


Neste momento já me aventurava pelas solitárias e felizes noites silenciosas e cinéfilas de minha casa. Ainda era criança, um pouco mais velho, é verdade, mas meus pais ainda cobravam meu sono mais vespertino. Não adiantou, notívago me tornei, para minha alegria e também desgraça.

Encontrei "Inimigo Meu" também em tv aberta, e também muito provavelmente na programação da Rede Globo. Meus pais nunca foram fãs de ficção científica, então essa viagem eu fiz sozinho. E o filme começa como sempre se espera de uma boa aventura de ficção científica: naves, perseguições, desastres, raças alienígenas inimigas e nojentas. Mas aí o filme vai rodando, rodando e as coisas vão mudando, mudando.

A caracterização perfeita de Sidney Poitier como o lagarto alienígena odioso vai se transformando pela necessidade de sobrevivência dos seres confinados a um planeta hostil, então temos como antagonistas o alienígena "malvado" e o humano "bom", este vivido por Dennis Quaid. Os inimigos tornam-se... amigos, justamente pela obrigação de terem de ser manter vivos (desculpe o spoiler amigo, mas você já deveria ter visto este filme há tempos). E temos a raça alienígena que se autofecunda e gera filhotes. Os "bondosos" humanos se mostrando não tão bondosos assim (e como sabemos disso, não?). E a obra vai nos dando uma bela lição. 

O filme ainda por cima é uma bela alegoria da situação do racismo norte-americano, forçando o expectador a uma reflexão que demonstra como os conceitos de "bondade" e "maldade" são turvos, muito devido às primeiras e superficiais impressões que nós, humanos, realizamos pautados em  preconceitos, etnocentrismos e intolerâncias.   

Quando o pai/humano encontra seu filho/lagarto não há como não se derramar em lágrimas. E como criança que era, o choro saiu forte.


Forrest Gump - O Contador de Histórias: Forrest Gump Forrest Gump (1994) 
Dirigido por Robert Zemeckis  e baseado no romance homônimo de 1986 escrito por Winston Groom.


Aqui sai a criança e entra o adolescente, e também entra Tom Hanks na manipulação de minhas emoções. Se já havia emocionado o mundo com Filadélfia, Hanks volta nesta ficção que perpassa toda a história moderna norte-americana através do herói-idiota-sortudo-mas-bondoso que tem uma vida marcada por feitos espetaculares mas sem a menor intenção de tê-los realizado.

Lembro de ter assistido este filme no cinema, e já neste momento de minha vida o cinema tornou-se prática cotidiana, em que toda graninha que juntava era investida em ingressos na sala escura, fosse acompanhado ou sozinho. Se não me engano fui ao cinema ver esta beleza no ano de 1995. Nesta época os filmes não vinham tão rapidamente ao Brasil como hoje em dia. O ano de 1995 foi o ano em que meu avô Tuninho morreu. Se em "Laços de Ternura" a morte me fora apresentada como possibilidade, agora era vivida como realidade, e a dor era real. Recordo-me de assistir o filme ainda muito afetado pela perda de meu querido vô, mas a forma brilhante como Hanks constrói Gump vai nos enchendo de alegria e afeto ao correr dos frames.

Porém a derradeira cena em que Forrest está em frente à lápide de Jenny a falar sobre o filho de ambos, é de uma ternura, amor e tristeza enormes. Então as lágrimas não se contiveram e se derramaram desabafadas também pela dor da minha perda. 


O Resgate do Soldado Ryan: Saving Private Ryan (1998) 
Dirigido por Steven Spielberg.


Aqui já entra um jovem adulto, e Tom Hanks continua comigo, conosco. Assisti O Regaste do Soldado Ryan na casa de meu amigo Well, junto com vários outros amigos. Bagunça, piadas, pipoca e a sessão começa. Muito provavelmente os primeiros 30 minutos de Resgate são a melhor e mais realista filmagem já realizada sobre uma guerra. O início eletrizante dos soldados desembarcando, sendo prontamente atingidos e caindo mortos ao mar já torna o início do filme aterrador e angustiante. O mar de sangue na costa da Normandia, a lenta e progressiva infiltração no front alemão, até à tomada de toda a praia são a demonstração de um épico do cinema de guerra, na verdade é um épico na história do próprio cinema.

Depois a produção arrasta-se efetivamente pela história de procura e resgate do referido soldado que dá título à obra. Mas com o passar do tempo nos envolvemos com as histórias do grupo de soldados liderados pelo capitão e professor de literatura John H. Miller (Tom Hanks). A perda dos soldados vai se somando pelo caminho percorrido, conjuntamente com as agruras e tristezas provocadas pela maior guerra que o mundo já conhecera, encaminhando-nos até ao local em que se encontra Ryan (Matt Damon).

Lembro que assisti este filme ao ritmo dos tremores das mãos de Miller, e emocionado com a sua capacidade de liderar uma situação de crise incontornável, lidando apenas com bom senso e a tentativa de fazer todos sobreviverem. O momento em que é atingido e continua a atirar é o clímax da emoção que ainda estararia por vir. Quando é acudido por um de "seus" soldados mais arredios e diz que está bem, a tremedeira de suas mãos cessa, e o silêncio de seus olhos se faz. Lembro-me que neste momento a algazarra de meus amigos se emudece, e com o término da película um a um vai saindo de mansinho, procurando um canto para esconder sua emoção. Eu também o fiz. Mas não houve jeito, minhas lágrimas foram interceptadas pelo carinho e o abraço de uma ex-namorada de um grande amigo. 


O maior amor do mundo (2006) 
Dirigido por Cacá Diegues.




























E para encerrar minha lista concluo felizmente com um filme nacional, com O maior amor do mundo. Assisti esta obra de maneira despretensiosa ao caminhar pelas ruas do Largo do Machado/RJ, com um coração partido por um amor não correspondido. E qual o melhor remédio para amores mal resolvidos? Cinema, claro. 

Porém o convidativo título do filme não condizia necessariamente ao amor dos amantes, dos apaixonados, por mais que este amor também esteja presente na história narrada. Uma razão para que o enredo chamasse ainda mais minha atenção é que o protagonista, vivido brilhantemente por José Wilker, busca suas origens e descobre que é oriundo da Baixada Fluminense, território formado por vários municípios e da qual eu também sou filho. A procura do herói para dar um sentido à sua vida que está por finda parece estar localizada no sentimento quase inconsciente em se buscar uma origem para se tentar dar sentido à nossa existência no mundo, mesmo que o futuro possa não mais existir. E nessa busca o personagem de Wilker vai navegar pela pobreza, miséria e violência que ainda marcam as terras fluminenses, e apesar de se espantar com o contexto de onde veio, revela-se a ele que o maior amor que podemos realmente encontrar em nosso fim, é o amor materno, o amor de nossos mais próximos.   

O mais interessante é que a produção deste filme cruza a minha vida, de certa forma. Uma vez, ao me deslocar da casa de meus pais (ainda minha casa à época) em Mesquita à cidade do Rio de Janeiro, vi pela janela do trem, na Estação Mesquita, José Wilker e Anna Sophia Folch filmando em frente à linda árvore que vive há anos em frente à referida estação.

E ao final catártico do filme corri ao banheiro da sala de projeção desesperadamente, e em um pudor quase infantil, tentei recolher as lágrimas que queriam se derramar de qualquer jeito e forma, e então, acabei por sucumbir à emoção e chorei as lágrimas que me ajudaram a me conectar com minhas origens, com meus amores, comigo mesmo. Chorei sem me importar com quem entrava ao banheiro e se assustava com a cena, chorei sem vergonha alguma.

O impacto deste filme, que inclusive não foi reconhecido como deveria, fez com que, alguns anos depois, eu produzisse um poema e que decidi enviar a Cacá Diegues, diretor e roteirista da obra. Para minha alegria, o mesmo respondeu pronta e positivamente. 

Reproduzo o poema:


Do maior amor do mundo

(para Carlos Diegues)


Não tenho mais medo da água fria.
Deixo-a escorrer sobre minha cabeça.

Choro as lágrimas de todo o mundo.

Do amor de colo morno de mãe.
Da dor do leito de morte.
Do riso do enlaçar dos dedos.
Do gozo ao encostar em teu peito.

Choro as lágrimas geladas
De quem sabe que o fim pode estar próximo,
Mas que o coração deve estar
Sempre quente.

Choro tudo o que tenho que chorar.
Pois prender as lágrimas somente nos impede de amar.
De sentir.
E de se dar.

Amo amar a todos.
Sim, amo a todos.
E por isso choro com vontade,
O maior amor do mundo

E me permito,
Agora,
E por fim.
Poder regressar.

Au revoir.

Qual é a sua lista?


In memoriam de José Wilker.


Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades
Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC
Saiba como adquirir o mais novo livro de Vinícius Silva clicando nesta imagem

Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!
Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

AMIGOS DO PSQC

As mais lidas!