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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Os 5 filmes que mais produziram lágrimas: As minhas!


Artigo publicado originalmente no espaço "Palavras, películas e cidades", na plataforma colaborativa Obvious.


Esta lista é obviamente pautada pela decisão de selecionar as produções que mais causaram lágrimas e emoções à minha persona. Não que seja muito difícil retirar lágrimas deste que vos escreve, mas estas gotas salinas que venho publicizar refletem filmes e momentos de vida que podem ser marcantes para outros de minha geração, ou até mais jovens e por que não mais velhos? 

O filmes descritos possuem qualidades que acredito serem irrefutáveis, mas nenhuma película ou obra de arte pode existir e sobreviver sem estar amalgamada com sentimentos e histórias humanas, de preferência as mais variadas possíveis.


Laços de Ternura: Terms of Endearment  (1983) 
Dirigido por James L. Brooks e baseado em romance de Larry McMurtry.


Começo a lista com esse drama açucarado e vencedor de alguns Oscar's, e que ainda conta com um Jack Nicholson em grande forma. Eu era uma criança quando assisti este filme. Sim, criança. E por incrível que pareça ainda tenho muitas memórias guardadas desta produção. 

Meus pais o assistiam em tv aberta, muito provavelmente na Rede Globo. Não sei precisar o ano que passou por aqui no Brasil, mas certamente ainda nos anos 80. De começo recordo de meus pais pedindo "Vinícius, vai dormir", "Vinícius, a gente não já mandou você ir dormir...". Mas como criança teimosa fui ficando, ficando... e o assistimos juntos, os três, dois adultos e uma criança.

Filme passando, história familiar conflituosa se desenrolando entre mãe e filha até que surge um... câncer. E a cena que ficou marcada foi a de um menininho saindo do hospital e perguntando à avó quando sua mãe sairia de lá (ou algo muito parecido com isso, mas só assisti o filme esta única vez). E pronto, lágrimas! Lágrimas de uma criança que talvez tenha tido seu primeiro contato e reconhecimento de que na vida... há a morte. Saí da sala e fui chorar em meu quarto, sozinho, e logo depois minha mãe veio me acudir. Depois foi acudir meu pai e por fim a última a chorar foi ela própria.

Preciso rever "Laços de Ternura" e chorar novamente as lágrimas puras da criança que já fui.


Inimigo Meu: Enemy Mine  (1985) 
Dirigido por Wolfgang Petersen e com roteiro baseado em livro de Barry Longyear.


Neste momento já me aventurava pelas solitárias e felizes noites silenciosas e cinéfilas de minha casa. Ainda era criança, um pouco mais velho, é verdade, mas meus pais ainda cobravam meu sono mais vespertino. Não adiantou, notívago me tornei, para minha alegria e também desgraça.

Encontrei "Inimigo Meu" também em tv aberta, e também muito provavelmente na programação da Rede Globo. Meus pais nunca foram fãs de ficção científica, então essa viagem eu fiz sozinho. E o filme começa como sempre se espera de uma boa aventura de ficção científica: naves, perseguições, desastres, raças alienígenas inimigas e nojentas. Mas aí o filme vai rodando, rodando e as coisas vão mudando, mudando.

A caracterização perfeita de Sidney Poitier como o lagarto alienígena odioso vai se transformando pela necessidade de sobrevivência dos seres confinados a um planeta hostil, então temos como antagonistas o alienígena "malvado" e o humano "bom", este vivido por Dennis Quaid. Os inimigos tornam-se... amigos, justamente pela obrigação de terem de ser manter vivos (desculpe o spoiler amigo, mas você já deveria ter visto este filme há tempos). E temos a raça alienígena que se autofecunda e gera filhotes. Os "bondosos" humanos se mostrando não tão bondosos assim (e como sabemos disso, não?). E a obra vai nos dando uma bela lição. 

O filme ainda por cima é uma bela alegoria da situação do racismo norte-americano, forçando o expectador a uma reflexão que demonstra como os conceitos de "bondade" e "maldade" são turvos, muito devido às primeiras e superficiais impressões que nós, humanos, realizamos pautados em  preconceitos, etnocentrismos e intolerâncias.   

Quando o pai/humano encontra seu filho/lagarto não há como não se derramar em lágrimas. E como criança que era, o choro saiu forte.


Forrest Gump - O Contador de Histórias: Forrest Gump Forrest Gump (1994) 
Dirigido por Robert Zemeckis  e baseado no romance homônimo de 1986 escrito por Winston Groom.


Aqui sai a criança e entra o adolescente, e também entra Tom Hanks na manipulação de minhas emoções. Se já havia emocionado o mundo com Filadélfia, Hanks volta nesta ficção que perpassa toda a história moderna norte-americana através do herói-idiota-sortudo-mas-bondoso que tem uma vida marcada por feitos espetaculares mas sem a menor intenção de tê-los realizado.

Lembro de ter assistido este filme no cinema, e já neste momento de minha vida o cinema tornou-se prática cotidiana, em que toda graninha que juntava era investida em ingressos na sala escura, fosse acompanhado ou sozinho. Se não me engano fui ao cinema ver esta beleza no ano de 1995. Nesta época os filmes não vinham tão rapidamente ao Brasil como hoje em dia. O ano de 1995 foi o ano em que meu avô Tuninho morreu. Se em "Laços de Ternura" a morte me fora apresentada como possibilidade, agora era vivida como realidade, e a dor era real. Recordo-me de assistir o filme ainda muito afetado pela perda de meu querido vô, mas a forma brilhante como Hanks constrói Gump vai nos enchendo de alegria e afeto ao correr dos frames.

Porém a derradeira cena em que Forrest está em frente à lápide de Jenny a falar sobre o filho de ambos, é de uma ternura, amor e tristeza enormes. Então as lágrimas não se contiveram e se derramaram desabafadas também pela dor da minha perda. 


O Resgate do Soldado Ryan: Saving Private Ryan (1998) 
Dirigido por Steven Spielberg.


Aqui já entra um jovem adulto, e Tom Hanks continua comigo, conosco. Assisti O Regaste do Soldado Ryan na casa de meu amigo Well, junto com vários outros amigos. Bagunça, piadas, pipoca e a sessão começa. Muito provavelmente os primeiros 30 minutos de Resgate são a melhor e mais realista filmagem já realizada sobre uma guerra. O início eletrizante dos soldados desembarcando, sendo prontamente atingidos e caindo mortos ao mar já torna o início do filme aterrador e angustiante. O mar de sangue na costa da Normandia, a lenta e progressiva infiltração no front alemão, até à tomada de toda a praia são a demonstração de um épico do cinema de guerra, na verdade é um épico na história do próprio cinema.

Depois a produção arrasta-se efetivamente pela história de procura e resgate do referido soldado que dá título à obra. Mas com o passar do tempo nos envolvemos com as histórias do grupo de soldados liderados pelo capitão e professor de literatura John H. Miller (Tom Hanks). A perda dos soldados vai se somando pelo caminho percorrido, conjuntamente com as agruras e tristezas provocadas pela maior guerra que o mundo já conhecera, encaminhando-nos até ao local em que se encontra Ryan (Matt Damon).

Lembro que assisti este filme ao ritmo dos tremores das mãos de Miller, e emocionado com a sua capacidade de liderar uma situação de crise incontornável, lidando apenas com bom senso e a tentativa de fazer todos sobreviverem. O momento em que é atingido e continua a atirar é o clímax da emoção que ainda estararia por vir. Quando é acudido por um de "seus" soldados mais arredios e diz que está bem, a tremedeira de suas mãos cessa, e o silêncio de seus olhos se faz. Lembro-me que neste momento a algazarra de meus amigos se emudece, e com o término da película um a um vai saindo de mansinho, procurando um canto para esconder sua emoção. Eu também o fiz. Mas não houve jeito, minhas lágrimas foram interceptadas pelo carinho e o abraço de uma ex-namorada de um grande amigo. 


O maior amor do mundo (2006) 
Dirigido por Cacá Diegues.




























E para encerrar minha lista concluo felizmente com um filme nacional, com O maior amor do mundo. Assisti esta obra de maneira despretensiosa ao caminhar pelas ruas do Largo do Machado/RJ, com um coração partido por um amor não correspondido. E qual o melhor remédio para amores mal resolvidos? Cinema, claro. 

Porém o convidativo título do filme não condizia necessariamente ao amor dos amantes, dos apaixonados, por mais que este amor também esteja presente na história narrada. Uma razão para que o enredo chamasse ainda mais minha atenção é que o protagonista, vivido brilhantemente por José Wilker, busca suas origens e descobre que é oriundo da Baixada Fluminense, território formado por vários municípios e da qual eu também sou filho. A procura do herói para dar um sentido à sua vida que está por finda parece estar localizada no sentimento quase inconsciente em se buscar uma origem para se tentar dar sentido à nossa existência no mundo, mesmo que o futuro possa não mais existir. E nessa busca o personagem de Wilker vai navegar pela pobreza, miséria e violência que ainda marcam as terras fluminenses, e apesar de se espantar com o contexto de onde veio, revela-se a ele que o maior amor que podemos realmente encontrar em nosso fim, é o amor materno, o amor de nossos mais próximos.   

O mais interessante é que a produção deste filme cruza a minha vida, de certa forma. Uma vez, ao me deslocar da casa de meus pais (ainda minha casa à época) em Mesquita à cidade do Rio de Janeiro, vi pela janela do trem, na Estação Mesquita, José Wilker e Anna Sophia Folch filmando em frente à linda árvore que vive há anos em frente à referida estação.

E ao final catártico do filme corri ao banheiro da sala de projeção desesperadamente, e em um pudor quase infantil, tentei recolher as lágrimas que queriam se derramar de qualquer jeito e forma, e então, acabei por sucumbir à emoção e chorei as lágrimas que me ajudaram a me conectar com minhas origens, com meus amores, comigo mesmo. Chorei sem me importar com quem entrava ao banheiro e se assustava com a cena, chorei sem vergonha alguma.

O impacto deste filme, que inclusive não foi reconhecido como deveria, fez com que, alguns anos depois, eu produzisse um poema e que decidi enviar a Cacá Diegues, diretor e roteirista da obra. Para minha alegria, o mesmo respondeu pronta e positivamente. 

Reproduzo o poema:


Do maior amor do mundo

(para Carlos Diegues)


Não tenho mais medo da água fria.
Deixo-a escorrer sobre minha cabeça.

Choro as lágrimas de todo o mundo.

Do amor de colo morno de mãe.
Da dor do leito de morte.
Do riso do enlaçar dos dedos.
Do gozo ao encostar em teu peito.

Choro as lágrimas geladas
De quem sabe que o fim pode estar próximo,
Mas que o coração deve estar
Sempre quente.

Choro tudo o que tenho que chorar.
Pois prender as lágrimas somente nos impede de amar.
De sentir.
E de se dar.

Amo amar a todos.
Sim, amo a todos.
E por isso choro com vontade,
O maior amor do mundo

E me permito,
Agora,
E por fim.
Poder regressar.

Au revoir.

Qual é a sua lista?


In memoriam de José Wilker.


Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
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O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

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