Dura vida, amarga batalha, por Luana Máximo
Isso tudo se passou comigo:
Nos caminhos que partilhamos.
Os rostos velhos e manchados.
Os ombros cansados e doídos.
As mãos machucadas e a má aparência.
São detalhes dessa vida de trabalho.
Amarga e dura.
E que tive que viver.
Para que meus filhos tivessem uma vida melhor no futuro,
Golpeei minha ansiedade de ir embora dali.
Pois se viver naquele lugar era ruim.
Pior seria viver sem saber pra onde ir.
O jeito era botar um sorriso no rosto.
E ir mentindo a minha dor.
Já que "a falta de esperança era um tormento por saber...
Que nada é justo e pouco é certo".*
* Citação à letra da canção Clarisse, de Renato Russo.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.Luana Máximo foi minha aluna na disciplina de Filosofia no ano de 2009 no curso de formação de professores (normal) do Instituto de Educação de Belford Roxo, vinculado à rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. Luana Máximo tem 15 anos.
O autor
Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.
Contato
O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com
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2 comentários:
Colocando as referências, rs.
beijinhos
Luana, a vida é justa sim. Uma injustiça invisível mas que o coração pode sentir. E nessa justiça quase imperceptível toda lágrima seca, toda dor passa, e o amor chega como forma de abraço no fim da estrada, como um copo d'água no fim da corrida. E todo esforço em favor da proteção aos pequeninos e aos mais fracos é recompensado como a semente que de uma nascem cem mais, e virão a nascer florestas. Põe teu pensamento no infinito, guerreira, e sorria de verdade, você tem o direito de sonhar e sorrir. Paz ao teu coração.
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