(in)contidos - O novo livro de Vinícius Fernandes da Silva do PSQC

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

À indiana




Minha alma se desprendeu de mim e agora vaga perdida entre as ruas de Nova Delhi. Perdeu-se em um dia de chuva forte nos becos sujos do bairro de Saket. Percorreu as estradas perdidas do oriente e viu pessoas, vacas e lama. Olhou os deuses, as cores, as mesquitas e os templos. Esbarrou com os meninos sujos, quase negros, de sorrisos pobres, vendendo pedras fingindo serem obras de arte. Entrou nas favelas mais favelas que já tinha visto, e falou com as pessoas mais miseráveis e sorridentes que podia ter conhecido. Assistiu a um cortejo colorido e doloroso, onde os gritos e as dores podiam ser ouvidos até mesmo no Nirvana. Sentiu o calor fedorento de Lucknow, entrecortando as noites das ruas abarrotadas de gente que pareciam não saber o que fazer. Atravessou as terras arianas nos trilhos perigosos, em cubículos de ferro onde o sono morria de medo de dormir.  Espantou-se com as terras de Sarnat e suas obras eternas e místicas. Deu um olá ao Buda, sorriu e chorou. Minha alma se fragmentou nas terras de Goa, na praia de Vasco da Gama, onde palavras lusitanas se fizeram ouvir. Espalhou-se nas casas e famílias que conheceu. Impregnou-se do alimento com as mãos comida e que ainda se encontram nos dedos etéreos de suas membranas invisíveis. Apaixonou-se pelas mulheres cor de barro escuro, com suas manchas vermelhas nas testas, seus desenhos nas mãos e pés, seus brincos, colares e sáris. Encantou-se com os homens lânguidos e simpáticos que sempre levam as mãos aos céus e dizem sinceros “namastê”. Minha alma desgarrou-se de mim enquanto andava perdido sem saber aonde ir entre as avenidas e estações da cidade nova. Esgueirou-se em cada canto, cada aroma de sândalo que pode sentir nas calçadas estranhas que se colocavam aos olhos, aos meus olhos. E quando fui embora ela sequer se despediu de seu dono. Sumiu como um rato assustado e assim ficou, lá, com aquele povo estranho, de língua difícil de entender, de cultura tão distante que perguntamos se somos irmãos. Sim, somos. E desde então vago sem ela, sem alma, vazio, carrego minha tristeza para ver se encontro outra alma, uma nova, em algum outro lugar, que possa preencher minha dor, meus defeitos, minha covardia. Ando, às vezes, perseguindo aquele cheiro de agridoce que só tinha sentido naquele lugar, e que nunca mais encontrei, nunca mais. Distraio a atenção para encontrar nova alma que me possa encantar. Mas eu sei que um dia, um dia, volto à Índia para pegar aquela velha alma que deixei por lá. Ah volto.   


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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dia do lançamento! (09/09/11)

Primeiramente gostaria de agradecer a todos os amigos, dos diferentes campos de minha vida, que foram me prestigiar no lançamento do meu primeiro livro, justamente o livro que é a continuação material deste blog: o "Palavras Sobre Qualquer Coisa",  pela Editora Multifoco. Blog este carinhosamente conhecido e reconhecido como PSQC. Agradeço também aos que, por diferentes motivos, não puderam comparecer, pelos pensamentos, palavras e energias positivas. Mais uma vez e para sempre: obrigado a todos! 

Foi uma noite linda, com música, poesia, leituras, dança, descontração, emoção, amizade e sobretudo... amor!

Aí vai alguns "pedaços" do amor  que rolou nesta noite tão especial!


























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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lançamento do livro: "Palavras Sobre Qualquer Coisa".

Gente, é com muito orgulho que anuncio o lançamento do livro referente aos textos publicados neste modesto blog. O PSQC virou livro, e será lançado no dia 09/09/2011 (sexta-feira) às 18h na sede da Editora Multifoco, situada na Rua Mem de Sá, 126 - Lapa - Rio de Janeiro.

Conto com a presença de todos!

Besos e mais uma vez obrigado pelos olhos de todos os leitores que passaram por aqui, se entretendo com minhas muitas palavras ou só dando uma passada de olho. Nos vemos no lançamento! Até!







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terça-feira, 16 de agosto de 2011







As palavras me deram um tempo,
Deve ser porque estou vivendo.

Quando o espanto voltar,
Volto correndo pra cá!

Até logo.






quinta-feira, 30 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

NU

Numa noite dessas fiquei nu. Meu amor não gostou. Perguntei a ela, “Por quê? Pois ninguém me avistou?”. Mas como ser nu, se há milhões de coisas a me cobrir: panos, calçados, cabelos, feridas, partidas, pentelhos, dinheiros, perfumes… palavras perdidas. Fiquei nu ao luar para pegar a toalha. A toalha! Meu amor zangou e falou: “Nada de nu fora de casa!”. Amor, amor… o mais difícil é revelar a nudeza da alma e do espírito, libertar o corpo das amarras da vida e da morte, e vivificar as flores, as lágrimas, e a certeza que para ir e vir é só treinar o olhar, o olhar. Amor fique tranqüila, pois nem seu pai, sua mãe ou sua tia poderão, nu, haver de me encontrar. Só você! Amor, quero trocar a roupa para poder desfilar na passarela do sonho e estrear a nova moda da felicidade imperfeita que é poder respirar. Amor, amor vamos correr juntos pra rua, e pelados, peladinhos, como doidos querubins a berrar: “Nus, estamos nus, e é assim que vamos amar!”. Numa noite dessas…   
  



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segunda-feira, 28 de março de 2011

!


!


Eu estou aqui!
Eu ainda estou aqui!
Aqui estou!
Ainda aqui eu estou!
Ainda!
Eu!
Eu!
Estou





artes


artes



nascer é a arte do vibrante
amar é a arte do constante
casar é a arte do durante
parir é a arte da gestante
morrer é a arte do instante,

do último.




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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Embrulhinho


Embrulhinho


Palavra presente. Presente está neste pedaço o teu espaço, palavra. Trechinho curto e singelo, mas que se entrega ao seu compasso. Palavrinha amiga que me surgiu do nada, enquanto viajava pelos rumos da estrada. Toma forma para dizer que dela a espera é farta e que sua fôrma quadradinha só revela meu enfado. Quadrado, de fato, é meu ato. Embrulhinho meu amigo, se faça chegar aos olhos de quem merecer esse meu trato. De fato, esse poeminha só serve para mostrar meu auto-retrato, pequenino tratado.




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domingo, 5 de dezembro de 2010

No meu enterro


No meu enterro eu quero choro e vela. Não é necessário uma quantidade grande delas. Uma já é suficiente para iluminar a alma que partiu, a minha. Quero choro, porque enterro sem choro é igual à despedida de sogra, todo mundo quer, rindo, que ela vá embora e de preferência bem rapidinho. Quero a presença da mulher que eu amo. Quero meus amigos, todos os poucos que tenho. Quero a presença dos amigos que moram perto ou longe. Quero meus filhos, mesmo os que estão brigados e sem se falar. Mesmo que se odeiem. Pelo menos serão obrigados a cuidar do enterro do papai aqui. Não quero que levem meus netos, e quando algum deles perguntar “Cadê o vovô?”, respondam “Foi pro céu!”. Quero que o meu enterro sirva para reencontros, porque nos que fui em vida, isso sempre aconteceu. Velórios e enterros são lugares de reencontros! Onde choros e risos se aninham, eu sei disso. Gostaria que houvesse música, baixinha, ambiente, com as canções que eu mais gostei de ouvir em vida, e que certamente continuarei gostar de ouvir em morte. Pode ter reza, todas, todos os cânticos e preces. Não quero pastor evangélico gritando no meu velório, mas orando baixinho pode. Não quero que na tampa do meu caixão haja uma cruz. Meu coração parado será de todas as crenças. Quero uma tampa lisa, simples, onde as pessoas possam depositar alguma palavra, um bilhetinho, uma carta de amor ou de adeus. Quero rosas, rosas amarelas, quero que as flores fiquem à altura do quadril, para que as pessoas possam segurar nas minhas mãos. Quero rosas amarelas, pois minha vó Lilia gostava delas, e assim, em minha morte poderei homenageá-la por sua vida. Quero carinhos no rosto e beijos nas bochechas, mesmo que frias. Peço que mandem os recados para os parentes que se foram em meu ouvido surdo e morto, pois juro que tentarei notificá-los dos pedidos, desejos e saudades. Quero cortejo ao meu corpo, quero cal encima do caixão e quero que uma última pessoa aguarde o último grão de terra selar minha sepultura. No meu enterro eu quero choro e quero vela.

(para Lennon).



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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Carta a um professor

Muitas vezes nos deparamos com certas situações que parecem absurdas ou até mesmo impossíveis de acontecer. Mas o importante é que essas situações, esses fatos, não duram para sempre.

O que aconteceu hoje, provavelmente não acontecerá amanhã, e se por um acaso acontecer novamente, não se desespere, lembre-se que nada é melhor do que um dia após o outro.

Certas situações, até mesmo desagradáveis, certamente contribuem para o nosso desenvolvimento pessoal e até profissional. E ainda bem que existe o erro, para que posteriormente o acerto seja mais valorizado.

Lembre-se: “A coragem da vida é sorrir, quando se tem vontade de chorar”.

Para refletir: “ O fracassado nunca tenta; O covarde sempre desiste; E o vencedor sempre conquista...”

Independente dos problemas pessoais e profissionais, queremos que saibas que estamos aqui, dispostas a contribuir para seu crescimento e mudanças, se você quiser que elas ocorram.

Vinícius, sabemos que as palavras tem poder de construir e um poder maior de destruir o que foi construído, mas não deixe que elas mudem seu jeito natural. É claro que somos seres humanos e passíveis de erros, mas não devemos dar tanta importância a coisas supérfluas e sim enfatizar o que aconteceu de bom.

Sorria!

Você é um ser independente, e pode quase tudo, basta apenas querer.

Gostamos de você e do seu trabalho.

Não se torne tão radical. As pessoas são o que são, e jamais irão agradar a todos.

Beijos!

(Carta escrita à mim, em um momento difícil depois de um dia muito triste, por três de minhas alunas do terceiro período do curso de Serviço Social – Dia 29 de Outubro de 2010).



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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Chão de asas

O corpo voou pela janela. Mas o corpo não era corpo. Era alma despedaçada, que caiu devagar, bem lentamente, pedaço por pedaço. Não foi só um corpo que caiu. Foi a esperança de uma vida vivida, vívida por ser plena, por ser bálsamo, completa, cheia. Porém um pássaro distraído viu aquele corpo e tentou acompanhá-lo. Aquele ser de asas e penas não sabia que aquele companheiro carregava o sabor amargo do delírio, o revolver da tristeza. O pássaro não sabia que existem penas que voam e penas que sentenciam. O pássaro não sabia que aquele corpo não era pássaro como ele, que era homem, e que seu peso findaria sem nenhuma proteção. E ao ver que o chão era o destino do corpo, o pássaro refez sua trajetória e subiu e olhou e ao céu voou.

Mas não havia mal... Não havia uma maldade implícita naquele salto. A maldade não estava no vôo do homem. Estava, talvez, em sua fraqueza. Talvez. Porém a escolha do pássaro nos revela uma lição: Não nos enganemos! Toda queda pode ser acompanhada, todo mal pode ser sanado, toda dor pode ser superada, e todos iremos algum dia voar, sublimar a vergonha e chegaremos ao chão e aos ceús, aos céus. Iremos cavalgar as nuvens e olhar para baixo e perceber que voar também é escolha, é querência. E agora para aquele corpo que bradou em uma única direção... as asas foram alçadas e a chegada já se fez.

Segue. A vida segue. Os pássaros voam. Os corpos caem. As lágrimas escorrem. E ao final de tudo, tudo se vai ao chão. Percebem? Não há maldade, não há maldade, só há a busca pelo perdão. Homem do corpo que caiu, estás perdoado, pois sua alma, sua dor e seus amores não foram em vão.



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terça-feira, 26 de outubro de 2010

honraria

honraria


Nós humanos efetivamente somos criaturas peculiares. Agraciamos, presenteamos, premiamos nossos expoentes na literatura, na música, na ciência, nas artes plásticas, entre outros, quando estão bem velhos. Quase sempre velhinhos, bem velhinhos.

Mas a pergunta é... por quê?

Se só queremos honrarias para oferecê-las aos nossos pais, e estando velhinhos, quase sempre nossos progenitores já se foram, partiram para novos caminhos. Ou não. Então ganhamos nossos prêmios esperando o reencontro com nossos saudosos e queridos para afinal perguntar-lhes:

-Pai, mãe, vocês estão orgulhosos de mim?


Obvious Lounge: Palavras, Películas e Cidades

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Agora também estamos no incrível espaço de cultura colaborativa que é a Obvious. Lá faremos nossas digressões sobre literatura, cinema e a vida nas cidades. Ficaram curiosos? É só clicar na imagem e vocês irão direto para lá!

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Palavras Sobre Qualquer Coisa - O livro!

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Para efetuar a compra do livro no site da Multifoco, é só clicar na imagem! Ou para comprar comigo, com uma linda dedicatória, é só me escrever um email, que está aqui no blog. Besos.

O autor

Vinícius Silva é poeta, escritor e professor, não necessariamente nesta mesma ordem. Doutor em planejamento urbano pelo IPPUR/UFRJ, cientista social e mestre em sociologia e antropologia formado também pela UFRJ. Foi professor da UFJF, da FAEDUC (Faculdade de Duque de Caxias), da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) e atualmente é professor efetivo em sociologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Criou e administra o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lançou o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Possui o espaço literário "Palavras, Películas e Cidades" na plataforma Obvious Lounge. Já trabalhou em projetos de garantia de direitos humanos em ONG's como ISER, Instituto Promundo e Projeto Legal. Nascido em Nova Iguaçu, criado em Mesquita, morador de Belford Roxo. Lançou em 2015, pela Editora Kazuá, seu segundo livro de poesias: (in)contidos. Defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

O CULPADO OCUPANDO-SE DAS PALAVRAS

Contato

O email do blog: vinicius.fsilva@gmail.com

O PASSADO TAMBÉM MERECE SER (RE)LIDO

AMIGOS DO PSQC

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